Astaroth - A Dama das Encruzilhadas

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Astaroth - A Dama das Encruzilhadas

Mensagem  Psy777 em Seg Maio 11, 2015 5:49 pm

Olá a todos! Também quis fazer minha contribuição a este tópico e falar sobre Astaroth, um dos mais importantes espíritos goéticos. Sei que muitos não concordam em associar o espírito descrito nos grimórios com a antiga deusa do Oriente Médio Astarte, mas aqui está uma boa descrição e o autor explica os motivos pelos quais ele quis fazer isso.
 A seguir, está um trecho da Enciclopédia Goética, escrita por Jake-Statton Kent, na qual ele dedica um apêndice inteiro a Astaroth, enfatizando sua importância nos grimórios, especialmente o Grimorium Verun. Eu postarei o apêndice inteiro aqui em partes. Aguardem as próximas:

                        Astaroth - A Dama das Encruzilhadas Parte 1


Astaroth é um espírito do Grimório Verdadeiro, e um dos três chefes dos espíritos. No sistema do Grimório Verdadeiro, Astaroth compartilha o domínio sobre o mundo com Lúcifer e Belzebuth. Nesta divisão, Lúcifer governa Europa e Ásia, Belzebuth, África, e Astaroth, as Américas. Nos sistemas supostamente tradicionais de demonologia, Astaroth é muitas vezes vista como um ser masculino. Isto é algo que será discutido posteriormente. Para nossos propósitos imediatos, Astaroth é considerada como similar à, se não idêntica com, uma deusa dos pagãos canaanitas e outros, conhecida como Astarte, e associada com Vênus e a Lua.
 Esta não é necessariamente uma contradição dos grimórios, que são remanescentes de magia mais antiga, bem como sistemas por sua própria conta. Eles são, por definição, incompletos, e melhor compreensão requer pesquisa, paciência e experiência. Apesar de seus defeitos, e suas imprecisões frequentes, é insensato fazer mudanças sem primeiro obter esta compreensão e experiência. Fazer isso pode piorar os resultados, ao invés de melhorá-los. A diferença entre os grimórios e a abordagem descrita aqui é uma consequência da natureza mais pessoal e individual dos espíritos, já que eles são confrontados nesta maneira de operação. É também um resultado da correspondência desta abordagem à magia, já que ela existia muito tempo antes do período medieval.
 Astaroth tem como seus agentes no Grimório Verdadeiro os espíritos Sargatanas e Nebiros, que por sua vez governam sobre muitos espíritos, particularmente Nebiros. À parte estas importantes relações hierárquicas, Astaroth tem uma afinidade com um, e somente um, dos espíritos do Grimório Verdadeiro. Esta afinidade é com o próprio Imperador Lúcifer, e nenhum outro espírito tem tal afinidade. Como com as afinidades, outros espíritos do Verdadeiro Grimório tem, um com o outro. Esta afinidade não é de posição, mas de espíritos parentes. Assim como uma relação entre Comandantes é uma afinidade importante, e uma com muitas consequências e implicações.
 Embora Lúcifer seja o governador máximo de todos os espíritos, e seja raramente evocado diretamente, a afinidade de Astaroth com ele, junto com sua própria importante posição, faz dela a Comandante ideal para com os magistas trabalharem. Astaroth é de longe a mais abordável dos três Chefes, e o magista que trabalha com ela encontrará sua afinidade com o Imperador uma qualidade muito útil. Junto com o relacionamento com Scirlin, que todo magista trabalhando com o Grimório Verdadeiro deve ter, uma relação com Astaroth tem para trazer o favor de Lúcifer para com o magista. Além disso, a afinidade com esses chefes pode conferir sobre o magista muitos dos benefícios que Lúcifer concederia. Isto está em contraste distinto ao trabalhar com Belzebuth, que é mais duro por natureza, e menos perdoador de falhas no procedimento ritual.


                       Os  Poderes  de  Astaroth

 De acordo com o Grimório de Honório, Astaroth confere o favor do grande e poderoso, e isto está de acordo com sua associação com a estrela Sírius, que também confere outros tesouros associados com ela em tempos antigos. De acordo com Weyer, Scot e a Goetia, Astaroth pode responder verdadeiramente em  relação à todas as questões passadas, presentes e futuras, e de todos os segredos. De acordo com o Grimório de Armadel, e confirmado em menos detalhes pelos três acima mencionados, Astaroth também pode revelar todas as questões em relação à Queda dos Anjos, incluindo sua vida antes da Queda, sua criação, a origem de seus nomes e assim por diante.
 Os ciclos de conjunção de Sol e Vênus, que formam os pentagramas correto e invertido no curso de seus ciclos de oito anos, são particularmente conectados com Astaroth, como é a Lua Nova. Ela também é associada com estrelas particulares, incluindo Sírius (13  57 Câncer) a Estrela de Cão Maior. Esta estrela tem uma longa história na mitologia e magia de conjuração, e houveram santuários de Sírius no Egito, Pérsia, Grécia e Roma. Sua pedra preciosa é o berilo, uma pedra marítima. Suas plantas são savina, artemísia (Artemisia vulgaris e Artemisia dracunlus). Entre os animais é associada com a língua da cobra. Sua imagem mágica é de um cão de caça e uma jovem virgem (Anúbis e a deusa Sothis). Astrologicamente, esta estrela é associada com sorte, orgulho, riqueza, ambição, boa reputação, fama, honrarias, interesses ocultos, e mordidas de cachorros. Magicamente, ela pode conferir honra e boa vontade, o favor de homens e espíritos aéreos, dar o poder para pacificar e conciliar reis, princípes e outros homens. Cuidado deverá ser tomado para evitar conexão adversa com Marte, quando Sírius estiver se erguendo, pois medo de ambição presunçosa conduzindo à acidentes ou sobre a vida de alguém.
 Ela também é associada com o grau de exaltação de Júpiter, 15º de Câncer. Conjunções da Ascendência, a Lua, Júpiter e Vênus com este grau são todos poderosos, e podem ser trabalhados sob seus auspícios. As estrelas dos gêmeos, Castor (18º Câncer) e Pollux (21º Câncer) estão também sob ela. Com estas é sábio trabalhar quando Castor estiver acima do horizonte, e Pollux ainda abaixo.
 Assim também é Procyon (24º 24 Câncer) a Estrela de Cão Menor. Sua pedra é ágata, suas plantas as flores de cravo-de-defunto, e poejo. Sua imagem mágica é a imagem de um galo ou de três donzelas (uma imagem de Hécate Triformis). Esta imagem pode ser trabalhada magicamente para conferir os favores dos deuses, espíritos e homens; ela também protege de magia maligna e preserva a saúde.

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Re: Astaroth - A Dama das Encruzilhadas

Mensagem  Psy777 em Seg Jun 01, 2015 5:17 pm

Olá a todos! Prosseguindo com o tópico, estou postando aqui a segunda parte do Apêndice, totalmente dedicado ao estudo de Astaroth, que está contido no Volume 1 da Enciclopédia Goética, escrita por Jake-Stratton Kent:


                             Astaroth - A Dama das Encruzilhadas parte 2


 

Astaroth  no  Oriente  Médio  e  no Egito


 A história de Astaroth no Oriente Médio e Egito é longa e complexa. Ela envolve milênios do tempo, uma vasta faixa de geografia e vários grupos de linguagens, além de uma multiplicidade de papéis. Apenas uma de suas formas mais velhas, a Inanna sumeriana, foi chamada de deusa de muitas facetas, Inanna. Além disto, há associações sincréticas; as deusas com quem ela foi identificada, ou quem ela absorveu, ou quem tem qualidades absorvidas dela. Para resolver todas estas questões complexa claramente e de forma significativa aqui é uma tarefa impossível.
 Para servir um propósito útil, apropriado ao trabalho em mão, é o suficiente traçar a principal linha de descendência – da Suméria ao Egito ptolomaico – e esclarecer seus muitos papéis importantes.

 Inanna sumeriana
 
 Um papel principal de Inanna era a fertilidade, inicialmente talvez em relação à palmeira da época, mas estendendo-se à lã, carne e grãos. Um de seus símbolos chave em relação a este papel era o portão do armázem. Seu mito envolvia um casamento no dia da colheita, com seu amante, Dumuzi, que é uma forma do deus morimbundo comum aos cultos de fertilidade da região. Esta forma de Inanna provavelmente envolvia um de seus outros papéis chave, como uma deidade de tempestade e chuva. Neste aspecto, o leão é – como com outras deidades da tempestade – um atributo chave. Ele conduz uma carroça puxada por sete leões, monta um leão, ou é ela mesma um leão. Em um de seus mitos, ela também empresta o outro animal do trovão, o Touro do Céu, o rugir de ambos os animais era ouvido no trovão. Entre seus títulos estão: 'Inanna, a grande tempestade do céu'. Este atributo se relaciona com seu aspecto de fertilidade e com sua natureza belicosa. Como trovão, ela é a 'destruidora das montanhas, que fornecia asas da tempestade'. Como a chuva, sua natureza é gentil e entregadora de vida:

 Eu sigo para os céus, e a chuva cai abaixo,
 Eu sigo para a terra, e a grama e ervas crescem.

 É em seu papel de deusa do trovão que sua natureza belicosa provavelmente se origina. Certamente, uma das manifestações chave de Astaroth deste ponto em diante como uma deusa da guerra com cabeça de leão, e Inanna é conhecida como deusa da guerra de mitos muito antigos.
 Outro papel chave de Inanna é uma deusa de Vênus como Estrela da Manhã e Anoitecer. O interessante neste aspecto é que, nesta forma, a deusa mantém corte na Luas Novas para ouvir petições daqueles em aflição. Como Estrela do Anoitecer, ela também julga o justo e o injusto. Como a Estrela da Manhã representava trabalho produtivo, então a Estrela do Anoitecer representava descanso e recreação, e outro papel chave de Inanna segue disto: Inanna, como meretriz, deusa da música e da dança, a protetora das prostitutas e das cervejarias. A Estrela da Manhã, por outro lado, era também associada com ela como deusa da guerra, um simbolismo de surpreendente ampla distribuição entre as pessoas de descêndencia asiática. Implícito em seu papel belicoso, está uma ligeira inferência de ver ideias de punição e vingança, seguindo-se em seus julgamentos.
 Todos estes papéis são encontrados na Ishtar acadiana (e em geral semítica) Ishtar, com Inanna foi identificada. O nome Ishtar deriva – através da forma intermediária de Eshtar – daquela de Attar, o nome de um deus semítico do Oeste de Vênus como Estrela da Manhã, e da chuva. Como sua contraparte feminina Astarte (a forma mais velha é Attart, a forma feminina do nome masculino), ela representava Vênus como Estrela do Anoitecer, bem como chuva, guerra e amor sexual. Estas são somente as qualidades principais da deusa, da qual a natureza multi-facetada possui ao mesmo tempo uma unidade permanente de caracterização.
 Há certamente outras complexidades que estão no presente além da resolução dos estudiosos mais profundos. Por exemplo, a natureza precisa de seu relacionamento com a deusa Anath, e com Asherah, ainda não foi discernida. O que importa aqui é que o princípio do símbolo de Asherah, o mastro cerimonial que traz seu nome, é também associado com Astarte. Este símbolo importante é também o posto sagrado de Inanna. Como Astarte ou Ashtoreth, ela era a deusa principal dos fenícios e canaanitas semíticos. Sob o nome de Tanit, ela também era a deusa principal da colônia fenícia de Cartago, que trazia todos os mesmos atributos.
 Os mistérios de Ísis e Osíris é o título de um importante trabalho de Plutarco, do qual muito de seu conhecimento daqueles Mistérios é derivado, e cujo estudos de monumentos e papiros têm somente se estendido. A história é familiar o suficiente, e somente alguns detalhes interessam este estudo. Quando Set prende Osíris numa arca e a lança no Nilo, ela é carregada pra longe pelo rio, até o mar, chegando na costa novamente em Biblos. Biblos era uma cidade fenícia extremamente antiga, e o centro de adoração de Tammuz, uma forma do deus morinbundo, semelhante ao Dumuzi, o amante de Inanna. Os gregos adotaram os ritos de Adônis daqui tão cedo quanto o 7º século a.C., o nome Adônis sendo derivado da palavra fenícia Adon, significando Senhor.
 Na história egípcia, Ísis persegue a arca até Biblos, onde uma impressionante árvore tamargueira cresceu rapidamente em volta dela e foi removida como um pilar para o palácio da Rainha Astarte e seu marido Melkarthus (Melqart, outra importante deidade fenícia, chamado pelos gregos de Hércules Celestial). Que estas duas figuras são tão divinas quanto Ísis, ou somente tão humanas quanto ela, isso é certo. É também extremamente provável que esta parte da história explique a relação entre os mistérios de Ísis e Osíris, e aquelas da deusa semítica e seu consorte morimbundo. É, de fato, extremamente provável que um trocadilho estendeu a palavra biblos (inicialmente uma referência ao papiro completamente egípcio do pântano; papiro sendo do qual papel, e portanto livros ou bíblias, são feitos), à cidade fenícia. A árvore tamargueira é mencionada nos lamentos babilônicos para o deus:
 Uma tamargueira que no jardim não bebia água,
 da qual a coroa no campo brotava nenhuma flor.

 Uma versão deste mito é de que Ísis não levou de volta o corpo de Osíris para o Egito, mas que ele foi enterrado em Biblos e foi em sua honra que o festival de Adônis foi mantido. É muito evidente que as religiões semíticas e egípcias tem um ponto mútuo de influência uma sobre a outra. Em particular, a importância de Astarte e Baal no Egito influenciou os ritos de Ísis e Osíris; muita coisa, como a arte egípcia, influenciou o retrato dos deuses semitas em seus lares originais. As lamentações de Astarte por Adônis ou Ishtar por Tammuz eram pouco diferentes daquelas de Ísis por Osíris na obra obsoleta, mas ainda útil, de Frazer, Golden Bough.
 Embora esta conexão seja extremamente significante, esta não é a única aparência de nossa deusa na religião e história egípcia. A adoção da deusa da guerra semita de cabeça de leão Ashtoreth, pelos egípcios, ocorreu provavelmente por volta de 1800 a.C. Sob os nomes Asthertet ou Astharthet, ela foi fortemente associada com o uso do cavalo e carroça na guerra, que os egípcios não possuíam antes do que essa época. Seu culto persistiu desde então, através do período ptolomaico, e no começo da era cristã. Como uma deusa do amor, ela foi identificada como Hathor ou Ísis-Hathor, em uma ou mais de suas formas. A importância do mastro ou pilar no culto de Hathor é também atestada. Como uma deusa da guerra, Asthertet, foi identificada como a deusa Sekhmet. Ela foi também associada com a Lua e chamada 'senhora dos cavalos, dama da carruagem, habitante de Apollinopolis Magna'; (Behutet para os egípcios, o Edfu moderno, assento da adoração de Hórus de Behutet, conhecido no ocultismo moderno como Hadit). No lendário conflito entre Set e Hórus,  Asthertet e Anath são dadas como esposas para Set a fim de aplacá-lo para os termos de um estabelecimento de paz que favorece Hórus. Note também que Set foi cônjugue de Taurt, a mais antiga e popular das deusas mãe no Egito, bem como Neptís, a mãe de Anúbis.




Astarte  no  Mundo  Grego  e  Romano



 Como visto, a assimilação de uma deusa com outra, de uma nação à outra, foi um aspecto primordial da religião no Oriente Médio. Este processo acelerou com as conquistas de Alexandre, e por todo o período helenístico. Com a ascensão do Imperio Romano, o processo acelerou ainda mais, na combinação sincrética e na disseminação das religiões orientais na Europa. Astarte, Artêmis e Ísis se tornaram identificadas uma com a outra e com outra deusa, tal como Afrodite; que tinha de fato se originado no Leste ao invés da Grécia; e com igual justificação foi identificada com Cibele e Rhea. Como a Deusa Assíria, ou Dea Síria, a adoração de Astarte se espalhou por todo o Império, rivalizada somente por aquela de Ísis, com quem em qualquer caso ela foi fortemente associada. Seu status, em conformidade, no início da era cristã, de onde ela declina ao status de um demônio de gênero questionável, poderia dificilmente ser maior.





Astaroth  e  Hécate



 "Pelos mistérios do profundo, pelas chamas do Banal, pelo poder do Leste, e o silêncio da noite, pelos ritos sagrados de Hécate, eu conjuro e exorciso-te... espírito de N. Falecido, a responder minhas suseranas demandas, sendo obediente à estas cerimônias sagradas em dor de perpétua tormenta e aflição: BERALD, BEROALD, BALBIN GAB GABOR AGABA: Levante, levante, eu te encarrego e te comando."

                                                                   The Discoverie of Witchcraft, Scot, 1665.

 Hécate é uma figura importante na história da mágicka e da bruxaria. Ela foi uma figura misteriosa na região do Olimpo, sendo a única dos Titãs (as deidades Ctônicas anteriores) a reter seu poder e posição sob o novo regime de Zeus, o líder dos olimpianos pós-ctônicos. Ela foi honrada por todos os deuses, e identificada com Selena ou Luna no céu, Artêmis ou Diana na terra, e Perséfone ou Proserpine nas regiões abaixo, o precursor de nosso Inferno. No Papiro Mágico, Hécate é também idêntica com Selena, Artêmis e Perséfone (veja PGM IV. 2523-2621, PGM IV. 2708-2784, PGM IV. 2815-2817, etc), e seu domínio universal levou ela a ser considerada a Alma do Mundo dos hermetistas caldeus, diretamente análogo à Ísis como Anima Mundi no ocultismo da Renascença.
 Como uma deusa tripla, ela é muitas vezes descrita como tendo três corpos, ou três cabeças: no começo do período clássico, estas são cabeças humanas, depois ela é vista com cabeças animais, como Mestra das Bestas. Ela pode ser encontrada com as cabeças de um leão e uma égua, e a de um cão ou javali; no Papiro Mágico, outras variações ocorrem: em PGM IV. 2120-2123, ela tem a cabeça de uma vaca no lado direito, a cabeça de um cão feminino no lado esquerdo, e a cabeça de uma garota no centro; em PGM IV. 2881-2884, ela tem a cabeça de uma cabra do lado direito, um cão feminino no lado esquerdo, e no meio aquele de uma garota com chifres. Suspeita-se ocasionalmente que o Cerberus de três cabeças era uma forma não-humana de Hécate mais velha. Isto é reforçado por descrições alternativas de Cerberus cem cabeças, como Hécate é, aparentemente, relacionado à palavra grega para cem, hekaton.
 Sua forma tripla leviu ela a receber os títulos: Diva Trifomis, Tergemina e Triceps. Cães, cordeiros femininos negros e mel eram oferecidos a ela nas estradas e onde três estradas se encontram, daí seu títlo Trivia ou três-caminhos, e nas encruzilhadas. As encruzilhadas, em muitas tradições, representam um lugar entre os mundos, especificamente os mundos dos mortais e dos imortais. Em troca de tais oferendas, ela poderia carregar mensagens de lá para cá entre estes mundos, e como um poder de justiça, ela poderia interceer com eles.
 Os atenianos a consideravam uma patrona de famílias e de crianças (seu título como educadora dos jovens era Kourottophos), como também do pobre e indefeso, em geral. Suas estátuas eram muitas vezes conformementes encontradas na entrada da casa (como guardião do limen, a entrada, ela era Limenoskopos; um título relacionado é Propilaia, Aquele perante o Portal). As formas mais antigas da imagem dela, se nas encruzilhadas ou na portaria, consistiam-se de um mastro – como mostrado por Rabinowitz – é retido até mesmo em santuários posteriores. Sobre ele ficavam penduradas suas máscaras, geralmente três em número.
 Na Lua Nova – que, como visto anteriormente, é o tempo em que Inanna mantinha corte – era o costume das pessoas mais ricas fornecer uma festa e reunir-se nas ruas ao pobres. Posteriormente, como parte do rito, estes beneficiários do costume regularmente registravam que Hécate tinha devorado a festa. Nesta época, muitas oferendas expiatórias eram feitas, para aplacar a deusa por qualquer mal feito que pudesse influenciar o público bom. Isto novamente é reminiscente da corte de Inanna, onde ela julgava o culpado e inocente de acordo com seus feitos; como Hécate, ela possuía autoridade para julgar, e para recompensar ou punir. Tão grande era seu poder que ele se entendia por terra e mar, os céus e o submundo, e reis e nações creditavam-na com qualquer prosperidade que eles pudessem possuir.
 Ela participou ativamente na busca pela filha de Deméter, Perséfone, depois de sua abdução por Hades, e se tornou sua constante companheira até sua descoberta. Esta conexão mítica reforça fortemente a conexão dela com o reino dos mortos, que na época corroeu suas associações mais positivas, como geralmente ocorre com figuras ctônicas sob influência de religiões mais civilizadas. Portanto, no texto cristão gnóstico Pitis Sophia, ela é mencionada como a seguir:

 A terceira ordem é chamada de Hécate de tripla face, e há sob sua autoridade vinte e sete arquidemônios, e são eles que entram nos homens e os seduzem aos perjúrios e mentiras e a cobiçar aquilo que não pertence a eles. As almas que Hécate trouxe daí em arrebatamento, ela conduziu sobre seus demônios que pairam sob ela, a fim de que eles possam atormentá-los através de sua fumaça obscura e seu fogo maligno, eles sendo excessivamente afligidos através dos demônios. E eles gastaram cento e cinco anos e seis meses, sendo castigados na punição maligna dela; e eles começaram a ser dissolvidos e destruídos.

  Em seu papel como deidade do submundo no período posterior pagão, ela era uma figura grande e formidável. Ela era capaz de liberar sobre a terra todo o tipo de assustadores demônios e fantasmas, era a deusa da feitiçaria e bruxaria, habitando nos lugares onde as estradas se cruzam, ou em cemitérios e perto das cenas de crimes violentos. Este último aspecto aponta para seu papel anterior em administrar justiça divina, mas é aqui assimilada aos desejos dos mortos por sangue, a fim de recuperar sua velha força. Ela própria perambulou com os mortos, e sua abordagem doi anunciada pelo latir dos cães.
 Antes da degeneração da deusa numa figura de somente medo, seu envolvimento com Démeter e Perséfone fizeram dela uma figura de grande importância nos Mistérios de Elêusis. Assim também nos mistérios samotracianos e outro mais. Na Iniciação dos Submundos, ela não guiava os mortos, mas inicia. Como Hermes, o mais importante de seus papéis era aquele do guia e do iluminador, Hécate Psicopompos, a guia das almas, Hécate Soteira, a deusa salvadora. Sua tocha, referida nos grimórios como 'As Chamas de Banal', guiava iniciados através do Submundo e fornecia uma catarse ritual, pelo qual eles eram transformados e regenerados.
 Os Oráculos Caldeus de Zoroastro são provavelmente greco-egípcios por origem, mas influenciados por fontes zurvanistas-caldeias hermeticamente inspiradas. Em sua profundamente filosófica cosmologia mágica, o pepel de Hécate de intermediária divina foi desenvolvido ao extremo âmbito. O Oráculos retrata Hécate preenchida e dispensadora do fogo entregador da vida:

 ...o Fogo Trazedor da Vida... preencheu o peito produtor de vida de Hécate... [Ela] tendo recebido os poderes de todas as coisas em Seu Âmago Inefável, emana geração perpétua em todas as coisas.

 Por causa de ela receber e manter dentro de seu peito, e transmite adiante o 'Fogo Trazedor da Vida', ela é para estes iniciados a deusa extrema, não meramente da geração, mas da regeneração espiritual.
 Esta teologia ígnea, incidentalmente, é idêntica (se não em fonte, por inspiração) ao expressado na Oração das Salamandras pelo qual Astaroth é conjurado na assim chamada Cabala da Borboleta Verde no Grimório Verdadeiro. A 'Filosofia do Fogo' dos Oráculos é aquela desposada pelo herói titular do Le Comte de Gabalis. Nesse sentido, pelo que podemos ser apurados, essa mesma oração se origina, e além dela estão várias citações diretas dos Oráculos, que a própria oração ainda pode provar ser.
 Muito do saber do número e da estrela do Gnosticismo também se origina nos sistemas da Babilônia e da Caldeia. Aí também um aspecto central das seitas gnósticas se deriva. O casamento místico de Sophia e seu noivo celestial é um descendente direto de Ishtar e Tammuz, recriado na terra pelo sacerdote e sacerdotisa num relicário conhecido como câmara do casamento. Para os sumérios e as culturas imediatamente descendentes deles, este ritual era uma garantia de vida através da fertilidade das colheitas e rebanhos. Pode certamente ter tido uma significância mais esotérica da Caldeia e da Babilônia antes dos gnósticos, mas se ou não isto foi feito, com os gnósticos foi uma garantia não da fertilidade, mas da salvação, do retorno à fonte celestial de vida. Este rito foi desempenhado pelos gnóstivos valentianos no 14 de Fevereiro. Tão potente era o apelo deste rito que a Igreja teve de inventar um São Valentim martirizado naquele dia para combater sua influência. Consequentemente, o Dia de São Valentim é um testamento para a influência do Gnosticismo, e de Astaroth, que sobreviveu por séculos. É também surpreendente que Sophia – a deidade gnóstica da Sabedoria – possui várias qualidades originando-se com Ishtar e Astaroth, não menos meretriz divina entre elas.
 Em muitos aspectos, a natureza de Astaroth, como desenvolvida nas tradições mágicas, é similar ou idêntica com aquela da Deusa Hécate. Há, com certeza, um golfo entre algumas retratações de Inanna ou Ishtar – que em algumas formas se assemelha à uma obstinada e egoíta jovem aristocrata – e Hécate, da qual a empatia com os marginalizados e indefesos é permanente. Entretanto, as qualidades positivas de Hécate não estão ausentes das retratações de Astarte como intercessora, protetora e distribuidora de justiça.
 Não somente era Hécate similar em natureza e origem com Astarte, mas no período antigo, ou mais recentemente, elas também desenvolveram papéis muito similares na magia. Elas são muitas vezes invocadas nas encruzilhadas, elas comandam numerosos espíritos, elas são ambas associadas com Cerberus, ou Nebiros, elas tem uma natureza lunar, o leão e o cavalo pertencem a ambas, e o mastro ou pilar é seu símbolo comum.
 Dada as antigas conexões traçadas por Hécate e Artêmis por um lado, e Artêmis e Astarte por outro, uma ligação similar de Hécate e Astaroth na tradição mágica – com uma dando nome à outra – é prevísivel.
 Esta conexão pode ser percebida em operação no Testamento de Salomão. Aqui 'os laços de Artêmis' são prognosticados (pela sétima das Plêiades, presumivelmente Alcione) a ser causa extrema da queda de Salomão. Similarmente, na Bíblia, é Astaroth, da qual a adoração supostamente conduz à queda de Salomão (1 Reis, II, 6.), enquanto no Papiro Mágico contemporâneo com o Testamento, Artêmis é totalmente identificada com Hécate. O mesmo texto fala dos eventos mais sinistros nas encruzilhadas, usando termos que podem facilmente se referir à Hécate, tal como seu título Enodia.
 É um fato notável que um amuleto do período romano fosse descoberto numa encruzilhada na Óstia, retratando em um lado o Rei Salomão, mexendo num caldeirão mágico, e no outro lado a forma de três corpos de Hécate, ambas as figuras cercadas por símbolos mágicos, dos quais alguns são reconhecíveis nos grimórios salomônicos.
 Embora algumas associações modernas entre antigas deidades e espíritos sejam muito tênues, particularmente em relação às praticalidades mágicas, esta associação é muito próxima e também eminentemente prática. É prático num sentido mágico e cosmológico. As antigas associações de Hécate transferem-se muito prontamente à Astaroth em nossos próprios tempos. Embora o papel de Hécate pareça a diminuir gradualmente após um período medieval, o mesmo papel é desempenhado por Astaroth, e aumenta uma proporção inversa conforme aquela de Hécate diminui. Voltando ao Papiro Mágico, nós também vemos um possível análogo ao gênero agitando na natureza de Astaroth na natureza de Hécate. Isto está na fusão mágica das ideias em relação à Hécate como Deusa das encruzilhadas e Hermes como Deus disso. No Papiro Mágico, e de fato há muito tempo antes, uma notável partilha de atributos pode ser vista entre estas deidades mensageiras, para que, por exemplo, Hécate fosse retratada com o caduceu de Hermes. Este foi de fato um aspecto há muito tempo estabelecido da mitologia grega e dos cultos de Mistério dos quais muito da magia do Papiro é derivada; por exemplo, aquela do Idaean Dactyls. Além do nome mágico de Hermecate – uma combinação de seus nomes – aparece no papiro. Dada esta qualidade permutável, não é improvável que uma flexibilidade de gênero se resultasse. Isto pode por sua vez ter complicado a figura parcial resultante do declínio da tradição mágica e a perda de muito de seu saber original.
 Entre as perdas na antiga mitologia que poderiam esclarecer nossa compreensão é ser somado as persistentes, mas incompletas, conexões da lenda de Perseu e Andrômeda com Astarte e Hécate. Por exemplo: Hécate é chamada de Perseis ou Persa, e o nome daquela raça no mito grego era suposta a se derivar de Perses, filho de Perseu e Andrômeda. Assim, Hesíodo faz Hécate a filha de Perses e Asteria. Astarte, por outro lado, num mito egípcio que infelizmente está preservado de modo muito incompleto, é resgatada por um monstro do mar que deseja tê-la como sua companheira, por nenhum outro do que o feroz e astuto Set; isto claramente se assemelha ao mito de Perseu e Andrômeda. É sabido que em algumas de suas formas, Astarte era representada como com cauda de peixe, e tinha uitas conexões marítimas (muitas de suas imagens se assemelham com uma sereia ou Ninfa). O domínio de Hécate, similarmente, embora muitas vezes falado como do Céu, Terra e Inferno, também paralelos aos mundos de Zeus, Posêidon e Hades, o Céu, Mar e Submundo.
 Qualquer que seja a solução para estes enigmas, uma grande quantidade será obtida se considerar Hécate e Astaroth similares por natureza, até mesmo reflexões uma da outra. É distintamente para nossa vantagem considerar Hécate como uma manifestação mais elevada de Astaroth. Dessa forma, nós aumentamos nossas opções mágicas. Nós podemos certamente conjurar Astaroth por meios da forma adaptada do Grimório; entretanto, nós também temos a opção de realizar uma invocação divina de Hécate. Então, através de identificar nós mesmos com ela, com sua autoridade Astaroth pode ser convidada a aparecer como uma hipóstase.

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Re: Astaroth - A Dama das Encruzilhadas

Mensagem  Psy777 em Seg Jun 01, 2015 5:41 pm

Bom, encerrando aqui com a última parte do Apêndice sobre Astaroth, eu espero que o conteúdo descrito aqui seja útil a todos os que se interessarem pelo tema deste tópico. Nesta última parte, há menções do autor para entidades dos cultos afro-brasileiros, como Exús e Pomba-Giras, supostamente relacionados com Astaroth. Eu espero que tenham curtido este tópico e que queiram acrescentar mais coisas sobre o daemon goético e deusa mesopotâmica:


Astaroth - A Dama das Encruzilhadas
parte final





O  Gênero  de  Astaroth

 
A retratação de Astaroth como entidade masculina na Goetia de Salomão é um erro que parece se originar nas traduções dos escritos de Weyer (o original latim não contém referências a gênero, que aparecem somente na versão inglesa, o uso de ele na tradução é primariamente uma formalidade). Scot, que estava usando uma transcrição muito defeituosa em inglês, involuntariamente imitou este erro; das referências à Astarte em seus próprios escritos, é improvável que ele teria feito isso de outra maneira. De ambas estas fontes, isso encontrou seu caminho nos grimórios, que contrários à imaginação popular, são basicamente compilações posteriores. O erro foi frequentemente realçado por escritores posteriores, e até mesmo satirizado pelo arguto autor Colin De Plancy, que retratou o Astaroth masculino se casando – ou talvez se reunindo com – uma Deusa da Lua Fenícia (Astarte). Esta mesma identidade foi evidentemente conhecida para Eliphas Levi, no qual alegado fragmento da Chave de Salomão aparecem as palavras:

 
 O Chefe ou Guia destes Demônios é Astaroth ou Astarte, a Vênus impura dos assírios, que eles representam com a cabeça de um asno ou de um touro, e os seios de uma mulher.

 Todavia, a incorporação de detalhes derivados de Weyer e Scot nos influentes grimórios têm infleizmente perpetuado o erro até os dias atuais.
 Em alguns aspectos, entretanto, isto não é importante, já que deidades canaanitas ocasionalmente passam por misturas de gêneros em seus contextos originais. Também, os planetas Mercúrio e Vênus frequentemente tem pares femininos/masculinos de deidades associados com eles, personificando formas da Estrela da Manhã e do Anoitecer daqueles planetas. De fato, a Athtar canaanita, a forma masculina do nome do planeta Vênus, é a origem da forma feminina do nome. Portanto, o gênero de Astaroth numa ocasião particular pode ser determinada pela posição de Vênus em relação ao Sol. Como um entidade masculina, quando Vênus se ergue perante o Sol, e como uma entidade feminina quando Vênus se ergue por trás do Sol. Entretanto, já que os pares feminino-masculino não são um aspecto constante da identidade de Astarte, é igualmente provável que ambas as formas sejam femininas.
 Muitos magistas modernos (do renascimento ocidental especificamente) insistem que a identidade de Astaroth, o demônio, e Astarte, a deusa, não devessem ser colocados em prática. Seus argumentos são algumas vezes difíceis de compreender, e aparentemente consistem-se de tratar a forma exata dos grimórios como de alguma maneira sacrosanto: más traduções, omissões, erros e tudo o mais. Ao fazer isso, eles ainda reservam a identificação de deidades pagãs com demônios por antigos autores cristãos – dos quais o problema inteiro se origina – bem como a mesma identificação por estudantes profundos do oculto, e na mais ampla cultura e literatura. Por exemplo, Robert Turner, que no século 17 traduziu muitos dos grimórios em inglês, identificou claramente os 'diabos' com seus homônimos pagãos; não como aproximações, mas como um e o mesmo. Assim também fez Milton, em seu poema épico, Paradise Lost.
 A posição destes tradicionalistas modernos pode ser baseada em sua percepção das praticalidades – que o demônio é melhor tratado via os grimórios, e a deusa, por recurso, às formas pagãs religiosas. Entretanto, deusas com papéis e domínios ctônicos sobre o Submundo são frequentemente encontrados nos grimórios e nas fontes mais velhas que estão por baixo deles, tais como o Papiro Mágico. A distinção, portanto, embora talvez claras o suficiente para abordagens puristas aos grimórios específicos, certamente não se aplica quando abordando Astaroth como uma deidade ctônica ou do Submundo.
 Desnecessário dizer, tal abordagem também envolveria uma retirada do formato de grimório comum. Deve ser mantido em mente que a demonização gradual da religião ctônica esteve em processo de avanço, nas culturas grega, romana e semítica, entre outras. Consequentemente, uma regeneração neo-ctônica destas figuras em nossa época é inteiramente justificada, independente de seu papéis dentro da cultura demonizadora. Quaisquer intérpretes inteligentes e responsáveis dos grimórios deveriam ser capazes de ver que isto é exatamente o que está acontecendo aqui. A identificação de uma deidade demonizada com a original é portanto teoricamente e historicamente correta, conquanto que uma esstrutura ritual e cosmologia apropriadas sejam empregadas. Em outras palavras, se como resultado deidades antagonistas da teologia possam ser transformadas em demônios, pela força de uma perspectiva mais compátivel o processo possa ser revertido.
 O sincretismo brasileiro de deuses, espíritos e demônios da cultura ocidental com seus Exus e Pomba Giras, tem outro meio de resolver esta dificuldade aparente: Astaroth (o demônio masculino) é associado com Exu Rei das Sete Encruzilhadas; Astarte (a deidade feminina) é associada com Pomba Gira Rainha das Sete Encruzilhadas.
 Esta abordagem eminentemente prática e mágica ao problema tem muito a recomendá-la. É o que nós podemos esperar de uma tradição viva ao invés dos melhores esforços de um renascimento oculto divorciado de suas raízes. O magista individual deveria cautelosamente considerar estes aspectos e encontrar sua resposta através da esperiência prática. Ter em mente que não é necessariamente certo ou errado e nem as condições astrológicas em vigor na hora da operação que possam determinar qual das duas formas aparece. Isto é uma consideração mágica, e portanto digna de atenção séria. Em tempo, o magista se tornará ciente de que formas e preferências os espíritos demonstram no relacionamento que eles desenvolvem juntos, e é isso o que realmente importa.

Psy777
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Re: Astaroth - A Dama das Encruzilhadas

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