Paracelso

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Paracelso

Mensagem  Lightning em Seg Dez 30, 2013 10:07 am

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"Paracelso, sem dúvida alguma, era um grande biólogo e um médico
total, que entendeu muito do esoterismo. Era esotérico porque falou muito sobre o
interior do homem e também sobre a influência das estrelas sobre os seres humanos."


(Bernd A. Mertz – Escritor e Astrólogo)


Spectrum escreveu:
Na aldeia de Einsiedeln, Suíça, em 17 de dezembro de 1493 (ou em 10 de novembro do mesmo ano; há uma divergência histórica neste ponto), nasceu Phillipus Aureolus Theoperastus Bombastus von Hohenheim. Filho de Wilhelm Bombast, médico e alquimista; e neto de Georg Bombast von Hohenheim, Grão Mestre da Ordem dos Cavaleiros de São João, o jovem de baixa estatura, gago e corcunda, aos três anos de idade, foi atacado por um porco que lhe mutilou o genital, fato que somado a sua aparência física, proporcionou-lhe um complexo de inferioridade que seguiu por toda a vida.
Até mesmo seu extenso nome é alvo das discordâncias. Possivelmente, o nome Theoperastus é uma homenagem ao famoso pensador grego. Já o nome Phillipus (ou Phelix), por vontade própria e motivos desconhecidos, foi acrescentado ao longo da vida; e a alcunha, Aureolus, é uma alusão "divina", dada por seus admiradores ao longo dos anos.
Na infância, Theoperastus acompanhava seu pai viajando pelos povoados da terra natal, observando a manipulação das ervas usadas para curar enfermos daquela região. Dessa forma, passou a apreciar a atividade paterna. As primeiras noções sobre Teologia, Alquimia e Latim, foram transmitidas por seu pai. Ainda muito jovem, foi enviado à escola de Beneditinos do Mosteiro de Santo André. Lá, conheceu o notável alquimista, Eberhard Baumgartner.
Formou-se nos estudos tradicionais de sua época e seguiu o caminho profissional de seu pai, estudando medicina na cidade de Viena e concluindo em Ferrara. A partir deste momento, deu início as suas viagens, passando por Áustria, Egito, Hungria, Tartária, Arábia e Polônia.
Em Salzburg, Áustria, tentou estabelecer-se como médico, mas foi expulso da cidade porque simpatizou com agricultores rebeldes. Recebeu o título de cidadão em Strasburg e partiu para Basel. Após vários conflitos com colegas médicos e farmacêuticos e o próprio conselho de medicina da cidade, Theoperastus recebeu uma ordem de prisão em 1528, forçando sua fuga da cidade. Em Wurzburg, aprendeu com outros sábios a manipulação de produtos químicos, principalmente com Tritêmio, célebre abade e ocultista do Convento São Jorge.
Em 1536, publicou Die Grosse Wundartzney, (Cirurgia Maior), uma coleção de tratados médicos. Escreveu ainda trinta e dois artigos e ilustrações, com previsões de eventos até o ano 2106. Para que seus escritos tivessem uma penetração maior, redigiu todos em alemão, e não em latim, como era o costume.
Viajou pelo país como uma espécie de médico-cigano, e ficou conhecido como "o médico dos pobres" até voltar para Salzburgo em 1540, convidado pelo bispo da cidade. Faleceu em 24 de setembro de 1541 com apenas 47 anos. A causa de sua morte não foi esclarecida. Uma hipótese é que tenha sido vítima de feridas infeccionadas, ocasionadas quando, embriagado, sofreu uma queda numa taberna. O corpo foi velado na igreja de São Sebastião e, conforme seu último desejo, foram entoados os salmos bíblicos 1, 7 e 30.


Obras

Há diversos vácuos e incoerências na biografia deste personagem, também conhecido como Hohenheim. Estas poucas informações são os registros históricos mais confiáveis da vida de Paracelso, que teria adotado (ou recebido de seu pai) este apelido por ser "superior a Celso", famoso médico romano da Antigüidade.
Sua vida pautada pelas polêmicas e conturbações que sua personalidade pouco adequada àqueles tempos lhe infligia. Esta frase de sua autoria exemplifica: "Ponderei comigo mesmo que, se não existissem professores de Medicina neste mundo, como faria eu para aprender essa arte? Seria o caso de estudar no grande livro aberto da Natureza, escrito pelo dedo de Deus. Sou acusado e condenado por não ter entrado pela porta correta da Arte. Mas qual é a porta correta? Galeno, Avicena, Mesua, Rhazes ou a natureza honesta? Acredito ser esta última. Por esta porta eu entrei, pela luz da Natureza, e nenhuma lâmpada de boticário me iluminou no meu caminho".
Além da medicina, era versado em filosofia e política. Mas seus escritos estão relacionados principalmente com a sua profissão e chegam a mais de 8 mil páginas. Porém, apenas uma pequena parte é conhecida e estudada. A linguagem aplicada em sua obra é alegórica e passível de interpretação, um recurso utilizado para que não pudesse ser acusado de feitiçaria pelo implacável mecanismo inquisitório medieval. Conta-se que certa vez, Paracelso queimou em público diversos livros de Galeno e Avicena, dizendo: "Que toda esta miséria possa ir pelos ares como fumaça".


Médico e Místico

Até mesmo a forma de exercitar seu ofício era contestada. Acreditava ele, que a função de um médico ia além do diagnóstico e receituário convencional; era necessário um estudo do paciente e uma compreensão da doença em aspectos como a astrologia, alquimia, magia e outras variações esotéricas.
A medicina daquele tempo, baseada no pensamento do filósofo Hipócrates, acreditava que as doenças eram causadas por mau funcionamento dos fluídos do corpo humano: sangue, catarro, bílis preta e bílis amarela. Paracelso contestou e simplificou este conceito. Segundo ele, os seres materiais têm origem em quatro elementos: terra, água, ar e fogo; e três substâncias: enxofre, mercúrio e sal. Os primeiros são realidades materiais compreendidas dinamicamente. Enquanto os outros são modalidades de comportamento da natureza. Ou seja, o enxofre é combustível, o mercúrio é volátil e o sal é resistente ao fogo. Portanto, a saúde é o equilíbrio, e a doença é o desequilíbrio de todas as energias presentes no ser humano, tanto no corpo físico como espiritual.
De acordo com Paracelso, a cura apóia-se em quatro bases distintas: filosofia, astronomia, alquimia e virtus. A filosofia significa: abrir-se ao conjunto das forças naturais, observar essas forças invisíveis na penetração da realidade total e perceber o invisível no visível. A astronomia explica as influências dos astros na saúde e nas enfermidades. A alquimia torna-se útil no preparo dos medicamentos. O termo virtus é uma alusão a honestidade do médico que, através do raciocínio de Paracelso, é uma pessoa em constante evolução e aperfeiçoamento, e deve reconhecer a ação da natureza invisível no doente ou, em se tratando do remédio, como atua no plano visível. Assim, o conhecimento médico tem menos a ver com conhecimento intelectual do que com a intuição.
Paracelso fazia freqüentes associações entre Magia e Imaginação. "O visível esconde o invisível, mas apesar disso conseguimos o invisível apenas através do visível", dizia. Nesse caso, magia significa a ação direta sobre as pessoas e todos os seres, sem ajuda da matéria. Ou seja, o mago é capaz de causar efeitos físicos sem ajuda física. No livro Paracelso - Alquimista, Químico, Pioneiro da Medicina, o historiador e filósofo Lucien Braun, cita: "toda natureza invisível se movimenta através da imaginação. Se a imaginação fosse forte o suficiente, nada seria impossível, porque ela é a origem de toda magia, de toda ação através da qual o invisível (de um ou outro modo) deixa seu rastro no visível. A energia da verdadeira imaginação pode transformar nossos corpos, e até influenciar no paraíso...".
Além disso, o médico suíço reconheceu que a fé fortalece a imaginação. Isso inclui as curas milagrosas atribuídas a ele e que não foram apenas resultado dos medicamentos, mas serviram para influenciar conscientemente a ação da imaginação do próprio paciente, de modo que agisse diretamente no desejo de ser curado. Atualmente, há na medicina, o chamado placebo, uma substância sem qualquer efeito farmacológico, prescrita para levar o doente a experimentar alívio dos sintomas pelo simples fato de acreditar nas propriedades terapêuticas do produto. De certa forma, pode-se entender que Paracelso já fazia uso deste recurso há mais de 500 anos. Outro fator interessante de seu raciocínio, é que ele também associava as características exteriores de uma planta a sua função medicinal. Por exemplo, folhas em forma de coração foram recomendadas para doenças cardíacas.


Seu Legado

Personagens como Van Helmont e Friedrich Franz Mesmer deram continuidade aos trabalhos de Paracelso. O pensamento e a atitude do sábio suíço influenciaram não apenas as ciências e o ocultismo de sua época, mas até hoje são lembrados e utilizados como base de estudos modernos. Até mesmo durante uma epidemia de cólera, em 1830, seu túmulo foi objeto de peregrinação.
Sabe-se que Paracelso nasceu no ano de 1493, o dia e o mês ainda são discutíveis. Mas isso não é tão importante, porque foi um homem além de seu tempo, além das datas e do pensamento. Seu legado de obras escritas e ensinamentos compõem o que atualmente é chamado de Medicina Experimental. Formulou os primeiros conceitos da homeopatia, farmacologia, medicina psicossomá- tica, psicologia e bioenergética. Um médico esotérico que, como todos os outros "não esotéricos", tinha apenas um objetivo: prolongar a existência humana na Terra.


Última edição por Lightning em Seg Dez 30, 2013 10:13 am, editado 4 vez(es)
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Medicina e Alquimia

Mensagem  Lightning em Seg Dez 30, 2013 10:09 am

Paracelso fundamentou sua medicina sob 4 pilares: a Filosofia, a Astrologia, a Alquimia, à qual ele deu o nome de Espagírica, e a virtude. Paracelso aprendeu a Medicina com seu pai que também era médico; estudou profundamente a cabala hebraica e aprofundou seus conhecimentos de química, trabalhando alguns anos numa mina. Como cirurgião militar, participou das guerras na Itália e nos países baixos.

Na sua atividade médica foi logo ficando famoso por realizar curas extraordinárias, como por exemplo, salvou a perna de Frobenius da amputação pelos médicos que tratavam dele e que já tinham decidido a retirada do órgão.

Pelo fato de Paracelso viver apenas 48 anos, a maior parte de seus livros foram publicados após sua morte. A divulgação dos livros determinou o aparecimento de muitos seguidores de sua arte médica, que se autodenominaram Paracelsianos e, assim, deram continuidade à Medicina Espagírica.

Como bom alquimista, Paracelso escrevia seus livros com o propósito de confundir aqueles que não estavam já iniciados com a terminologia de sua arte médica. Isto chegou a tal ponto que houve necessidade de publicar dois dicionários para esclarecer os significados dos termos usados por Paracelso.

Paracelso considerava que o homem é um pequeno mundo e tem seu céu, sua água, seu ar e sua terra, e é o equilíbrio entre esses elementos que formam o homem que determina a saúde e, por conseguinte, o desequilíbrio leva à doença. Esse mundo humano microcósmico está em relação com o macrocosmos, e essa relação entre o micro e o macrocosmos é sustentada por uma ënergia à qual ele dá o nome enigmático de "m". Essa letra "m", em hebraico "mem", deve ter sido utilizada por Paracelso por ser a letra inicial de Mercúrio e Magnéticos.

Esse mercúrio, princípio energia universal, se aprisionado pelo alquimista lhe permitiria ser o dono da transmutação. Esse "mem" encerra um grande segredo. Segundo Paracelso: "sabeis que existe ainda uma grande coisa que sustenta o corpo e o conserva em vida. Por "mem" vive o firmamento. Sem ele o firmamento pereceria. Chamamos "m" porque nada no universo foi constituído acima desta coisa. Nada é mais digno da compreensão humana que esse princípio "mem". Este "m" conserva todas as criaturas. Na Terra, todos os seres vivem nessa coisa e dela."

PARACELSO. Oeuvres médico-chimiques ou paradoxes. Liber Paramirum I-II. Italie. Sebastiani. 1975
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Re: Paracelso

Mensagem  J13K$#N em Ter Abr 08, 2014 9:58 pm

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O tridende de Paracelso 
 

As combinações triangulares uniam-se, nas cerimônias mágicas, às repetições dos nomes por três vezes, e com entonações diferentes.
A baqueta mágica era, muitas vezes, remontada por uma forquilha imantada, que Paracelso substituía por um tridente, cuja figura damos abaixo.
(*) São João, autor do Apocalipse (Nota do Revisor)
O tridente de Paracelso é um pantáculo que exprime o resumo do ternário na unidade, que completa, assim, o quaternário sagrado. Ele atribuía a esta figura todas as virtudes que os cabalistas hebreus atribuem ao nome de Jeová, e as propriedades taumatúrgicas do Abracadabra dos hierofantes de Alexandria. Reconheçamos, aqui, que é um pantáculo e, por conseguinte, um signo concreto e absoluto de uma doutrina inteira que foi a de um círculo magnético imenso, tanto para os filósofos antigos como para os adeptos da Idade Média. Dando-lhes, moderadamente, o seu valor primitivo pela inteligência dos seus mistérios, não poderíamos restituir-lhe toda a sua virtude milagrosa e todo o seu poder contra as doenças humanas?
As antigas feiticeiras, quando passavam, à noite, por uma encruzilhada de três caminhos, uivavam três vezes, em honra à tríplice Hécate.
Todas estas figuras, todos estes atos análogos às figuras, todas estas disposições de números e caracteres nada mais são, como já dissemos, senão instrumentos de educação para a vontade, cujos hábitos fixam e determinam. Servem também para reunir conjuntamente, na ação, todas as forças da alma humana, e para aumentar a força criadora da imaginação. È a ginástica do pensamento que se exercita na realização: por isso, o efeito destas práticas é infalível como a natureza, quando são feitas com uma confiança absoluta e uma perseverança inabalável.
Com a fé, dizia o grande Mestre, transportar-se-iam árvores ao mar e se deslocariam montanhas. Uma prática, mesmo insensata, mesmo supersticiosa, é eficaz, porque é uma realização da vontade. É por isso que uma oração é mais poderosa, se formos fazê-la na igreja, do que se a fizéssemos em nossa casa, e que ela alcançará milagres se, para fazê-la num santuário milagroso, isto é, magnetizado em grande corrente pela afluência dos visitantes, fizermos cem ou duzentas léguas, pedindo esmolas com os pés descalços.
Riem-se da mulher pobre que se priva de alguns centavos de leite, de manhã, e que vai levar os triângulos mágicos das capelas uma pequena vela, que deixa acesa. São os ignorantes que riem, e a mulher pobre não paga muito caro o que compra, assim, de resignação e coragem. Os abastados mostram bastante altivez para passar levantando os ombros; eles se insurgem contra as superstições com um barulho que faz estremecer o mundo; e que resulta disso? As casas dos abastados se desmoronam, e os restos delas são vendidos aos fornecedores e compradores de quinquilharias, que deixam gritar de boa vontade, em toda parte, que o seu reino acabou para sempre, contanto que governem sempre.
As grandes religiões só tiveram a temer uma rival séria, e esta rival é a magia.
A magia produziu as associações ocultas, que trouxeram a revolução chamada Renascença; mas aconteceu ao espírito humano, cego pelos loucos amores, realizar em todos os pontos a história alegórica do Hércules hebreu (Sansão): desmoronando as colunas do tempo, sepultou-se a si mesmo debaixo das ruínas.
As sociedades maçônicas não conhecem, agora, a alta razão dos seus símbolos mais do que os rabinos compreendem o Sepher Yetzirah e o Zohar na escala ascendente dos três graus, com a progressão transversal da direita para a esquerda e da esquerda para a direita do setenário cabalístico.
O compasso do G.·.A.·.e o esquadro de Salomão vieram a ser o nível grosseiro e material do jacobismo ininteligente, representado por um triângulo de aço: eis para o céu e para a terra.
Os adeptos profanadores, aos quais o iluminado Cazotte tinha predito uma sangrenta morte, ultrapassaram, atualmente, o pecado de Adão: depois de ter colhido temerariamente os frutos da árvore da ciência, de que não souberam alimentar-se, lançaram-nos aos animais e répteis da terra. Por isso, o reino da superstição começou e deve durar até o tempo em que a verdadeira religião se reconstituir nas bases eternas da hierarquia de três graus e do tríplice poder que o ternário exerce fatal ou providencialmente nos três mundos.
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Re: Paracelso

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