Ensaio sobre Ciência Sagrada e Profana

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Ensaio sobre Ciência Sagrada e Profana

Mensagem  deletado em Dom Nov 18, 2012 7:18 am

As Ciências Sagradas e Profanas na sociedade contemporânea
Por Shamash Lykaion

Este é um ensaio que tem como objetivo expor as diferenças, bem como a natureza das ciências sagradas e profanas, sob os conceitos e necessidades da sociedade do nosso tempo.

Devemos começar analisando a origem das ciências mais famosas que vemos não somente na sociedade em si, mas desde novos, na escola, até as áreas acadêmicas as quais se expande.

Nossa sociedade possui o hábito de separar e catalogar tudo aquilo que é conhecido (e muitas vezes também o fazem com o desconhecido), separando em grupos e subgrupos intermináveis, com nomenclaturas infinitas que nada mais fazem do que teorias e mais teorias cheias de falhas cobre algo improvável e, certamente, as discussões ditas como intelectuais são um prato cheio para aqueles que vivem no plano da teoria, como se fosse um tipo de arma que lhe desse algum status, mesmo que não compreenda nada na prática.
Dado essa pequena ideia, observemos que as ciências as quais conhecemos atualmente são apenas resquícios de algo muito maior e mais complexo do que chamamos atualmente de “científico”. As ciências para os antigos não era, de forma alguma, separada do Divino e espiritual, aliás, faziam parte da mesma realidade.
A linha que separava as tradições e cultos era muito mais tênue do que se possa imaginar e muito mais era importado, incorporado e identificado do que se possa imaginar numa sociedade como a nossa, que cataloga tudo e todos.
A matemática, algo que hoje em dia serve para muitos ateus, assim como outras matérias científicas, era algo extremamente ligado ao sagrado, ao divino e, explicava tanto o mundano quanto o sagrado, pois nada disso era separado. Na matemática Sagrada, os números e as formas explicavam o universo, a simetria da criação, o sentido dos números e das palavras. Muito sábios eram os matemáticos e os que usufruíam dessa arte antiga, tanto junto da filosofia quanto da magia.
Filósofos gregos usavam a matemática sagrada, assim como muitos que praticavam certos tipos de magia, seja na Gematria Judaica ou na magia que usava formas geométricas e sistemas de medidas.
A matemática que encontramos hoje em dia nas escolas e nas especializações posteriores, nada mais são do que chamamos de “Profano”, pois todo o sentido que abrange essa ciência nos nossos dias, nada mais é do que algo palpável num sentido simplório e vazio. A Matemática deixou de ser uma ciência sagrada, que englobava o Todo, a magia, os Deuses, e passou a ser uma ciência usada apenas para números e espaços, reduzindo toda a capacidade Divina de tal ciência a questões puramente humanas, mundanas e racionais, como construções, planejamentos sociais, estatísticas, economia, etc...
Com os valores subvertidos e esquecidos, consequentemente a Matemática não foi, nem de longe, a única ciência desmembrada para que se encaixasse no pensamento “racional” e “lógico” da pensamento de nossa sociedade aleijada.

A Química teve seu início na Alquimia, ciência complexa e sagrada que engloba tanto o espiritual quanto o físico. Aliás, a alquimia mostra que não há diferenças e que um influencia o outro, pois ambos existem numa mesma realidade. A arte da transformação não era de fato apenas transformar propriedades físicas, e sim, algo que se estendia ao espírito e procurava efeitos em esferas mais abrangentes em todo o universo.
Alquimistas eram sábios que compreendiam que nós também fazemos parte de todo o processo, assim como Entidades e Divindades, pois todos estão ligados uns aos outros. As explicações, experiências e práticas Alquímicas, assim como as outras ciências sagradas, demandavam muito estudo e prática e, principalmente, compreensão num âmbito em que não se separava “Divino” de “Humano”, nem de “espiritual” e “físico”, pois tudo estava interligado.
A Química a qual conhecemos se ocupa de mudanças e explicações reduzidas meramente a assuntos mundanos e transformações que se limitem ao físico, pois ela fora separada bruscamente de tudo aquilo que não se encaixava num plano humano, racional, físico; como se o físico fosse separado do espiritual.

A Astrologia era uma ciência completa, estudada pelos Persas e foi tão importante, que o termo usado atualmente para Mago (e seus derivados) vieram em boa parte dos Sábios Persas que possuíam conhecimentos notáveis em Astrologia, chamados de ‘Magis’.
A Astrologia era praticada pelo alto escalão de vários países e até mesmo foi mantido seus estudos na época da inquisição entre o próprio clero da igreja e inúmeros sábios da época, mesmo que a Igreja visse a tudo com maus olhos, muitas vezes se tinha tolerância com certas práticas dependendo da região.
A Astrologia engloba a influência dos Planetas não somente na nossa vida, mas em todo o reino material e espiritual como um todo, vistos como Deuses e posteriormente como Anjos e, junto á essa prática, era comum haver orações, magia cerimonial, encantamentos, banhos e feitiços de todos os tipos, bem como cura de doenças e até mesmo malefícios.
A Astrologia ligava seus estudos desde o Divino ao humano, do espiritual ao físico, pois bem mais do que um conjunto de crenças, era uma ciência que usava de inúmeros cálculos e observações, tanto que já conheciam Planetas, estrelas, constelações, seus movimentos celestes e inúmeros fatos que até hoje é usado na Astronomia.
A Astronomia é o que restou da Ciência sagrada de outras eras, mais uma vez separada de todo o seu sentido amplo e abordagem universal para ser aplicada numa dimensão completamente limitada e escassa: racionalização humana. Atualmente, essa arte profana, embora seja fascinante num sentido de descoberta e viagem através do espaço, nada mais é do que uma ferramenta para olhar para o céu, sem possuir e nem permitir agregações de valores: é puramente uma forma de olhar e de fazer teorias sobre aquilo que não se pode analisar mais do que a própria visão. Acabou se tornando uma ciência profana cujo objetivo é apenas olhar á nossa volta esquecendo o sentido e a influência que tudo tem não somente á nossa volta como também em nosso interior. A Astrologia moderna também muda o âmbito e tenta, sem sucesso, traçar um paralelo entre o que conhecemos como “razão” e “científico”, fazendo uma arte defeituosa que visa mais uma aceitação geral que tente englobar conceitos e associações novas que no final são obsoletos, bem como interpretações mais abrangentes e subjetivas do que sua antecessora e, mais do que isso, de ciência, passou a ser algum tipo de ‘prática’. Mas não vou entrar no mérito do Tradicional e Moderno, ao menos não por enquanto.
A física, assim como a matemática, era algo que englobava tudo no universo, pois as tais leis da física não eram limitadas ao que podemos “provar” sob o ponto de vista do que chamamos de “verdade” nos nossos dias. A natureza sempre possui muita importância e influência não só nos seres humanos, mas também em todos os seres vivos, incluindo o reino vegetal e mineral. Não somente isso, a física também englobava o espírito e o Divino, pois tudo está interligado, ou ao menos estava, pois hoje em dia, com tudo sendo separado e classificado em inúmeras subdivisões, tiramos o sentido completo da essência cujo resultado se fazia a partir de um inteiro, não em seus fragmentos.
O “Estuda da Natureza” englobava o que hoje chamamos de “Metafísica” e a física em si era apenas um derivado dessa ciência sagrada, uma parte desse todo e, hoje em dia, a metafísica é uma ciência quase esquecida e subjugada, nem mesmo sendo considerada, de fato, uma ciência.

O conhecimento das ervas tanto para a cura quanto para adoecer, antes era um conhecimento sagrado, que estudava não somente os efeitos físicos, mas também o espiritual. Muitas doenças e males eram curados com rituais e encantamentos dos Sacerdotes, Xamãs e Bruxas, todos sábios conhecedores das artes sagradas das ervas, raízes e inúmeros elementos da natureza para causar efeitos tanto sob uma pessoa quanto em animais, locais e plantas.
As plantas possuíam ligações com Entidades, Deuses, famílias e espíritos e muitas eram as áreas e conhecimentos dos povos antigos.
Atualmente, os remédios são úteis á população, mas com muita limitação, pois eles tratam apenas do que pode ser provado que exista, mesmo que vá contra o que o enfermo descreve sentir. Preocupam-se apenas com o corpo sem nem mesmo levar em consideração a mente e o espírito do paciente. Os remédios não possuem mais ligação com a natureza, apenas com um laboratório.
Essa arte sagrada, que antes era ligada á Alquimia (mesmo que num âmbito mais pragmático do que científico) era até mesmo um ofício, resumida hoje em fármacos que embora curem certas doenças, possuem inúmeros efeitos colaterais.

O conhecimento da língua era algo levado em consideração pelos antigos, mesmo que não fosse resultado de uma matéria específica, seu conhecimento sempre fora importante para os sábios de inúmeras áreas, pois como era de conhecimento geral: palavras possuíam poder. Sendo que muitos idiomas e epítetos eram usados em Rituais tanto festivos quanto reservado e isso se estendia aos grandes das épocas até aos bruxos marginais
A palavra guarda o poder, a herança de uma magia antiga. Na própria Grécia havia feitiços que usavam os próprios Deuses mesclados com os de outros povos, palavras em idiomas diferentes numa tentativa de aproximar do efeito desejado. Títulos eram dados aos Deuses, aos Heróis e, acreditava-se que essas palavras continham suas forças e feitos e, consequentemente, o seu uso poderia atrair efeitos desejados ou parte daquelas qualidades para si.
As palavras eram sagradas.
A área da linguística se tornou profana pelos mesmos motivos das demais artes, que se limitaram a serem “práticas” e simplistas ao invés de abrirem os horizontes para o mundo e o universo em sua totalidade. Mas as artes profanas se encarregam apenas com o uso prático e mundano de suas características físicas e palpáveis.

Existem ainda pessoas ao redor do mundo que preservam o que podem das artes sagradas e tradicionais, usando de práticas e conhecimentos como a Gematria e a Geometria sagrada, a Arte da transformação Alquímica, A influencia da Astrologia Tradicional, a metafísica com seus fenômenos, o segredo das ervas em todo a sua larga área de atuação de poder e o conhecimento das Palavras Sagradas e suas chaves. Mas o mundo em si, cada vez mais caminha na direção do vazio em nome de um progresso inexistente, esquecendo os valores de tudo á nossa volta em nome de valores substituíveis e questionáveis que são fabricados de uma forma caricata nos jornais e novelas que formam o pensamento da massa comum.



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Como o nome já diz, é um Ensaio,

Mensagem  deletado em Dom Nov 18, 2012 7:21 am

Escrevi agora ha pouco pela manhã.
Achei bom escrever algo sobre isso, pois além de ser de meu conhecimento, acredito que a maioria deva compartilhar a maior parte em suas crenças pessoais comigo no que diz respeito ao texto em si e, mesmo que alguns possam vir a não concordar, ao menos é um bom ponto para uma boa leitura sobre um assunto bem interessante.

Espero que seja do agrado.
Abs

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Re: Ensaio sobre Ciência Sagrada e Profana

Mensagem  Burguulkodar em Sex Dez 07, 2012 9:19 am

Shamash Lykaion escreveu:Nossa sociedade possui o hábito de separar e catalogar tudo aquilo que é conhecido (e muitas vezes também o fazem com o desconhecido), separando em grupos e subgrupos intermináveis, com nomenclaturas infinitas que nada mais fazem do que teorias e mais teorias cheias de falhas cobre algo improvável e, certamente, as discussões ditas como intelectuais são um prato cheio para aqueles que vivem no plano da teoria, como se fosse um tipo de arma que lhe desse algum status, mesmo que não compreenda nada na prática.

No ocultismo também há essa tendência de catalogar e classificar tudo, não só na ciência "profana". Essa tendência um fruto natural da cada vez maior busca do conhecimento pelo ser humano. O conhecimento tem que ser inteligível para ser repassado - e simplificado para ser entendido. Dessa forma, a classificação e as nomenclaturas são indispensáveis para se organizar qualquer idéia. O que não quer dizer que não devamos "desestruturar" em nosso microcosmo essa ordem e organização e assimilar os conceitos na forma de entendimento, que é algo pessoal e não exatamente racional ou lógico. É mais ou menos como se os conhecimentos organizados, classificados e racionais fossem a "comida", que é uma forma ordeira de se repassar substâncias (idéias). Essa comida, quando ingerida por nós, deve ser compreendida, ou seja, digerida em suas partes essenciais, quer sejam aminoácidos, sais minerais, vitaminas, etc.

Shamash Lykaion escreveu:Dado essa pequena ideia, observemos que as ciências as quais conhecemos atualmente são apenas resquícios de algo muito maior e mais complexo do que chamamos atualmente de “científico”. As ciências para os antigos não era, de forma alguma, separada do Divino e espiritual, aliás, faziam parte da mesma realidade.

Assim como o Estado e a Igreja não eram parte de diferentes realidades, mas um em si. Até hoje muçulmanos utilizam esse mesmo argumento para defender que um estado deve ser necessariamente religioso. Separar é uma coisa "profana" e bárbara, típica de países ocidentais.

...ou seja, não concordo. Antigamente a ciência e a religião eram interconectadas porque não havia outra forma de se conhecer o mundo - tudo passava pelo crivo da religião, e não porque essa é a forma "sagrada" ou mais correta de se entender o mundo.

Shamash Lykaion escreveu:A linha que separava as tradições e cultos era muito mais tênue do que se possa imaginar e muito mais era importado, incorporado e identificado do que se possa imaginar numa sociedade como a nossa, que cataloga tudo e todos.

E muito mais era destruído e perdido com esse sincretismo constante.

Shamash Lykaion escreveu:A matemática, algo que hoje em dia serve para muitos ateus, assim como outras matérias científicas, era algo extremamente ligado ao sagrado, ao divino e, explicava tanto o mundano quanto o sagrado, pois nada disso era separado. Na matemática Sagrada, os números e as formas explicavam o universo, a simetria da criação, o sentido dos números e das palavras. Muito sábios eram os matemáticos e os que usufruíam dessa arte antiga, tanto junto da filosofia quanto da magia.

Filósofos gregos usavam a matemática sagrada, assim como muitos que praticavam certos tipos de magia, seja na Gematria Judaica ou na magia que usava formas geométricas e sistemas de medidas.

A matemática que encontramos hoje em dia nas escolas e nas especializações posteriores, nada mais são do que chamamos de “Profano”, pois todo o sentido que abrange essa ciência nos nossos dias, nada mais é do que algo palpável num sentido simplório e vazio. A Matemática deixou de ser uma ciência sagrada, que englobava o Todo, a magia, os Deuses, e passou a ser uma ciência usada apenas para números e espaços, reduzindo toda a capacidade Divina de tal ciência a questões puramente humanas, mundanas e racionais, como construções, planejamentos sociais, estatísticas, economia, etc...
Com os valores subvertidos e esquecidos, consequentemente a Matemática não foi, nem de longe, a única ciência desmembrada para que se encaixasse no pensamento “racional” e “lógico” da pensamento de nossa sociedade aleijada.

Toda ciência tinha que ser "sagrada", do contrário era perseguida e destruída. Portanto, antigamente os pesquisadores eram forçados a inserir motivações religiões e divinas às suas descobertas, por medo da igreja (ou da religião local) ocultá-las ou destruí-las. Vê-se bastante dessa "imposição" quando descobertas que desagradavam à religião vigente eram divulgadas, como com Galileu, Newton e Darwin (que teve que argumentar ferozmente que achava que suas descobertas não contrariavam os fundamentos da Igreja nem de Deus).

Para aqueles que ainda querem ver, a matemática e a física possuem diversas maravilhas a serem compreendidas pelo Ser Humano. Muitos físicos sentem um prazer análogo ao "espiritual" ao tentar compreender os fundamentos da matéria, os buracos negros ou o mecanismo de rotação das galáxias. Temos ainda a matéria escura e a energia escura, que dão muito pano de manga a teóricos físicos atuais - e dão alimento à nossa imaginação criativa. Esses físicos teóricos seriam o equivalente exato dos antigos "mestres matemáticos", com a única diferença que não são obrigados a acreditar em mitos ou justificar seu entendimento do universo na linguagem cifrada dos manuscritos, mas sim através de fórmulas matemáticas que podem ser entendidas universalmente. A matemática não é um fim em si mesmo - ela é uma "língua" democrática e abrangente, utilizada por todos aqueles que buscam um entendimento maior do cosmos e da vida como ela realmente é (sem ilusões de deuses ou o envolvimento de lendas). Enfim, a física e a matemática ainda são lindas para aqueles que se aventuram a entendê-la a fundo.

E, da mesma forma que o argumento desse texto, podemos dizer que a "astronomia deixou de ser uma ciência sagrada, que colocava a terra plana no centro do universo", para uma ciência profana que mostra a Terra como uma bola redonda e feia flutuando no nada e longe do centro até mesmo da nossa galáxia, quanto mais do Universo. Ou seja, é uma tentativa de rebaixar um avanço do conhecimento científico natural e verdadeiro.

Como citei em outro tópico, o Ser Humano reluta em deixar que sua imaginação seja contradita pelos fatos. Não aceita que o mundo "seja como é". Para o Ser Humano, o mundo e o universo tem que se encaixar em sua imaginação, tem que fazer sentido como um todo, os astros mais distantes, o sol, a lua, tudo tem que ter um propósito imaginário que se direciona e enleva o próprio Homem.... desse enorme egoísmo e vaidade humanas nasce essa dificuldade em aceitar a realidade. O Homem tem que se sentir "especial" de alguma forma. O triste é que geralmente ele cai nessa armadilha de sua própria mente e fica preso por esse impulso vaidoso até o fim de seus dias....

Shamash Lykaion escreveu: A Química teve seu início na Alquimia, ciência complexa e sagrada que engloba tanto o espiritual quanto o físico. Aliás, a alquimia mostra que não há diferenças e que um influencia o outro, pois ambos existem numa mesma realidade. A arte da transformação não era de fato apenas transformar propriedades físicas, e sim, algo que se estendia ao espírito e procurava efeitos em esferas mais abrangentes em todo o universo.
Alquimistas eram sábios que compreendiam que nós também fazemos parte de todo o processo, assim como Entidades e Divindades, pois todos estão ligados uns aos outros. As explicações, experiências e práticas Alquímicas, assim como as outras ciências sagradas, demandavam muito estudo e prática e, principalmente, compreensão num âmbito em que não se separava “Divino” de “Humano”, nem de “espiritual” e “físico”, pois tudo estava interligado.
A Química a qual conhecemos se ocupa de mudanças e explicações reduzidas meramente a assuntos mundanos e transformações que se limitem ao físico, pois ela fora separada bruscamente de tudo aquilo que não se encaixava num plano humano, racional, físico; como se o físico fosse separado do espiritual.

A Alquimia foi um processo em que os primeiros pesquisadores de como as substâncias interagiam se aventuravam. Como tudo na época medieval, deveria haver uma explicação espiritual para os processos - de outra forma seria totalmente proibida e perseguida, além de simplesmente ser impensável, na época (assim como era impensável que a Terra não fosse o centro do universo) não haver a mão direta de Deus nas transformações dos elementos - o que para muitos era praticamente "magia".

Com o tempo e uma vasta quantidade de experiências, foram naturalmente se desmentindo mitos como a idéia de se criar ouro a partir de chumbo e outras idéias propostas frequentemente por charlatões da época como modo de ganhar respaldo e/ou incentivo dos Lordes Feudais da época, que se gabavam de ter alquimistas trabalhando para eles. Isso fornecia certo "status" ao Lorde - bem como frequentes estimativas para cima de sua renda, que poderia estar sendo acrescida de ouro. Para o alquimista, todo esse segredo era bom, pois o tornava respeitado e procurado, e a proteção desses senhores diminuía a perseguição da Igreja e os permitiam se aventurar em conclusões não exatamente apoiadas pelo Clero.

Dessa forma, pouco a pouco foram se estabelendo os diversos elementos-base, suas propriedades e muitas de suas reações. A química "espiritual" foi apenas uma forma romantizada (e o ser humano adora romantizar tudo) de se encarar algo até então pouco conhecido - as relações dos elementos na natureza. Essa mistificação do desconhecido é algo bem comum e recorrente na história humana, tendo inúmeros exemplos. A idéia da presença de serpentes e dragões marinhos nos mares pouco navegados, da "queda pelo fim do mundo" nas bordas do planeta, a idéia de que bruxas eram velhas com casas sujas que faziam oferendas de crianças ao diabo e realizavam círculos orgíacos de prazer...


Todas as outras áreas do texto (astrologia/astronomia) - (línguas) - (física/metafísica) - (herbologia/medicina) são também explicáveis pelos mesmos princípios explicados para as idéias acima. Ou seja, antigamente essas ciências não eram mais "sagradas" ou "corretas". O que havia era basicamente duas coisas:

1. Eram áreas de conhecimento especializado, desconhecidas da maior parte da população e por isso uma "aura de oculto, de magia" era construída em tornos desses "sábios" (que na verdade sabiam muito, muito menos que qualquer graduado em faculdades atuais sabe).

2. O ambiente da época incentivava a explicação de qualquer fenômeno como sendo consequência direta da influência de deuses ou de espíritos no Reino Humano (o que sabemos que não acontece). Por exemplo, vários desses chamados "sábios" diriam na época que larvas, insetos e outros seres nojentos surgiam a partir da comida estragada (e de outras coisas estragadas). Ou seja, "o plano espiritual" criava esses seres a partir dessa matéria. Essa idéia, fundada por Aristóteles (cujas teorias eram basicamente aceitas pela Igreja e pelos "sábios" sem contestações) é um exemplo de como a idéia de forças espirituais supra-materiais influenciava o pensamento de todos os "sábios" da época. Era comum e aceita a idéia de que a vida surgia a partir de partes inanimadas do mundo, como rochas, algas marinhas, lodo e animais em decomposição. Afinal, é importante lembrar que eles acreditavam que o Homem veio do Pó e a Mulher veio da costela do homem. Portanto, não parecia nada estranho supor que os seres surgissem do nada a partir de coisas sem vida.

Hoje até uma criança entende que uma maçã podre não "cria" larvas ou moscas, mas sim que elas são atraídas pelo cheiro. Utilizando o mesmo exemplo, a presença de bactérias (invisíveis) era totalmente inaceitável para os grandes "sábios" e "mestres" da época. Para eles, a podridão dos alimentos era uma influência direta do espiritual na matéria. Foi só com Pasteur (1859!!!) que realizou experiências simples, é que ficou derrubada a idéia da Geração Espontânea, ou geração abiogênica....

É importante entender a mentalidade das pessoas da época, porque elas influenciam totalmente os trabalhos "científicos". O fato de que tudo antigamente era relacionado ao espírito e ao sagrado não é porque antigamente era melhor "entendida a relação íntima entre a matéria e o espírito" - mas sim por uma pura e completa ignorância por parte dos sábios da época em relação ao mundo real, e que viviam em um ambiente que infestava sua cabeça de crenças que hoje em dia nos parecem totalmente absurdas. O método científico foi uma das maiores revoluções que existiram para o aumento do conhecimento humano - porque enquanto antigamente todas as "verdades" eram simplesmente opiniões que não precisavam de nenhuma comprovação física, para o método científico somente aquilo que podia ser repetido e testado seria aceito como uma verdade.

A questão, pessoal, é que idealizamos o passado. Mas nosso passado foi, na verdade, negro, repleto de superstição, misticismo e ignorância profunda... mas para muitas pessoas é difícil aceitar que viemos de tão baixo, que o passado era tão feio e inculto, e então endeusamos nossos antepassados, retocamos a história para nos sentirmos mais seguros e felizes conosco mesmos...

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Re: Ensaio sobre Ciência Sagrada e Profana

Mensagem  deletado em Sex Dez 07, 2012 12:28 pm

No ocultismo também há essa tendência de catalogar e classificar tudo, não só na ciência "profana". Essa tendência um fruto natural da cada vez maior busca do conhecimento pelo ser humano. O conhecimento tem que ser inteligível para ser repassado - e simplificado para ser entendido. Dessa forma, a classificação e as nomenclaturas são indispensáveis para se organizar qualquer idéia. O que não quer dizer que não devamos "desestruturar" em nosso microcosmo essa ordem e organização e assimilar os conceitos na forma de entendimento, que é algo pessoal e não exatamente racional ou lógico. É mais ou menos como se os conhecimentos organizados, classificados e racionais fossem a "comida", que é uma forma ordeira de se repassar substâncias (idéias). Essa comida, quando ingerida por nós, deve ser compreendida, ou seja, digerida em suas partes essenciais, quer sejam aminoácidos, sais minerais, vitaminas, etc.

No ocultismo que conhecemos, e é bom frisar esse tipo de coisa, isso se torna cada vez mais comum, Principalmente em parecer cada vez mais "científico" no sentido moderno da palavra.
Não concordo que o conhecimento deva ser "inteligivel" ou "simplificado". Acredito firmemente que isso tire a essência da coisa e que não ajuda na compreensão daquilo, pois a partir do momento em que vc divide tudo em "pedaços", vc vai entender "pedaços" e não o que se é na totalidade. Vira algo diferente, vira apenas um fragmento. Aí a pessoa entende os pedaços e quando junta tudo de novo a pessoa não entende aquilo num sentido original, mas uma junção de pedaços. A essência, que é algo que a ciência moderna descarta é perdida em nome dessa tal simplificação que serve ara orientar pessoas idiotas e, mesmo que aprendam sobre os pedaços, continuarão a não entender o inteiro.

Entendo o conceito de separar para simplificar, mas não concordo com a idéia para todas as coisas.
O problemas de se criar regras para isso é que as pessoas acham que deva se aplicar a tudo e a todos e esquecem que regras são apenas guias e não leis incontestáveis.

Assim como o Estado e a Igreja não eram parte de diferentes realidades, mas um em si. Até hoje muçulmanos utilizam esse mesmo argumento para defender que um estado deve ser necessariamente religioso. Separar é uma coisa "profana" e bárbara, típica de países ocidentais.

...ou seja, não concordo. Antigamente a ciência e a religião eram interconectadas porque não havia outra forma de se conhecer o mundo - tudo passava pelo crivo da religião, e não porque essa é a forma "sagrada" ou mais correta de se entender o mundo.

A ciência faz uma corrida para "desmistificar" as religiões e crenças. Bem, não gosto de religiões e nem possuo uma. Pois a religião em si é uma instituição, com dogmas e verdades próprias, sem dizer na política.

A igreja continua sendo parte da sociedade, mesmo que num nível diferente na nossa era. Assim como a política também o faz, assim como a ciência, a lógica mutante, os valores mascarados, a ética deturpada e a moral hipócrita de nossa sociedade.
Nada disso é separado e nunca o foi pelos simples motivos de que vc não pode viver de formas separadas. O mundo é o mundo e querer separar tudo é o mesmo que pensar que é possível viver ou pensar separadamente de tudo.


E muito mais era destruído e perdido com esse sincretismo constante.

na verdade, muito se ganhou com o sincretismo. Aliás, o sincretismo ajudou a preservar povos e crenças dentro de outras religiões e crenças, mesmo que mascarados.
Se tudo fosse concentrado, não restaria absolutamente nada quando algum povo fosse destruído e sabemos que mesmo assim, muitas coias se perderam.
O sincretismo era algo comum, mesmo quando fosse usado pela igreja para transformar Deuses em santos, pois seus cultos eram mantidos, mesmo que mudasse sua roupagem.

Sincretismo não é o problema, o problema é identificar tudo com tudo e dizer que tudo é a mesma coisa, o que acontece muito hoje em dia, principalmente com alguns caoístas.


Toda ciência tinha que ser "sagrada", do contrário era perseguida e destruída. Portanto, antigamente os pesquisadores eram forçados a inserir motivações religiões e divinas às suas descobertas, por medo da igreja (ou da religião local) ocultá-las ou destruí-las. Vê-se bastante dessa "imposição" quando descobertas que desagradavam à religião vigente eram divulgadas, como com Galileu, Newton e Darwin (que teve que argumentar ferozmente que achava que suas descobertas não contrariavam os fundamentos da Igreja nem de Deus).

Isso não se aplica, até porque, não estou resumindo a história da ciência á ICAR. Elas são muito mais antigas do que isso. Pra ICAR, o que contestava sua força política (com desculpa nos seus dogmas mutantes) era caçado como herege.
Aliás, basicamente somente a ICAR se dizia contra certas ciências, mesmo que tolerasse a Astrologia e certas práticas, dependendo da região e da época.

Para aqueles que ainda querem ver, a matemática e a física possuem diversas maravilhas a serem compreendidas pelo Ser Humano. Muitos físicos sentem um prazer análogo ao "espiritual" ao tentar compreender os fundamentos da matéria, os buracos negros ou o mecanismo de rotação das galáxias. Temos ainda a matéria escura e a energia escura, que dão muito pano de manga a teóricos físicos atuais - e dão alimento à nossa imaginação criativa.

Concordo Smile

Esses físicos teóricos seriam o equivalente exato dos antigos "mestres matemáticos", com a única diferença que não são obrigados a acreditar em mitos ou justificar seu entendimento do universo na linguagem cifrada dos manuscritos, mas sim através de fórmulas matemáticas que podem ser entendidas universalmente.

A matemática sempre foi uma língua universal, que aliás, abrange muito mais do que fórmulas lógicas. A própria gematria e a significância de numeros com letras dos gregos são prova disso. ALiás, matemática andava junto com a filosofia de tão profunda que eram seus significados.

A matemática não é um fim em si mesmo - ela é uma "língua" democrática e abrangente, utilizada por todos aqueles que buscam um entendimento maior do cosmos e da vida como ela realmente é (sem ilusões de deuses ou o envolvimento de lendas). Enfim, a física e a matemática ainda são lindas para aqueles que se aventuram a entendê-la a fundo.

Aí é que está! "a vida como ela realmente é" pode ser o que "vc gostaria que ela fosse" ou "aquilo que vc acha devido suas próprias experiencias". A matemática ANTECEDE essa visão cética e ANTECEDE a ICAR! Matemática, claramente, trata tanto de padrões, conjecturas e cálculos físicos quanto imaginários, incluindo filosóficos.
Só procurar definições e você verá que a matemática não possui definição, até porque, ela se define em todas as eras, sem perder seus valores originais.

E, da mesma forma que o argumento desse texto, podemos dizer que a "astronomia deixou de ser uma ciência sagrada, que colocava a terra plana no centro do universo", para uma ciência profana que mostra a Terra como uma bola redonda e feia flutuando no nada e longe do centro até mesmo da nossa galáxia, quanto mais do Universo. Ou seja, é uma tentativa de rebaixar um avanço do conhecimento científico natural e verdadeiro.

A astrologia continha a astronomia, aliás, é sua antecessora. Atualmente, a própria astrologia perdeu seu âmbito tradicional, para uma Astrologia moderna, cheias de conceitos novos que abrange mais valores de nossa era.
A Astronomia trata de física. Ponto. Se limitou a catalogações. Porém, mesmo na Astronomia, muitos procuram por "deuses" ou seres de outras terras e criam mil teorias sobre suas existências.


Como citei em outro tópico, o Ser Humano reluta em deixar que sua imaginação seja contradita pelos fatos. Não aceita que o mundo "seja como é".

Da mesma forma que os céticos tentam explicar inúmeros fenômenos que não podem explicar e tentam o tempo todo enquadrar tudo que existe nesse mundo em sua racionalização, ou seja, tenta limitar tudo até a sua própria capacidade de dedução e, mesmo quando não consegue, ao menos tenta relutar que "alguma explicação deve existir, MENOS de que seja alguma coisa ligado ao espírito ou ao divino". Ou seja, o argumento de que nós, os "fantasiosos" atribuímos tudo ao espírito (o que não é verdade) também pode ser usado aos céticos que tentam atribuir a tudo em suas teorias, mesmo que sejam mais falhas, seja por falta de crença mesmo ou por medo de que o mundo seja mais complicado (ou simples) do que realmente desejam.
É uma faca de dois gumes.

Para o Ser Humano, o mundo e o universo tem que se encaixar em sua imaginação, tem que fazer sentido como um todo, os astros mais distantes, o sol, a lua, tudo tem que ter um propósito imaginário que se direciona e enleva o próprio Homem.... desse enorme egoísmo e vaidade humanas nasce essa dificuldade em aceitar a realidade. O Homem tem que se sentir "especial" de alguma forma. O triste é que geralmente ele cai nessa armadilha de sua própria mente e fica preso por esse impulso vaidoso até o fim de seus dias....

Posso dizer a mesma coisa sobre céticos cientistas, que possuem o mesmo medo e tentam se sentir especiais através das descobertas de um novo universo e morrem de medo de aceitar a realidade. No final, ficam presos nessa armadilha de suas próprias mentes, ignorando tudo ao seu redor, e ficam presos nesse impulso vaidoso até o fim de seus dias.
Wink


A Alquimia foi um processo em que os primeiros pesquisadores de como as substâncias interagiam se aventuravam. Como tudo na época medieval, deveria haver uma explicação espiritual para os processos - de outra forma seria totalmente proibida e perseguida, além de simplesmente ser impensável, na época (assim como era impensável que a Terra não fosse o centro do universo) não haver a mão direta de Deus nas transformações dos elementos - o que para muitos era praticamente "magia".

Então. os motivos para se atribuir o divino e espiritual, e vamos deixar bem claro que nada disso está se limitando a igreja e nem as seu deus, é pelo simples motivo de que todos os povos antigos (e vamos contar até os mesopotâmios) viviam tudo junto. Aliás, a "realidade" em que vivemos TAMBÉM É tudo junto. Ou será que vc consegue viver tudo separadamente no seu dia-a-dia?
Claro que não. Ninguém faz isso, pois tudo está interligado e influenciando todas as coisas ao mesmo tempo, portanto, se pararmos pra pensar: esses povos ao longo da história viviam mais a realidade do que nós, no dia-a-dia, com todas as coisas juntas, de verdade. Não igual a nossa era feita de "likes" no facebook ou uns anos atrás na quantidade de amigos no Orkut.
ISSO SIM é doentio! Isso sim é ignorância e alienação. Não um progresso. Essa idéia de progresso é falha e não é somente minha opinião, isso é contestado no próprio meio científico nas áreas de sociologia e antropologia.
Na propria Historia (matéria) nós vemos que não se pode querer ver uma visão antiga com os olhos da nossa era. Óbvio que não dará certo.
Eles faziam assim pela visão de mundo que tinham, e isso foi em inúmeros povos. Essa idéia de que "fisico é uma coisa, religião é outra" é um elemento do racionalismo que continua até hoje, não de outros povos e eras.

Com o tempo e uma vasta quantidade de experiências, foram naturalmente se desmentindo mitos como a idéia de se criar ouro a partir de chumbo e outras idéias propostas frequentemente por charlatões da época como modo de ganhar respaldo e/ou incentivo dos Lordes Feudais da época, que se gabavam de ter alquimistas trabalhando para eles. Isso fornecia certo "status" ao Lorde - bem como frequentes estimativas para cima de sua renda, que poderia estar sendo acrescida de ouro. Para o alquimista, todo esse segredo era bom, pois o tornava respeitado e procurado, e a proteção desses senhores diminuía a perseguição da Igreja e os permitiam se aventurar em conclusões não exatamente apoiadas pelo Clero.

Claro que havia inúmeras intenções por detrás disso. Concordo, afinal, não se vivia religião, política e sociedade em separado. Isso é uma ilusão da nossa era.
O nível de compreensão da alquimia era mais profunda pois se usava de outras ciências em conjunto, o que não separava o espiritual.
Hoje em dia a química e as matérias exatas não se aprofundam mais do que antes, pois avançaram somente numa área separada. Perderam a essência.

Aliás, muitos Astrólogos e Alquimistas pertenciam ao próprio clero! Inclusive muitos que operavam rituais e buscavam poderes mágicos.

Dessa forma, pouco a pouco foram se estabelendo os diversos elementos-base, suas propriedades e muitas de suas reações. A química "espiritual" foi apenas uma forma romantizada (e o ser humano adora romantizar tudo) de se encarar algo até então pouco conhecido - as relações dos elementos na natureza. Essa mistificação do desconhecido é algo bem comum e recorrente na história humana, tendo inúmeros exemplos. A idéia da presença de serpentes e dragões marinhos nos mares pouco navegados, da "queda pelo fim do mundo" nas bordas do planeta, a idéia de que bruxas eram velhas com casas sujas que faziam oferendas de crianças ao diabo e realizavam círculos orgíacos de prazer...

O mundo muda. As visões mudam. As necessidades mudam. E infelizmente a necessidade de nossa era não é viver um mundo que existe, mas sim, um mundo em que somos o topo da intelectualidade e do poder. Nossa era são os dos criadores da verdade e dos críticos vazios, que ao invés de fazer algo a mais, ele se limita a querer ditar o que é ou não é, tomando para si uma autoridade que ele mesmo imaginou e que impõe para os outros.
Assim é nossa ciência, mas não generalizando, obviamente, pois muitos cientistas possuem crenças além da ciência, o que é saudável ao meu ver.


Todas as outras áreas do texto (astrologia/astronomia) - (línguas) - (física/metafísica) - (herbologia/medicina) são também explicáveis pelos mesmos princípios explicados para as idéias acima. Ou seja, antigamente essas ciências não eram mais "sagradas" ou "corretas". O que havia era basicamente duas coisas:

1. Eram áreas de conhecimento especializado, desconhecidas da maior parte da população e por isso uma "aura de oculto, de magia" era construída em tornos desses "sábios" (que na verdade sabiam muito, muito menos que qualquer graduado em faculdades atuais sabe).

Essa afirmação é completamente errônea e precipitada.
Nosso sistema de Graduação é nosso sistema de Graduação e isso não confere, DE FORMA ALGUMA, vc afirmar que QUALQUER graduado sabe MUITO MAIS do que os RESPONSÁVEIS pela matéria que o graduado conheceu, muitas vezes (na maioria) nem intimamente, por apenas, em média, 4 aninhos.

Aliás, nas faculdades, você estuda sobre várias pessoas que deram origem a sua matéria! Pessoas que descobriram e criaram as formulas que até hoje são base para a educação!
E suas afirmações sobre suas matérias continuam, ainda nos dias de hoje, vivas, mesmo que fujam do âmbito "científico"!
Os caras VIVIAM de suas ciências! RESPIRAVAM sua ciência, por toda uma VIDA!
Os caras são referência até para estudos de pós doutorados e análises contextuais e científicas, filosóficas e tudo o mais por especialistas em todo o mundo!!!

Acho que vc se precipitou, e muito, nessa afirmação, com o intuito de diminuir o conhecimento que possuíam da "ciência" que digo sagrada para comparar com nossa era de iluminados acadêmicos que mal sabem escrever.

2. O ambiente da época incentivava a explicação de qualquer fenômeno como sendo consequência direta da influência de deuses ou de espíritos no Reino Humano (o que sabemos que não acontece).

Eu não disse que concordava com isso. Repito, só porque você me deu uma visão do funcionamento de algo (o que é diferente de um motivo), isso não tira a validade do que eu acredito, só me dá uma visão a mais.


Por exemplo, vários desses chamados "sábios" diriam na época que larvas, insetos e outros seres nojentos surgiam a partir da comida estragada (e de outras coisas estragadas). Ou seja, "o plano espiritual" criava esses seres a partir dessa matéria. Essa idéia, fundada por Aristóteles (cujas teorias eram basicamente aceitas pela Igreja e pelos "sábios" sem contestações) é um exemplo de como a idéia de forças espirituais supra-materiais influenciava o pensamento de todos os "sábios" da época. Era comum e aceita a idéia de que a vida surgia a partir de partes inanimadas do mundo, como rochas, algas marinhas, lodo e animais em decomposição. Afinal, é importante lembrar que eles acreditavam que o Homem veio do Pó e a Mulher veio da costela do homem. Portanto, não parecia nada estranho supor que os seres surgissem do nada a partir de coisas sem vida.

Só porque atualmente sabemos o processo biológico da reprodução dos insetos, não tira o fato de que eles continuam fazendo o que sempre fizeram.
Aristóteles influenciou muito mais do que a igreja, e deixou sua contribuição em diversas áreas, como a psicologia, retórica, física, biologia, lógica, entre outras.
Sem dizer que o cara foi tutor de Alexandre da Macedônia e fundou o Liceu, que basicamente foi o início de todas as escolas secundárias.

E vale acrescentar mais uma vez, que não to falando só da era cristã. O mundo é muito mais velho do que isso e não foi todo ele que recebeu influência da ICAR. Portanto, quem acreditava que o homem veio do pó e da mulher de sua costela eram os cristãos (assim como os Judeus), e não todos os povos.



Hoje até uma criança entende que uma maçã podre não "cria" larvas ou moscas, mas sim que elas são atraídas pelo cheiro. Utilizando o mesmo exemplo, a presença de bactérias (invisíveis) era totalmente inaceitável para os grandes "sábios" e "mestres" da época. Para eles, a podridão dos alimentos era uma influência direta do espiritual na matéria. Foi só com Pasteur (1859!!!) que realizou experiências simples, é que ficou derrubada a idéia da Geração Espontânea, ou geração abiogênica....

Cara, muitos acreditam que você pode se proteger de doenças com a vontade, com a fé ou com métodos preventivos rs
Eu nao tomo remédio, não fico doente e muitas vezes eu abuso.
Hoje em dia as pessoas acham que pegar chuva deixa vc doente!!!
Se fosse isso, pular na piscina ou no mar tb o faria!
é absurdo!

Sendo que muitos acreditam que as doenças começam no espírito, áurea, energia ou o cacete a quatro, para depois aparecer sintomas no corpo.
Para os mais céticos, isso começa na mente e na influencia que sua mente faz no seu corpo.

"Com vontade o mago se cura, adoece, se mata".
Ok, concordo.

E está longe de mim querer dizer que isso é culpa da mente ou do espírito, ou ainda de ambos.
Só acredito que posso me proteger de qualquer coisa com o que pratico e da forma que vivo.
E emvbora isso impressione algumas pessoas, o fato é que funciona na prática, não na teoria.
A desculpa dos médicos é que eu tenho uma saúde perfeita, mesmo sem fazer um exame para ver se realmente possuo um vigor anormal.
Por que? pq é o mais racional a se pensar.
De uma forma ou de outra, não muda o FATO, independente se acho que é a mente, o espírito, a vontade, meus Deuses, entidades ou espíritos ancestrais que me ajudam nisso.
Entende?
Não to dizendo que "é assim ou assado", só to dizendo que cada vez mais que descubro como funciona o universo, mais coisas vejo que existem e mais vejo que meu conhecimento está pequeno, mesmo que aumente sempre.


É importante entender a mentalidade das pessoas da época, porque elas influenciam totalmente os trabalhos "científicos". O fato de que tudo antigamente era relacionado ao espírito e ao sagrado não é porque antigamente era melhor "entendida a relação íntima entre a matéria e o espírito" - mas sim por uma pura e completa ignorância por parte dos sábios da época em relação ao mundo real, e que viviam em um ambiente que infestava sua cabeça de crenças que hoje em dia nos parecem totalmente absurdas.

Com certeza eu discordo. Aliás, chamar vários povos de épocas diferentes de "ignorantes" pelo simples fato de que não pensavam COMO VOCÊ é algo que se vc debatesse com Historiadores, antropólogos ou profissionais da área SÉRIOS, por mais céticos que fossem, eles iriam criticá-lo e lhe mostrar que isso seria na verdade, ignorancia sua no quesito de que vc estaria "ignorando" que existia uma forma de pensar, viver e sentir o mundo que vc não teria como saber apenas estudando, mas vivendo naquela época, o que é impossível.
Mas isso é algo comum em críticas á sociedades anteriores, em povos de séculos ou milênios distantes. É costume das pessoas em querer olhar algo pela visão contemporanea e querer comparar, pesar na balança, sendo que isso é impossível.

Não to dizendo que é ou não é de forma alguma, só que prefiro um balanço, um equilíbrio, ao sair afirmando que antes todos eram ignorantes porque faziam oferendas para espíritos e Deuses e diziam que as ervas, além das propriedades curativas (e mágicas) continham propriedades divinas.

Nossa era possui mazela absurdas e tentar dizer que estamos num super progresso é a maior ilusão que até mesmo é debatido nos meios acadêmicos, e a briga não pára nunca, pois as visões se diferenciam.
Mesmo se você tirar a parte divina e religiosa, nada realmente melhorou, mesmo que seja mais cômoda. É uma grande ilusão achar que porque vivemos mais tempo com todos os confortos e trabalhamos como escravos, que nossa vida é "melhor".

Não se pode comprar.


O método científico foi uma das maiores revoluções que existiram para o aumento do conhecimento humano - porque enquanto antigamente todas as "verdades" eram simplesmente opiniões que não precisavam de nenhuma comprovação física, para o método científico somente aquilo que podia ser repetido e testado seria aceito como uma verdade.

O problema, ao meu ver, é que as coisas não mudaram muito. A ciencia não explica zilhões de coisas e vamos combinar que existem muitas teorias contraditorias que dependem unicamente de opinião alheia para ser aceita.
Meio acadêmico é foda.

E vamos lá, é muito fácil querer testar algo sob os seus próprios parametros e, se não der certo, é porque não existe.

Quem decide o que é real ou não?
Isso sim não tem resposta.


A questão, pessoal, é que idealizamos o passado. Mas nosso passado foi, na verdade, negro, repleto de superstição, misticismo e ignorância profunda... mas para muitas pessoas é difícil aceitar que viemos de tão baixo, que o passado era tão feio e inculto, e então endeusamos nossos antepassados, retocamos a história para nos sentirmos mais seguros e felizes conosco mesmos...

Aqui está um erro comum que perpetua na massa: para os estudiosos da história, das sociedades e culturas antigas, a idéia de que a Era Medieval era a Idade das Trevas é um conceito puramente tendencioso para dizer que nós somos muito mais evoluídos.
Essa camapnha, que atualmente não possui força alguma, de dizer que nossa era "é a melhor" é tão falha quanto ao endeusamento de eras passadas como você afirmou, que aliás também não concordo, afinal, não vivi outras eras pra saber!
Wink
Mas essa parte é uma discussão muito longa, que exigiria muita pesquisa de ambos e, no momento, não estou com tanto tempo para fazer. mas quem sabe?
Nesse caso, deixo como opinião para debate.
Smile

Abs

deletado
Magus

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Re: Ensaio sobre Ciência Sagrada e Profana

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