As Máscaras dos Espíritos no Paganismo Europeu - Por Nigel jackson

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As Máscaras dos Espíritos no Paganismo Europeu - Por Nigel jackson

Mensagem  deletado em Dom Out 28, 2012 8:49 am

As Máscaras dos Espíritos no Paganismo Europeu

Por Nigel Jackson

Para atingir o estado extático, a consciência mágica na quais os mundos fenomenais e nominais interagem, os xamãs tradicionais empregavam diferentes técnicas compreendendo entre outras, a magia rítmica do tambor, a dança sagrada, os cantos encantatórios e a utilização da máscara dos espíritos para chegar a uma comunhão profunda com os seres divinos. Usar a máscara do espírito é invocar os poderes do Outro Mundo, porque a máscara exprime a presença das divindades de uma maneira direta e tangível.
Para aquele que usa a máscara como para aquele que vê a máscara, a magia da máscara é um método de ultrapassar a percepção “ordinária” e escorregar na “falha entre os dois mundos” até as profundas realidades do País dos Elfos.A essência real da magia das máscaras foi habilmente resumida por Mircea Eliade como sendo a “transformação total do indivíduo em todas as coisas de outro”.
A máscara dos espíritos é um elemento das tradições sagradas das culturas pagãs politeístas. As máscaras dos xamãs siberianos, chamados abagaldei eram feitas em madeira ou em pele com a barba e as sobrancelhas com pelo de esquilo.Os xamãs toungouzes dizem que a máscara “mostra que o espírito de Malu está nele”.Em todos os lugares a máscara ritual é um veículo de transformação e de encarnação do sagrado.
Dentro de nossa tradição espiritual pagã e bruxa parece que esta tradição de máscara mágica tenha sempre existido.Um dos nomes de Odin, o Mestre xamânico do êxtases, é Grimr,”o mascarado”.No decorrer do século VII na Gran-Bretanha, o arcipreste Théodore (fazendo uma referência ao Ooser ou a masca de touro usada por ocasião dos ritos populares) condenava aqueles que usavam uma máscara de cervo ou de touro nas calendas de janeiro.
As máscaras totêmicas de pássaros ou de animais do paganismo germânico e celta que permitem atingir magicamente a transformação xamãnica estão muito presentes nas doutrinas populares européias.Na Idade Média na Alemanha, as procissões barulhentas de jovens com o rosto escurecido desfilavam no Samain imitando os espíritos noturnos que cavalgavam com Perchtl ou Frau Holda, a deusa selvagem da Horda Furiosa dos viajantes noturnos.No Tirol, no dia de São Martim e no Solstício de Inverno, a procissão quês e chama Perchtenmsaken conduzida por um homem sobre um cavalo branco cabriola ao redor dos campos.
Em uma procissão alemã se podia ver as pessoas mascaradas chamadas de “cara-de –morte” e “cara-de-urso”, cujo aspecto ritual representava os espíritos chtônicos e aquele do urso do mundo sobre a terra,igualmente na tradição das cerimônias da Caçada Selvagem se encontra a Algazarra medieval.É uma procissão extática e desordenada de personagens mascarados caracterizados de cervos, touros, lebres , raposa e lobo que perturbam os banquetes de bodas.
Nos costumes britânicos do “guizin” no Samain, os dançarinos e os autores utilizavam mascaras rituais para se meteformizarem sob o aspecto de espíritos dos ancestrais da Caçada Selvagem, e se encontra o traço nas máscaras de demônio, do diabo, de cadáveres que usam as crianças no Halloween.Durante a celebração do Sosltício de inverno se encontra personagens mascarados como St. George, o Médico e Papai Noel nas danças rituais e dos Mistérios.Eles representam o Senhor do Inverno e o Rei Azevinho.
Se encontra também procissões de mascarados no Yorkshire e os “ frappeurs/batedores” de Northumberland fazem uma dança onde eles cruzam as suas espadas.Nas cerimônias pagãs do Beltane se encontrava máscaras de espíritos e se podia reconhecer Jack-in-the-Green.Tias máscaras de madeira eram feitas com a casca e decorada com folhas de pirilteiros e de carvalhos.Os atores rituais representam o mistério da morte e da ressurreição,e dançavam ao redor de um Mastro de Maio coma deusa das Flores,a Rainha de Maio.
Em seu livro “ A Calendar of German Costumes” publicado em Londres em 1966, Richard Thonger conta que em Whitsuntide “ os habitantes do vilarejo foram para a floresta apanhar galhos verdes e voltaram com uma máscara de casca. Se chama esta máscara Pfingst no Sul e Homem Selvagem ou Homem Verde (Laubmannchen) em Thuringe.Algumas vezes ele usa uma máscara de pássaro e enlameadas com a água. Ela é chamada de pássaro da água de Wassergovel.
A face folhuda do Homem Verde nas igrejas lembra muito uma máscara.Talvez sejam elas, cópias de objetos de culto votivos se encontrava nos antigos templos e santuários pagãos>Dentre as outras máscaras tradicionais na Europa, há a da Cygne e do ganso, piscopompos xamânicos e espíritos feericos que são guias e veículos para a viagem no Outro Mundo, eles nos permitem atravessar as dimensões em um vôo mágico.
O Homem de Negro ou o Magister de um Coven Tradicional usa normalmente um gorro / máscara de chifres de cervídeos porque ele é o grande sacerdote de Cernunnos ou Gwynn, o Iniciador e o Senhor de Annwyn.Se conta que nas regiões florestais do sul da Áustria, acontecem nesta época moderna reuniões de bruxos onde todos os participantes usam máscaras de cervo.
Autores alemães do século XVI contam que os bruxos usavam máscaras por ocasião do Sabá e Henri Boguet relata que os membros do coven lionês que ele julgou, igualmente usavam máscaras durante seus rituais.
Em um texto francês de 1614, se fala de uma ajuntamento de 200 bruxos mascarados assim como de bruxas que se transformam, como o fazia Isabel Gowdie, em lebres, gatos,gralhas e abelhas.É possível que isto faça referencia às danças rituais mascaradas onde se invoca animais e pássaros totêmicos.Em 1590 por ocasião do processo das bruxas de North Berwick, se reprovou John Fian por ter estado mascarado quando dirigia o coven em procissão ao redor da igreja.
Desde a sua utilização nas religiões paleolíticas, a magia celta e norroise e os grandes festivais populares, a máscara dos espíritos sobreviveu nas danças Morris, onde ela é usada por personagens disfarçados de “schuddings” e “perchtls”, nas reconstituições históricas,os carnavais e as máscaras medievais.Como as igrejas não apreciavam isto, não mais do que esta apreciava os bruxos tradicionais, as máscaras se esconderam.Hoje é necessário dar a elas o seu lugar dentro dos trabalhos mágicos, porque a máscara tem uma influência estranha e eterna na imaginação, elas invocam e tornam visível os deuses pagãos, as fadas e os totens e aproximam as fronteiras entre os mundos.
Atualmente,as máscaras dos espíritos abrem as possibilidades prolíficas para os ritos dramáticos baseados sobre um mito inquietante,as metamorfoses mágicas e os rituais votivos.O valor de tais máscaras se mantém no fato de que esta nos ajuda a transcender nossa personalidade e a entrar na natureza dos Antigos, nos permitindo de entrar na realidade mágica do país dos Elfos.
No decorrer dos últimos anos, trabalhei com uma amigo sobre diferentes mascaras rituais e nós fabricamos uma máscara de espírito do gato e uma máscara de espírito da coruja macho *(ndt:mocho).Estas máscaras foram feitas em papel maché que, após ter recebidos algumas camadas de pintura branca faz uma excelente base para que aís seja pintada uma face estilizada em cores.
Nós começamos a juntar a ela penas assim como cristal e outros materiais adaptados.Estes objetos são tão estáveis que a madeira envernizada e se acham facilmente – e parecem bem serem convenientes para a criação da face sem excesso de detalhes.
Uma das etapas essenciais será de carregar a máscara das forças que ela encarregada de representar. Recentemente eu pratiquei um ritual onde banhei a máscara sob a luz da Lua, entoei um encantamento à Senhora das Corujas, Cailleach da Lua Noturna, e a carreguei de poder.A cerimônia foi marcada pela presença de espíritos, e para mim isto foi uma iniciação totêmica menor porque em seguida, durante algumas semanas eu fora habitado pelo totem da coruja.
Uma mascar de espírito totalmente carregada induz uma presença angustiante e um poder,muitas vezes parecendo à um “observador” não humano.A máscara torna-se o ponto central das forças do Outro Mundo, e ainda mais quando ela é usada.Para os Samoyèdes da Sibéria, a máscara permite intensificar a concentração interna e facilita a sua focalização sobre o seu consciente.Quando alguém a utiliza, a máscara dá uma sensação de se destacar do mundo, e entrar em si-mesmo, a sua personalidade superficial se submete, ela é transcendida pelo poder espiritual profundo que simboliza a máscara.Como o disse o universitário finlandês Uno Harva, toda a vestimenta cerimonial tradicional e mágica do xamã ou do bruxo se resume à uma máscara e que se pode considerar que todo o resto é apenas o prolongamento desta máscara que encarna em todas as tradições pagãs uma encarnação da “face do espírito”.

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(Tradutor desconhecido)


Como foi colocado uns desenhos de Nigel jackson, pelo Nimrod Alexander, então resolvi postar um de seus artigos no fórum.
Pretendo fazer traduções de fragmentos de alguns livros que incluem Chumbley, Pennick, Cochrane, Nigel e quem sabe outros mais. Mas por enquanto, apenas compartilho algumas das coisas que possuo ns meus arquivos e que não comprometam outras pessoas.
abs

deletado
Magus

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