Um Pouco mais sobre os Papiros Egípicio

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Um Pouco mais sobre os Papiros Egípicio

Mensagem  Convidad em Sex Ago 24, 2012 10:15 am

Uma pequena viagem ao Egito e tentando entender mais sobre a antiguidade....

Papiro (pelo latim papyrus do grego antigo πάπυρος) é, originalmente, uma planta perene da família das ciperáceas cujo nome científico é Cyperus papyrus, por extensão é também o meio físico usado para a escrita (precursor do papel) durante a Antigüidade (sobretudo no Antigo Egipto, civilizações do Oriente Médio, como os hebreus e babilônios, e todo o mundo greco-romano).
O papiro é obtido utilizando a parte interna, branca e esponjosa, do caule do papiro, cortado em finas tiras que eram posteriormente molhadas, sobrepostas e cruzadas, para depois serem prensadas. A folha obtida era martelada, alisada e colada ao lado de outras folhas para formar uma longa fita que era depois enrolada. A escrita dava-se paralelamente às fibras.



Confecção do papiro: Foi por volta de 2500 a.C. que os egípcios desenvolveram a técnica de fabricar folhas de papiro, considerado o precursor do papel. Para confeccionar o papiro, corta-se o miolo esbranquiçado e poroso do talo em finas lâminas. Depois de secas, estas lâminas são mergulhadas em água com vinagre para ali permanecerem por seis dias, com propósito de eliminar o açúcar. Outra vez secas, as lâminas são ajeitadas em fileiras horizontais e verticais, sobrepostas umas às outras. A seqüência do processo exige que as lâminas sejam colocadas entre dois pedaços de tecido de algodão, sendo então mantidas e prensadas por seis dias. E é com o peso da prensa que as finas lâminas se misturam homogeneamente para formar o papel amarelado, pronto para ser usado. O papiro pronto era, então, enrolado a uma vareta de madeira ou marfim para criar o rolo que seria usado na escrita.



O papiro mais antigo que se conhece foi encontrado em Saqqara, na mastaba de um nobre da I dinastia (2920 a 2770 a.C.), chamado Hemaka, e está em branco. O mais antigo exemplar escrito do qual se tem notícia, datado do final da I dinastia, é formado por fragmentos do livro de contas de um templo de Abusir, escrito em hierático. Na II dinastia (2770 a 2649 a.C.) o papiro já se disseminara como suporte à escrita. Antes disso, entretanto, as fibras de suas raízes ou das hastes eram empregadas para a fabricação ou calafetagem de embarcações, na confecção de pavios de candeeiros a óleo, esteiras, cestos, cordas e cabos resistentes, grossos tecidos, sandálias e outros objetos. Reunidos em feixes, os talos do papiro funcionavam como pilares na arquitetura primitiva. Não é à-toa que as colunas de pedra imitam os feixes de papiro, com capitéis em forma de flores abertas ou fechadas. Além de tudo isso, a parte inferior e carnosa da haste servia como alimento e dela se extraia, também, um suco muito apreciado. Como papel ele foi adotado pelos gregos, romanos, coptas, bizantinos, arameus e árabes. Grande parte da literatura grega e latina chegou até nós em papiros. Ele continuou a ser utilizado até a Idade Média, sendo que uma bula papal datada do ano 1022 da era cristã ainda foi escrita sobre aquele material.



Entendendo os Hierogrifos:



Mais uma, aqui temos um Papiro Matemático: ou Papiro Rhind


Papiro encontrado sua Altura: 32 cm. - Comprimento: 63 cm.

Em 1855, um advogado e antiquário escocês, A. H. Rhind (1833 - 1863), viajou, por razões de saúde, ao Egito em busca de um clima mais ameno, e lá começou a estudar objetos da Antigüidade. Em 1858, adquiriu um papiro que continha textos matemáticos.
O papiro Rhind ou Ahmes mede 5,5 m de comprimento por 0,32 m de largura, datado aproximadamente no ano 1650 a.C. onde encontramos um texto matemático na forma de manual prático que contém 85 problemas copiados em escrita hierática pelo escriba Ahmes de um trabalho mais antigo. Mostrando pra gente mais uma vez a evolução antiga e humana.

Não resisti depois da viagem e acabei indo conhecer outro deles no exposto num museu na Itália:



A Pedra de Roseta revelou milhares de anos da história do Egito. O Ocidente era fascinado pela civilização egípcia simplesmente por ser antiga, mas esta abundância de novas informações inspirou ainda mais o interesse do público sobre o Egito. Com o auxílio de inovações no turismo durante a revolução industrial, o Egito tornou-se um destino popular para a visita dos europeus. Os médicos até recomendavam o país por ser local perfeito para curas devido ao clima quente e seco. Alguns europeus aprofundavam-se em livros sobre o Egito enquanto outros usavam adornos inspirados no país.
Parte do grande plano de Napoleão era que a França revelasse os mistérios do Egito ao mundo. Seu Instituto era um tanto quanto limitado, não sendo capaz de decifrar os hieróglifos. Muitas das descobertas dos estudiosos eram baseadas em evidências empíricas ou conclusões resultantes de suas observações. Nem todas as suas conclusões eram precisas. Um exemplo, eles estimaram que o templo em Dendra fosse muito antigo, mas ele foi, na verdade construído no período greco-romano (332 a.C até 395 d.C.) [fonte BBC (em inglês)].
Apesar dos erros e falhas em suas pesquisas, os estudiosos de Napoleão reuniram suas observações em 19 volumes. A compilação do Instituto foi terminada em 1822 e publicada com o nome de "Uma Descrição do Egito". Foi exposta no Louvre em 1825 e mapas foram adicionados em 1828 [fonte: International Napoleonic Society (em inglês)].
A compilação tornou-se extremamente popular por toda a Europa. O Egito tornou-se um assunto intrigante para a população e para estudiosos. Lendas sobre múmias, tumbas magníficas e riquezas inestimáveis agradavam a todos. Decifrar as inscrições em hieróglifos na Pedra de Roseta foi apenas o primeiro passo: levaria anos para verificar minuciosamente as pilhas de papiros e paredes de monumentos para se ter uma imagem mais clara da antiga história egípcia. Muitos estudiosos estavam dispostos a se dedicarem ao estudo da civilização. Como resultado, a Egiptologia, ou estudo do Antigo Egito, transformou-se numa legítima ciência assim como assunto de cultura popular.
Estudiosos dirigiram-se ao Egito para estudar as ruínas, arquivos e objetos. Escritores como Gustav Flaubert e Charles Dickens trouxeram o Egito para a imaginação das pessoas que não podiam viajar para lá. Muitos objetos foram enviados à Europa para serem preservados. Durante anos, egípcios que não sabiam do real valor de tais objetos os vendiam para colecionadores. Inúmeras múmias foram vendidas para médicos europeus que acreditavam que os restos mortais mumificados seriam a cura para todas as doenças.
Egiptologistas alegavam que, se os objetos não fossem enviados à Europa e colocados em museus, eles seriam vendidos e perdidos para sempre. Champollion fez campanha para que estes objetos fosse colocados no Egyptian National Museum. Ele levava em conta que os estudiosos não sabiam manuseá-los de maneira correta. Os papiros, por exemplo, tinham de ser guardados em tubos de bambu, em ambientes secos: quando os egiptologistas os transportavam para o Ocidente por navio, os papéis esfarelavam-se [fonte: Ceram].
Em 1895, o "Fundos de Exploração do Egito" foi criado para sustentar as aquisições dos museus que incluíam arte e antiguidades egípcias. Os avanços na arqueologia possibilitaram aos estudiosos descobrir muito mais sobre o misterioso passado do Egito.

Mas o melhor foi isso, no Museo Egizio, o segundo maior museu egípcio do mundo, depois do Cairo.
Bem de verdade um museu enorme que conserva mais de 6.000 objetos dentre os quais, múmias, papiros, sarcófagos, objetos da vida cotidiana e amuletos que foram trazidos do Egito, na sua grande maioria, pelo italiano Bernardino Dovretti.
O italiano era cônsul frânces no Egito e prestava serviços ao Napoleão como expliquei mais ou menos a cima.
Histórias de guerras e de rapinas à parte, é incrível pensar que por causa do clima seco do Egito até mesmo materiais orgânicos como o papiro foram conservados. O objeto mais antigo é um cadáver de 6.000 anos. Querem ver?



Mais uma relíquia que queria compartilhar com vocês tbm.....

Página do Livro dos Mortos de Ankhwahibre: mostra os principais amuletos funerários
Período Tardio (c. 500 a.C.)

Papiro
Periodo tolemaico (332-30 a.C.)
Provenienza: Tebe, in seguito Collezione Drovetti, 1824


Tradução livre do texto do site oficial do Museu

Nesta cena do Livro dos Mortos de Iuefankh assistimos ao momento crucial, ou seja, o julgamento do morto, a chamada psicostasia ou julgamento da alma. O coração do morto, considerado a sede da inteligência (que não era o cérebro) se encontra sobre o prato de uma balança em equilíbrio diante de uma pequena figura da deusa Maat - que traz sobre a cabeça a pena de um avestruz. A deusa personifica a idéia de ordem cósmica, de justiça e de harmonia. Junto a Thoth, Maat era garantia da precisão. Thoth, que se manifestava em duas formas, como babuíno e como pássaro, era o deus da sabedoria e da escrita, que conhecia o cálculo. Ele vinha representado seja como pássaro, seja como babuíno. Sendo o coração (inteligência) de Ra, fazia os cálculos das fases lunares. Mestre de exatidão, era o patrono dos escribas. Por causa da sua habilidade no cálculo pediam a sua presença durante o julgamento da alma. Thoth aparece nesta cena sentado em cima da balança na forma de um babuíno, e como deus que da testa do pássaro ibis, registra o resultado com a pena diante a uma capela do deus de Osiris. Os deuses Horus e Anubis presidiam a balança e eram encarregados de ouvir a voz do coração do morto. Um animal híbrido (Anmut) sobre um pequeno altar está a espera do julgamento de Osiris. Se o morto tivesse que ser condenado, este animal, de corpo de hipopótamo e cabeça de crocodilo, lhe devoraria o coração, impedindo-o assim de renascer.
O meu conhecimento de história antiga vai até o gregos, infelizmente. E os gregos, por sua vez, tinham consciência de serem uma civilização criança diante daquela egípcia. Esta história do Tribunal de Osiris, famosa diga-se de passagem, sempre me emocionou. O fato de o coração do morto não poder ser nem tão pesado, mas nem tão leve é algo muito libriano. A balança, a busca pela precisão e pela justa medida em meio a um momento tão dramático, como o julgamento do morto, são carregados de significados.
Um deles é que há de haver um equilibrio, ao meu ver. Não se pode levar o mundo na passagem ao al di là , ou um coração pesado (ou ainda uma consciência pesada), mas não se pode vir ao mundo a passeio e carregar um coração tão leve, ou nenhuma experiência significativa a ponto de não haver forjado um coração justo ( ou nenhuma consciência). Um coração que pese menos que a pluma de Maat, a deusa da justiça. É o fio da navalha de Libra. É sobre ela que devemos caminhar.
Em quase todo o percurso do museu se vê essa relação mágica-religosa que os egípcios tinham com a passagem, com a morte. Existem muitos exemplos disso: a técnica de embalsamar os mortos, os olhos que eles desenhavam na parte de fora dos sarcófagos para que o morto pudesse ver e para afastar o mal, as réplicas em miniatura dos bens do defunto - que eles acreditavam que tomassem vida no além e que tais objetos auxiliariam o morto na outra vida-, as embarcações construídas com o intuito de levar o morto ao al di là e muitas outras coisas, que eu jamais ignoraria rrsrsrsrsr.
A deusa Maat, claramente, pode ser personificada na deusa Atenas dos gregos, enquanto Thoth, o deus da escrita, em Hermes e Rá é o deus Sol.
Certamente os gregos se inspiraram muito nos egípcios!!!

Mas histórias a parte, fica ai mais um pouquinho sobre essa maravilhosa Civilização!!!!

A quem possa se interessar em conheçer um pouco mais da história, alguns para pesquisa:

Papiro de Abusir
O mais importante conjunto de documentos administrativos
que sobreviveu do Império Antigo
V dinastia (c. 2465 a 2323 a.C.)
Altura: 20,5 cm. - Largura: 21 cm. - Papiro
Início do Papiro Matemático Rhind
Final do Segundo Período Intermediário (c. 1550 a.C.)
Papiro

Página do Livro dos Mortos do escriba Nebseny
Império Novo
XVIII dinastia (c. 1400 a.C.)
Comprimento: 65,8 cm Altura: 35,8 cm. - Papiro

Papiro Médico de Londres
Final da XVIII dinastia (c. 1325 a.C.)
Comprimento: 123 cm. - Largura: 26,5 cm. (folha um)
Comprimento: 107 cm. - Largura: 26 cm. (folha dois)
Papiro

Cena do Livro dos Mortos do escriba real Nakht
Império Novo
Final da XVIII dinastia (c. 1350 a 1300 a.C.)
Altura: 36 cm. - Papiro

Cenas agrícolas do Livro dos Mortos do escriba real Nakht
Império Novo
Final da XVIII dinastia (c. 1350 a 1300 a.C.)
Altura: 34 cm. - Papiro

Página do Livro dos Mortos de Ani:
vinhetas mostrando cenas agrícolas
Império Novo
XIX dinastia (c. 1307 a 1196 a.C.)
Altura: 42,2 cm. - Comprimento: 70 cm. - Papiro

Página do Livro dos Mortos de Ani:
julgamento do morto na presença de Osíris
Império Novo
XIX dinastia (c. 1307 a 1196 a.C.)
Altura: 30,7 cm. - Comprimento: 44,5 cm. - Papiro

Página do Livro dos Mortos de Hunefer:
rituais diante da tumba
Império Novo
XIX dinastia (c. 1307 a 1196 a.C.)
Altura: 45,7 cm. - Comprimento: 83,4 cm. - Papiro

Outra página do Livro dos Mortos de Hunefer:
julgamento do morto na presença de Osíris
Império Novo
XIX dinastia (c. 1307 a 1196 a.C.)
Altura: 39 cm. - Papiro
Detalhe da página acima

Página do Livro dos Sonhos
Papiro que dá uma lista de sonhos e sua interpretação
Império Novo
XIX dinastia (c. 1307 a 1196 a.C.)
Altura: 34,5 cm. - Papiro

Trecho do Papiro Harris
Mostra Ramsés III diante de três divindades
Império Novo
XX dinastia (c. 1196 a 1070 a.C.)
Altura: 46 cm. - Comprimento: 74 cm. - Papiro

Outro trecho do Papiro Harris
Mostra Ramsés III diante de três divindades menfitas
Império Novo
XX dinastia (c. 1196 a 1070 a.C.)
Altura: 42,5 cm. - Papiro

Cena do Livro dos Mortos de Nedjemet:
ela e seu esposo Herihor na presença de Osíris
Terceiro Período Intermediário
XXI dinastia (c. 1070 a 945 a.C.)
Papiro
Detalhe da pesagem do coração

Um papiro enrolado
Terceiro Período Intermediário
XXI dinastia (c. 1070 a 945 a.C.)
Altura: 38 cm. - Papiro

F:Museo Egizio.

Boa Leitura!

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Re: Um Pouco mais sobre os Papiros Egípicio

Mensagem  Richard Wizard em Qua Set 19, 2012 2:36 am

Muito bom o trabalho!. Twisted Evil
Automaticamente, me lembrei deste vídeo.
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Richard Wizard
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Re: Um Pouco mais sobre os Papiros Egípicio

Mensagem  Convidad em Qua Set 19, 2012 8:21 am

Richard Wizard escreveu:Muito bom o trabalho!. Twisted Evil
Automaticamente, me lembrei deste vídeo.



Nossa!!!!
Muito legal adorei o vídeo, valeu Wizzard!!!!
cheers drunken affraid

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Re: Um Pouco mais sobre os Papiros Egípicio

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