Ocultismo bruxaria e correntes culturais: breves considerações sobre a obra de Mircea Eliade.

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Ocultismo bruxaria e correntes culturais: breves considerações sobre a obra de Mircea Eliade.

Mensagem  Richard Wizard em Dom Ago 05, 2012 11:07 pm

Esse foi um dos trabalhos que fiz, acerca do livro de Mircea Eliade. Natural da Romênia, e um dos maiores contribuidores na história das religiões comparadas, sendo mitólogo, historiador, filósofo e romancista. Uma pessoa ilustre para se pesquisar, além do mais, você encontrará uma vasta obra do oriente ao ocidente. Agradeço desde já, e espero que gostem!


INTRODUÇÃO


      Será proposto brevemente, neste capítulo, sobre algumas manifestações culturais da bruxaria. Em cima da obra, Ocultismo, bruxaria e outras correntes culturais, de Mircea Eliade. Algumas informações serão colocadas, quanto a algumas comparações, das práticas ritualísticas, que ocorreram em diversos países, e em momentos diferentes. Também uma explanação sobre o papel da inquisição, nas respectivas épocas, e a sua visão conservadora com os fieis. Inclui-se também, o aparecimento do diabo, e algumas acusações feitas, e confissões, nestas tradições. Por conseguinte, serem consideradas hereges, sofrendo repressão, sendo muitas vezes, levados a alguns tipos, de julgamentos específicos.
      Por outro lado, serão apresentadas, diversas culturas, e o seu modo de interagir com a natureza, e com o seu próprio grupo local. Isso especificamente, para a compreensão do imaginário, e as causas principais, que deram início a popularidades das tradições, e suas semelhanças, uma com as outras.



Algumas Observações sobre Bruxaria Européias

      Em início, será mostrada, a análise da bruxaria nos séculos dezesseis e dezessete, que acarretará, em alguns momentos que até chegam a ser controversos, dentro deste assunto. O primeiro ponto, dando ênfase às ‘’ origens’’ da bruxaria ocidental, e o problema da possibilidade com o fenômeno, de algumas crenças e ritos, pré-cristãos; que será denominada como, orgias das bruxas, que foram intensificadas, sendo um alvo de ataque, para todos os tementes que criam naquilo que a igreja impusera, partindo do momento, em que, o fenômeno esteve na condição de heresia. Neste mesmo plano de idéias, segundo um pesquisador e erudito arquivista alemão, Joseph Hansen, que começou com uma obra sobre, a publicação dos anais dos julgamentos, e o historiador americano Henry Charles Lea.
      De acordo com Hansen, o desenvolvimento das bruxas e dos mágicos ocultistas, se deu por meio das perseguições ferrenhas, tendo como precursora, a organização eclesiástica, que automaticamente conduziam os hereges ao papado, e a inquisição. Henry, leva em consideração que, que não foi sua intenção ser denominado como ‘’ bruxaria’’, e sim, pela demonologia escolástica, e a inquisição. Formando este conceito, sob a pressão dos poderosos. As atividades de bruxaria são datadas, tendo por início, do século XIV.
Com referência e base, as origens dessa cultura refletiam de algum modo o anticlericalismo, liberalismo, e o raciocínio, que de acordo com a época, estavam documentos, sendo aceita, até o início da década de 20, tendo por explicação, a queda do fenômeno na Europa. Naturalmente, idéias contrárias, se levantavam em oposição à aceitação, como Montaque Summers, que era um dos pesquisadores recentes do momento, apoiando suas opiniões e convicção, e a realidade do demônio, nas atividades das bruxas. Existiam interpretações variadas, que alguns grupos tinham, em determinadas visões. Os ultraconservadores mantinham, suas interpretações como únicas. Os liberais racionalistas, negavam a existência das bruxas; no entanto, outros seguimentos, temiam as ordens do Papado, e acreditavam piamente que as bruxas tinham parte com o demônio.
      Esses traços são refletidos em outros momentos, em dadas culturas, antes ou posterior, isso se relacionando com as características da bruxaria Européias. Ocorrem discriminações dentro das práticas, diz-se acerca de obras miraculosas e maléficas, com poderes de atuação na natureza física, causando terríveis males aos povos. Diferentemente deste episódio, outras culturas semelhantes em algumas coisas, defendem o seu ponto de vista, pelos seus direitos, os Iogues, e os mágicos Indotibetanos. Que de certa forma, afirmam se gloriando de suas práticas explícitas, sobre os domínios de ritos, sacrificais, orgias, e canibalismo, entre outros conceitos e práticas, existentes nestas culturas.
      Um fato, nos séculos dezesseis e dezessete, ocorreu na província Italiana de Friule. Em destaque das pesquisas de Carlo Ginzburg, sendo possível saber, que um culto existente de origem italiana, sofreu modificações drásticas, sob o domínio da inquisição, por assemelhar-se a bruxaria tradicional. Esse levantamento contra o culto dos Benandanti (‘’ aqueles que estão viajando’’, ‘’ vagabundos’’). Documento datado, pela primeira vez, em 21 de março de 1575.
Um inquisidor responsável por algumas províncias recebeu algumas denúncias, sobre umas aldeias que teriam práticas, que se assemelhavam a bruxaria. Algumas descrições relatadas em pesquisas, dizem que, os primeiros Benandanti, se reuniam á noite, quatro vezes por ano, conhecida como, as quatro semanas de têmporas, cavalgando alguns animais. Mesmo assim, traços satânicos não foram encontrados nessas reuniões, ou algo relacionado a escárnio a cruz. Um ritual curioso seria a luta dos Benandanti contra feiticeiros (Strighe e Stregoni), ambos, armados e munidos. O primeiro de ramos de funcho, e o segundo grupo, estavam com juncos enfaixados, dando forma a uma vassoura. Os Benandanti se opuseram aos maus atos praticados pelos feitiçeiros, eles faziam o contrário, faziam milagres às vítimas, que teriam sido encantadas por eles. No ritual combate, se os Benandanti saíssem vitoriosos, nas quatro semanas, as colheitas e todo o ciclo natural seriam abundantes, se não, haveria uma reversão de miséria e escassez.
Não diferente. Em 1581, dois Benandanti foram levados á inquisição, condenados como hereges, pois, tiveram que assumir algumas de suas práticas. Casos como estes, foram prolongados durante anos na história. Quanto ao momento principal da batalha, entre os dois grupos, Benandanti e Stregoni, partiriam de uma representação arcaica, entre os dois lados, relacionados à criação e regeneração da sociedade. De um modo persistente, os Benandanti acabaram assumindo em relatos, e a aceitar o sistema demonológico. A luta entre deixar viva a tradição mítica, contra um modelo inquisidor, que forçava de um jeito ou de outro, fazer com que, o grupo reconhecesse sua identidade de bruxo. Inúmeros registros, contam que mulheres assumiam a sua ida, ao sabá noturno, em busca de cura pelo demônio. Outros acusados, diziam que, teriam dançado em celebrações, e teriam praticado relações sexuais. Alguns admitiam, ter feito pacto com o demônio, e matado três crianças. Outro fato se dá, quando o réu diz, ter feito várias coisas, na bruxaria tradicional, e em companhia do vigário da diocese, afirmou outra coisa totalmente diferente, dizendo claramente que o relato confessado, do começo ao fim teria sido falso, pois não participava de nenhum dos grupos, Benandanti nem dos Stregoni. Mais tarde, o prisioneiro se enforcou em sua cela.
       Outra área, que foge do conhecimento ocidental, são as tradições folclóricas romenas. Nessas tradições, serão mencionados alguns momentos de suas crenças, sem a intervenção da inquisição. Ao contrário das culturas ocidentais, que foram de grosso modo submissas. Começando, pela não influência do latim eclesiástico, na língua românica. Nesse momento, o significado da palavra Striga, no latim significa ‘’ bruxa’’, sendo Diana, a deusa romana, que nessa cultura se tornou a entidade principal. Nessa tradição, as Strigoi, nascem com a coifa, as tornando invisíveis no momento da maturidade alcançada. E também os poderes sobrenaturais, com a capacidade de entrar em lugares fechados, brincam com animais selvagens, tendo poder de causar malefícios, para os animais, e aos homens. A capacidade chega a ser enorme, de até se transformarem em animais, saindo em noites específicas, de São Jorge e Santo André, na volta dão cambalhotas voltando ao estado normal de gente.
      Semelhante aos Benandanti, que travam combates, com os Stregoni. As Strigoi lutam em lugares distantes e específicos, distante das aldeias, considerado ‘’ nos confins do mundo, onde não cresce a grama’’. Essas lutas permitem o armamento, com foices e machados, entre outros instrumentos. Elas lutam intensamente toda a noite, após, reconciliam-se, e no final, voltam para suas aldeias, cansadas e esquecidas do que tinha acontecido.
      O outro momento será o aparecimento da tropa de Diana, nas crenças populares romenas. A sua história nasce na província da Dácia, o desenvolvimento da bruxaria européia. O nome da deusa, que em romeno, Zfna (dziana), com o significado de ‘’fada’’. Outros significados dentro da mesma raiz. Zfnatec, com as conotações, daquele que é possuído por Diana, ou pelas fadas.
As fadas, que descendem da deusa Diana, tem um comportamento ambíguo, sendo às vezes maldosas. Por isso é preciso saber lhe dar com essas fadas, que são chamadas de ‘’ elas’’, ‘’ as rosalia’’, ‘’as sagradas’’ ou ‘’ as munificentes’’. Elas são de aparência de lindas jovens, atraentes e fascinantes. São divertidas, gostam de dançar, vestem-se de braço, de dia sendo invisíveis. Podem também, trazer doenças, para aquelas pessoas que as incomodam, e as ver dançando. Essas doenças seriam epilepsia, cólera e certas pragas.
      O assunto agora retratado abrange mais um tema específico, sobre alguns dançarinos, que formam um tipo de sociedade secreta, chamada de Calusari, que deriva do vocábulo romeno, para ‘’cavalo’’, cal (Latim. Caballus). Pelos rituais, que são realizados por estes grupos. Todas as doenças podem ser curadas, pelo ritual coreográfico e cartático. A protetora desse grupo é a ‘’Rainha das fadas’’, também chamada, Irodiada. A princípio, os ensinamentos dos iniciados se passam em florestas, sendo um lugar reservado, para que as danças sejam aprendidas, inclusive as acrobáticas. O sigilo, também é considerado importantíssimo nesses rituais. Objetos são levados, como por exemplo, cajados, espadas, cabeça de cavalo feita de madeira, e a bandeira, na qual, eles faziam juramentos, fazendo seus rituais, e não se pronunciava nenhuma palavra neste momento, para não serem amaldiçoados. Um dos momentos especiais, de seus ritos, se dá nas danças e acrobacias, que dão um efeito, de que estão voando como as fadas, juntamente com os saltos, parecendo galopes de um cavalo. Festas comemorativas são realizadas em aldeias, ao som de instrumentos e de tocadores. Esses momentos simbolizavam as fadas, que do mesmo modo, dançavam, voavam, cantavam, e comemoravam, o seu dia na terceira semana da páscoa.
Nos Calusari, tinham dois grupos, que ao mesmo tempo em que era uma irmandade, também, travavam uma luta violenta, denominada ‘’ guerra’’, sendo uma dramatização. A bandeira era fixada ao solo, e um Calusari gritava: ‘’ guerra, meus amigos, guerra!’’. Algumas interpretações definem que esse momento histórico, seria um simbolismo, de tempos remotos, que supostas autoridades da igreja, teriam lutado contra eles.
      Dentro do mesmo contexto ilustrativo, da relação entre, as fadas e os Calusari, algumas crenças populares romenas, possuem uma serie de crenças a serem observadas, entre, sete figuras mitológicas, chamadas, Sântoaderi (derivando seu nome de são Teodoro). Algumas características são depositadas nessas figuras, como homens de pés longos, e cascos, de crinas, cobertas por mantos, que por sinal, visitam as aldeias, tocando tambores, seguidos de cantos, aparecendo e sumindo misteriosamente. O seu andado transmitem sons metálicos, em contato com o solo, através das ferraduras. Curiosamente, dançam e se expressam, em cima de pessoas, que passam a serem vítimas, ou até mesmo, as prendem com pesadas correntes, causando dores reumáticas. Essas crenças populares também se espalharam por vários lugares. As meninas passam a ter medo do Sântoaderi, e não costumam sair nas proximidades do carnaval. Além disso, algumas mulheres, às solteiras, costumam ir à floresta, ao topo de uma colina, para fazerem pedidos a são Teodoro, ao redor de uma fogueira, fazem preces e catam juntas, pedindo doces lábios, e cabelos semelhantes a rabos de cavalos. Ao mesmo tempo, afirmam dar oferendas, como pão e castanhas. Elas cantam e dançam a noite toda, voltando para as aldeias, trazendo consigo, ervas e flores, que estavam em seu caminho. Todas essas ervas recolhidas, são fervidas para o uso de banho, para os cabelos, elas acreditam que assim casarão logo.
      Outros momentos importantes, que serão presentes e semelhantes, nos rituais e celebrações entre as Zine (fadas) e os Sântoaderi. Os dois grupos possuem a característica de viajarem ao ar, tem costumes de dançar e cantar, acompanhados de instrumentistas, o mesmo, é capacitado de causarem malefícios à natureza e para as pessoas. As ervas são importantíssimas, tanto para pedirem bênçãos a São Teodoro, como para afastarem as fadas, com, ervas específicas, e outras plantas. Depois da páscoa, ambos costumam unir-se para celebrarem, brincando, e as próprias fadas oferecem aos Sântoaderi flores específicas. Essas duas classes, de forças sobrenaturais, enfatizam, as diferenças entre elas.
      Contudo, todas estas representações míticas, não significa que deram origem à bruxaria ocidental. Porém, é provado em registros romenos, que algumas contribuições foram feitas para a magia negra na Europa ocidental. Não se pode relevar, alguns ritos e práticas pagãs, que foram importantes, no que diz respeito, à fertilidade e saúde.
      Ao decorrer dos anos, mais acusações foram feitas, para aqueles que eram considerados hereges. Registros do que se sabe, foi obtido por Stephen de Bourdon, que seria um inquisidor, em meados de 1235, no Norte França. Muitas confissões foram ouvidas por inquisidores da época. O primeiro aconteceu da seguinte forma: uma mulher, que teria sido levada pela patroa às reuniões, em um lugar subterrâneo, onde se reunia um grande número de pessoas, homens e mulheres, que também participariam da celebração, a luz de tochas, e velas, em redor de um grande vaso, com um bastão, (um rito de fertilidade?). Um líder invocava lúcifer. Um gato de péssima aparência surgia, e com sua cauda, mergulhava na água, aspergindo em todos os que estavam presentes. Daí acontecia o mais esperado momento, apagavam-se as luzes, e as pessoas se entregavam uns aos outros, com práticas sexuais. Esta seria a descrição do sabá das bruxas, que frequentemente é registrado. Todo esse episódio passa a ser bem monótono, por que todos aqueles que fossem considerados hereges, seriam, considerados bruxos, dentro do sabá demoníaco.
A partir do século XI, essas hipóteses são levantadas, sendo a mesma acusação, para diversos movimentos diferentes. Os elementos sempre sendo os mesmos, reuniões ou encontros, em alguns lugares subterrâneos, a evocação e o aparecimento de satã, luzes apagadas, e em seguida, práticas sexuais. Do mesmo modo, ocorreram na cidade de Orleãs, de um suposto grupo de reformistas, que foi acusado de práticas sexuais, entoações ao demônio, e quando este aparecia, as luzes eram apagadas, e os membros se se entregavam a relações. No relato diz que, as crianças que fossem concebidas, por consequência desses atos, deveriam ser queimadas, oito dias depois do nascimento, e de suas cinzas, era feita, uma substância semelhante, àquelas que são usadas na comunhão cristã.
      Tudo isso era repetido em diversas versões, sobre indivíduos, que eram acusados de heresia. De fato, um amontoado de acusações, a uma série de grupos, como datado em 1175, os Veronas, os Patarinos alemães, e os cátaros. Século XIII, os Irmãos do espírito livre, os Luceferanos 1227, Alemanha, os Admitas Boêmios, nos séculos XIV e XV, também, os Fraticelli, todos estes acusados, dentre inúmeros, que praticavam orgias, bebedeiras, danças, entoações ao demônio, luzes apagadas, incluindo, alguns relatos, de sacrifícios de crianças, como no caso, dos Fraticelli, que moíam os ossos, para obter um pó sagrado.
      Provavelmente, a prática de orgias e rituais, são bem presentes, em muitas outras culturas distintas, e até mesmo a extinção das luzes, é comprovada entre outros povos, como os Tibetanos, Esquimós, e entre, os círculos xáticos, e tântricos do Himalaia, entre outras expressões, sendo preciso saber a função e a intervenção do imaginário. Grande parte de rituais, estão relacionados com a intenção de evitar sérios problemas cósmicos e sociais, como, epidemias, e causas metereológicas. Seriam práticas em memória, às origens daquele povo, um momento único que foi passado de geração a geração, momento primordial da criação, e o estado primeiro, de todas as coisas, sem mácula alguma, passando para uma nostalgia coletiva, representado nos ritos.
      Por isso é preciso à compreensão da importância da formação imaginária nas culturas, dos povos, bem anterior à inquisição, que constantemente pregavam um modelo generalizado, para todas as expressões culturais.
      Para os Ngadju, esses processos de rituais, que envolvem orgias, estão relacionados a momentos primordiais, que existiram, por meio dos seus antepassados, que guardaram momentos divinos, e dá continuidade, mantendo a essência das origens, representando a criação do cosmos, bem antes de existir leis morais, ou um tipo de ordem, imposta pelo homem, prevalecia uma ordem diferente, coletiva, e peculiar daquele povo. Seria um retorno à época pré-cósmica, um tempo de pureza e sacralidade, junto à divindade.
      Para os Arunta, da Austrália, esse momento retrata a volta ao lugar paradisíaco, para eles seria através das perambulações pela terra, isto significando os atos criadores. Na época, onde tudo começou, era perfeito, e puro, refletindo toda a plenitude criada. Pode-se dizer que, as regiões, de um modo geral, eram abundantes, na fauna e na flora, o homem, seria o responsável para a manutenção daquele lugar. Isso mostra bem, a nostalgia, mais uma vez, do homem primordial, a retornar, a certa liberdade, talvez perdida em alguns aspectos, onde antes, não existiam obstáculos, contra a própria tradição.
Movimentos foram criados, com os mesmos intuitos, resgatar práticas, como, o nudismo, orgias, a prática de amor livre, entre outros modos que, simbolizavam um estágio anterior à queda. Muitos como, os Adamitas, séculos XIV e XV, procuravam resgatar a inocência de Adão, que viveu no paraíso. Varias outras seitas, como estas, estavam também, relacionados a cristãos, que zelavam o tempo original.
É preciso, relacionar os momentos, e o papel da inquisição, denominada, Judaico-Cristã, e a sua associação, entre, a sexualidade e as práticas satânicas. De uma forma igual às outras, todas aquelas que estivessem supostas orgias, estariam no mesmo caminho, e encaixados como hereges. Muitas dessas tradições culturais já citadas são, altamente fundamentadas, e em grande parte, de uma enorme complexidade em seu conteúdo. Grande número de depoimentos foi confessado em tribunais eclesiásticos, Católicos, Luteranos, Calvinistas. Tratava-se de um temor exagerado, principalmente dos líderes, ao ponto de denunciar, todos os movimentos que não tivessem parte com o catolicismo, de algum modo, certo medo, para que não ocorresse uma transição entre, o cristianismo e outras seitas. Muitas das denominações dos grupos, e reuniões, foram criadas pelos clérigos, em forma intencional de cristianizar, e cristalizar, culturas primordiais. No mesmo ponto de vista e interpretativo, como esses grupos secretos, se desenvolveriam, se a inquisição tinha domínio total? Notavelmente seria preciso ser ‘’ secretos’’, para que eles não fossem condenados à morte.
Partindo de um modo geral, tudo foi muito suspeito, principalmente em registros, que dizem respeito a mulheres, que relataram suas experiências demoníacas. Essas informações eram imediatamente espalhadas em todos os lugares. Eram bastante conhecidas, as suas características, incluindo os suspeitos das práticas. A intenção principal dos líderes dos tribunais eram forçar, a essas pessoas, a afirmarem, o seu contato com o demônio, na relação sexual. Alguns testemunhos de algumas jovens descreviam bem, com detalhes, seu rapto ‘’iniciatório’’ pelo demônio, porém, exames médicos provaram, sendo elas virgens.
      Concluindo, são nítidas práticas orgiásticas, reais ou imaginárias, dentro do padrão religioso. Ocorre das seguintes formas, um protesto contra, a repressão radical, e religiosa da época, na sociedade. Outro modo de interpretar seria a nostalgia e o reencontro ao tempo perdido, a lembrança das origens, e paradisíaca. Como já dito, a possibilidade dos símbolos satânicos, das orgias das bruxas, terem sido criadas, pelos tribunais da época. Outro ponto importante, talvez, as únicas acusações a serem feitas as bruxas, seriam através das denúncias, sobre rituais satânicos, durante a caça as bruxas. Também é possível, que algumas práticas ditas como satânicas, tenha sido realizadas, por motivo de revolta contra a igreja, e contra, algumas instituições cristãs. Porém, um fato, que não deve ser esquecido, o desejo do homem, e a importância dos ritos orgiásticos, e sua volta, ao tempo primeiro, das origens.
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