Ciganos

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Ciganos

Mensagem  Lucrécia em Dom Jul 08, 2012 1:16 pm



Os ciganos até hoje são um povo muito estigmatizado por causa de lendas e ações de outros indivíduos não - ciganos. São geralmente ligados a mentira, roubo e trapaça, mas antes de julgarmos, devemos olhar o coisa da óptica deles.
Sem uma origem totalmente certa os ciganos são nômades desde sempre, não por opção, mas por perseguição alheia. Por conta dessa trajetória, os ciganos tomaram para si um desapego a terra e a raizes e até um certo receio de lidar com os não-ciganos.
São um povo fechado para o resto do mundo, com uma cultura predominantemente praticarcal, lígua e rituais próprios.
Estudos lingüísticos apontam a Índia como provavel nação mãe dos ciganos. Nesses estudos o Romani foi comparado com línguas antigas como o Sânscrito,o Pácrito, o Maharate e o Punjabi, onde foram encontradas diversas semelhanças tanto gramaticais quanto lexicais.

Os ciganos atualmente estão divididos em três grandes grupos:

- Os Sinti, que se estabeleceram na Alemanha, França e Hungria. Foram o grande alvo de Hitler, depois dos Judeus. São divididos em diversos clãs, dentre eles os maiores são: Kalderash e Manush.

- Os Calóns, que se estabeleceram predominantemente entre Portugal e Espanha. Eram famosos por entreterem as festas das cortes portuguesa e espanhola e são o típico esteriótipo do cigano todo enfeitado de cetim.

- Os Rom, o maior e mais tradicional grupo, alojados em diversas localidades desde a antiga Pérsia até a Europa Oriental. Foram grandes alvos do preconceito Islâmico e Judeu. São divididos em diversos clãs, entre eles os maiores são: Matchuaias, Lovarias, Rudari, Kalute, Tchurara e Mordovaia.

Estrutura Familiar


Os ciganos são totalmente pratiarcais na tradição Rom, Patriarcais E Matriarcais na tradição Sinti e matriarcais na tradição Calón. Independente do comando, homens e mulheres tem funções bem definidas não podendo um exercer a função do outro.

As tradições do clã, divinação, comportamento feminino pré-nupcial, dança e etc. são ensinados pelas mulheres, em geral as mais velhas de cada família. Tarefas como costurar, escrever, cantar, ler e se vestir são tarefas reservadas às mães. Aos homens cabe a manutenção física e espiritual da família e do grupo, além dos trabalhos com cavalos e metias e a defesa da honra da família e do bando. Os idosos em geral sempre tem destaque no clã inteiro, quanto mais velhos, mais sabedoria e maior destaque. São responsáveis pelas questões legais da caravana e das decisões que influenciarão todo o grupo.

Algumas tribos como os Kaderash e os Cólon, impõe um chefe ao bando. O líder do clã é escolhido pelos anciãos tendo em vista seus atributos de condução e bom senso. Apesar de ter um líder, a palavra dos anciãos do clã é a máxima do grupo, deixando apra o líder a tarefa de resolver questões legais entre os ciganos e algumas decisões de caráter menor.
Para a maioria dos ciganos, a concepção de um líder é praticamente inviável pois sua crença vê cada homem como responsável apenas de sua família e os mais velhos como a voz de todo o clã.

Casamento


Para alguns clãs Rom, o casamento é decidido antes mesmo do nascimento da criança. É tirado por método divinatório, o destino da criança e com quem ela deve ficar. Assim, quando a criança nasce, já está prometida para seu futuro marido/noiva. Os Rom acreditam que o amor só nasce depois do casamento.

Já os Sinti só permitem que a mulher tenha pretendentes depois da primeira menstruação. Quando isso ocorre, é hasteada uma bandeira que simboliza que a moça já está pronta para casar. Independente da idade que a menina menstrue, a família em conjunto com a moça vai escolher o marido, mas só poderá ter relações com ele depois dos 16/18 anos(dependendo do clã).

Casamentos inter-clã e/ou com pessoas de fora são aceitos em alguns clãs como Kalderash, Kovatsa e Ursari, mas não são bem vistos pela maioria dos ciganos.

Varia de tribo em tribo, mas em certas caravanas - como os Manush - a família da noiva paga o dote ao marido. As ciganas mais "ricas" são sempre as mais disputadas entre as famílias por serem os melhores partidos. Em outras caravanas, as mais disputadas são as melhores vidêntes, dançarinas, costureiras e assim por diante. Após o casamento, as moças passam a usar um lenço amarrando os cabelos e/ou amarrado aos ombros e a cintura.

O ritual de casamento varia de caravana para caravana, contudo, em sua maioria o ritual sempre começa com uma suposta "fuga" do casal, na verdade é um teatro de antigas lendas onde ciganos e ciganas fugiam para viverem seus amores. O homem vai até a tenda da moça que está "protegida" por guardas, ele luta com os guardas, pega a moça em seu cavalo enfeitado e a leva para onde está a/o ancião que oficializará o casamento. Algumas crenças dizem que são feitos um corte no pulso de cada um com uma adaga de bronze e o sangue de ambos é derramado numa taça e coberto com vinho que os dois tomarão. Mas é só uma crença, isso nunca foi contado por eles uma vez que os rituais são fechados apenas para os clãs.

Uma outra tradição, já na linha dos ciganos do oriente médio, é a noite antes do casamento. A noiva tem seus pés e mãos pintados com henna or uma mulher idosa que so tenha se casado uma vez e nunca tenha traído o marido. Após a pintura, os convidados enrolam doações em dinheiro num lenço branco que é deixado ao pé da moça. O pano branco amarrado com a linha vermelha representa a integridade(leia-se virgindade) da moça. Ao término, todos os parentes abençoam o casal.

O divórcio é permitido entre os ciganos. A cigana pode fugir do marido em casos de infidelidade(que são raros) ou maus-tratos e o marido pode largar a mulher por lhe negar seus deveres conjugais por mais de um mês ou por ser estéril, além também do caso de traição e/ou perda da virgindade antes do casamento.

Sociedade e Economia


Em alguns clãs (em geral do grupo Cólon) a clarividência era a principal fonte de renda para os ciganos. Sendo assim, nessas tribos cabia a mulher o papel de provedora do clã. Mas em geral, os ciganos costumavam basear sua economia no artesanato e na venda e treino de cavalos. Nos grupos, temos a seguinte divisão quanto as tarefas:

Banjara: Músicos e dançarinos
Hakkipikki: Caçadores
Gadha Lohar: Ferreiros
Rabari: Pastores e treinadores
Korwas: Joalheiros
Kalibas/Bopas: Acrobatas e artesãos
Nat: Clarividêntes e cartomantes

Alguns exemplos dos ofícios ciganos, classificados por clãs:

Artesanato

Calderash - a palavra vem da língua Romena e significa caldeireiro, aquele que faz artesanalmente potes, tachos, panelas e outros utensílios domésticos feitos de alumínio e cobre.

Kovatsa - a palavra vem da língua Húngara e significa ferreiro, aquele que faz artesanalmente ferraduras, rodas, panelas e outros utensílios domésticos feitos de ferro.

Aurari – a palavra vem da língua Romena e significa ourives, aquele que faz artesanalmente anéis, alianças e outras joias, feitas de ouro, prata e cobre.

Lingurari – a palavra vem da língua Romena e significa colher, aquele que faz artesanalmente colheres entalhadas da madeira.

Tsurara – a palavra vem de línguas eslavas e significa peneira, aquele que faz artesanalmente peneiras.

Sepecides – a palavra vem da língua Romena e significa cesto, aquele que faz artesanalmente cestos de palha, junco e vime.

Balanara ou Balajara – a palavra vem de línguas eslavas e significa cocho, aquele que faz artesanalmente recipiente de madeira onde se dá alimentos aos animais.

Bugurdzje – a palavra vem de línguas eslavas e significa broca, aquele que faz artesanalmente brocas de ferro endurecido para madeira.

Comércio

Lovarias – a palavra vem da língua húngara e significa “cuida de cavalo”, aquele que cria e vende cavalos.

Entretenimento

Bashavno ou bahsmaskro - palavra da língua Romani que significa, músico, aquele que se apresenta publicamente cantando ou tocando algum instrumento.

Lautari – a palavra vem da língua romena e significa violinista, aquele que vive de tocar o violino.

Ursari – a palavra vem da língua romena e “ursar” significa, cigano, mas neste caso é o cigano que adestra o urso e realiza apresentações públicas.

  • Língua e regionalização


As três principais línguas ciganas são o Romani, o para-romani, - uma mistura de portunhol com o romani, usada principalmente pelos clãs do grupo Cólon - e o Sinti Romani. Apesar destas serem as mais usadas pelos ciganos, elas mudam de acordo com a nacionalidade atual do grupo. Existem diversos vlãs espalhados pela Europa, Ásia, Oriente Médio e América do Sul, abaixo alguns desses clãs:

Ambrelara, o termo designa um sub clã Rrom de ciganos nascidos na Eslováquia que sobreviviam e alguns ainda sobrevivem do conserto de guarda-chuva;

Asurara, assim se autodenominou o sub clã Rrom de ciganos que chegou à Eslováquia e se apresentou aos ciganos de lá como fabricantes e vendedores de jóias, anéis, pulseiras e brincos.

Aurari, originalmente um sub clã Rrom de ciganos da Romênia que vivia de trabalhar o ouro. Hoje em dia a maioria é fabricante de artefatos de madeira.

Mechkara ou Ursari, um sub clã Rrom de ciganos da Romênia que viviam do adestramento de ursos para apresentações públicas e em circos.

Balanara, um sub clã Rrom de ciganos da Eslováquia que vivia da fabricação de cochos e colheres de madeira.

Bergitska, sub clã Rrom de ciganos que por tradição habitam as bordas polonês - eslovacas da região montanhosa. Eles falam um dialeto que é compartilhado entre os ciganos Eslovacos e Sérvios desenvolveram as profissões de músicos e ferreiros.

Bohémiens, um sub clã Sinte de ciganos originários da República Tcheca que foram habitar regiões da França.

Bosha, sub clã Rrom de ciganos originários da Armênia.

Burgenland, um sub clã Sinte de ciganos originários da Áustria sendo a grande maioria da profissão de ferreiros e músicos.

Romungro, um sub clã Rrom de ciganos, como o próprio nome já denuncia, nascidos na Hungria ( Rrom + Húngaro)

Calderash um sub clã Rrom originário da Romênia e como o próprio nome em romeno indica “caldare” significa caldeirão. Eles ainda vivem como fabricantes e consertadores de caldeirões, panelas, tachos etc. Hoje a maioria vive espalhada pela Europa e Américas.

Calê, um grande clã Kalon de ciganos originários da Espanha, sul da França e Finlândia e Catalunha. Eles falam o Calé um para-Romani misturado com o espanhol. As principais profissões são as de músico, dançarino e criadores adestradores de cavalos.

Chuxni um sub clã Rrom de ciganos originários da Rússia, cuja profissão principal era a de fabricante de peneira.

Druckara um sub clã Rrom de ciganos originários da Eslováquia e como o nome em eslovaco já denuncia (significa tronco de árvore) ganhavam a vida grudados em troncos das árvores colhendo e vendendo avelãs.

Djambaza um sub clã Rrom de ciganos que viviam do comércio de cavalos nas regiões dos Bálcãs e da Turquia.

Djugí uma casta de ciganos que ainda vive na Índia e o nome em sânscrito significa “santo” porque na realidade abdicam de uma vida normal para viverem rezando todos os dias. E para isso recebem em troca ajuda do povo tal qual mendigos.

Estrekarja um sub clã Sinte de ciganos originários da Áustria.

Fandari um sub clã Rrom de ciganos da Rússia que exerceram atividades militares.

Gharbilband um sub clã Rrom de ciganos que pertenceu a casta homônima da Índia que vivia da fabricação e comercio de peneiras. E ao chegar à Europa fixaram-se na Romênia e Hungria.

Ghurbat-Lovara um sub clã Rrom encontrado em quase toda região balcânica que tornaram-se os melhores negociantes de cavalos. Hoje em dia a maioria encontra-se dispersa por Europa e Américas.

Labanci um sub clã Rrom já completamente extinto que serviu como oficiais do exército de Hapsburg imperial usados por kuruz húngaro rebelde (os participantes na insurreição feudal). Eram originalmente membros do clã Bergitska.

Lombardos um sub clã Sinte ciganos originários da Lombardia que deram início ao trabalho como circenses. Foi com este clã que membros de outros clãs originaram os ciganos do clã Boyashas artistas circenses.

Manush um sub clã Sinte ciganos cuja maioria atualmente vive ao sul da França. Também autodenominado de Sinte-Valshtike.

Piemontakeri um sub clã Sinte cigano cuja maioria atualmente vive ao norte da Itália. Também autodenominado de Sinte-Piemontekari .

Patavara um sub clã Rrom de ciganos que perambula por todo o leste europeu e como o nome em Romani já denuncia (significa trapo) Eles ainda hoje recolhem roupas velhas para depois revendê-las.

Seliyeri um sub clã Rrom de ciganos originários do Irã que ainda hoje vive da fabricação e comércio de caldeirões e pentes.

Servika um sub clã Rrom de ciganos que são dessa forma denominados por serem oriundos da Sérvia. Mas também autodenominados Machuaia porque oriundos de cidade da Sérvia com o mesmo nome.

Gachekanes um grande clã Sinte ciganos originário do norte da Alemanha que ainda hoje são encontrados na Áustria, Republica Tcheca, Eslovênia e diversos outros paises do leste europeu.

Xoraxane (a pronuncia é rrorarranê) um sub clã Rrom de ciganos que passaram a professar a religião islâmica.


Última edição por Lucrécia em Dom Jul 08, 2012 3:52 pm, editado 2 vez(es)

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Re: Ciganos

Mensagem  Lucrécia em Dom Jul 08, 2012 3:00 pm

Cultura e Religião


  • Música e dança


Os ciganos em geral trazem a dança como uma filosofia e não um simples espetáculo. Cada movimento, cada gingado tem todo um singificado que é dado de acordo com a letra da música que está sendo cantada. É quase como uma festividade sagrada. As danças são geralmente introduzidas em festas de casamento, velórios, anunciação do novo líder etc.
As apresentações de dança, por serem praticamente apenas usadas em rituais, são totalmente fechadas para o clã.

Alguns clãs atualmente, infelizmente, já não tem mais a tradição da dança. Isso geralmente é uma realidade das caravanas do Leste Europeu, que sofrem tanto com a xenofobia dos povos não ciganos, quanto com problemas dentro da caravana como violência doméstica, alcoolismo, prostituição, fome e miséria. Infelizmente, esse quadro se encontra não só no Leste Europeu mas em muitos pontos da América do Sul.

Para tentar fugir desse trágico destino, alguns clãs ciganos começaram a fazer de sua música uma fonte de renda. Como a dança é um ritual fechado, as caravanas começaram a expor suas músicas para que os não ciganos pudessem inventar suas coreografias baseadas nas danças ciganas popularmente conhecidas. Dentro da música cigana, existem diversos estilos que variam de país para país:

A música cigana albanesa

Na Albânia, como também em Kosovo, orquestras de ciganos usam acordeões, clarinetes e também Bouzoukis. O estilo deles de música é uma mistura de música turca e grega.

A pessoa passa de canções, fundadas principalmente em uma voz que lembra uma melodia árabe a pedaços instrumentais que são quase sirtakis.

A música cigana búlgara

Até recentemente, a existência de ciganos na Bulgária foi negada. Oficialmente, havia menos de 50.000 ciganos em toda a Bulgária antes da queda do regime comunista. Porém, a verdade é diferente. Calcula-se agora que aproximadamente 800.000 ciganos vivem na Bulgária, freqüentemente em condições apavorantes, em guetos e pobreza absoluta.

A cultura de cigana búlgara é uma das mais velhas na Europa, datada de antes do século 12, e muito pouco se conhece sobre esse fato. Por exemplo, pouquíssimos arquivos foram encontrados , e para música, quase nada está disponível a um investigador.

Vários etno-musicologistas mostraram que há um elo no desenvolvimento de música cigana européia com a búlgara.

Até agora, os próprios ciganos sabem muito pouco sobre a herança musical deles.

Assim é importante produzir um registro de música cigana búlgara, livre das influências Ocidentais.

A música cigana búlgara mostra vários estilos diferentes, dependendo da região e o grupo étnico dos músicos. Vejamos os cinco principais estilos:

• Lovara e Kalderash: Estes dois grupos de ciganos têm um estilo muito específico de música. Como em outros países europeus, o estilo deles está principalmente baseado em improvisação orais sem qualquer instrumento musical.

• Norte Oeste: Na região de Din, ao longo da borda do norte iugoslavo, orquestras estão freqüentemente compostas de instrumentos de metal. Esta tradição também é achada em parte do que é agora a Macedônia.

• Norte Leste: Nesta região, uma forte influência romena pode ser detectada bem no estilo musical como nos instrumentos tocados. Por exemplo, o cymbalum está presente nestas formações.

• Sul Oeste: A música daquela região é bem parecida aquelas que encontramos na Macedônia. Zurnas, originalmente introduzidos pelos Turcos, são os principais instrumentos.

• Sul: Isto é o que poderia ser descrito como o " estilo mais Búlgaro. Na realidade, hoje em dia orquestras de ciganos da Bulgária principalmente tocam este tipo de música, com clarinetes, saxofones, acordeões , violões, baixos e percussões. O estilo de espetáculos de música marca uma forte uma influência Oriental Mediana.

Tcheco e Repúblicas Eslovacas

Na Eslováquia, a música é muito fortemente influenciada pelo estilo de restaurante húngaro. Na realidade, às vezes é difícil de distinguir este estilo, do que pode ser ouvido na Hungria. Na República Tcheca, não há quase nenhuma música pista do que foi a música cigana original.

A música cigana húngara

Antes de começar esta descrição, temos que acentuar que a real música cigana na Hungria não tem nenhum violino, cymbalum ou de fato, qualquer instrumento. Violões e bandolins que foram acrescentados no 19º século. Esta música está baseada em percussões e na voz. É provida pela voz humana e através de latas de leite (!) ou colheres e pandeiros. Um cantor normalmente canta a balada, enquanto os outros cantam baixos e percussões. Esta música é na realidade mais íntima ao Kelderash e Lovara , e saiba que pode ser encontrada fora da Europa.

Além desta música autêntica, outro estilo evoluiu, principalmente tocado por ciganos da Transilvânia. Este estilo, a música de restaurante denominada, é o que é melhor conhecido no oeste. É uma mistura de baladas populares húngaras, Transilvânias com muita influencia do toque vienense. Temos que levar em conta que nãoé cigana,mas é muito tocada pelos ciganos.

A música cigana moldovana

Nesta região desenvolveu-se um estilo muito particular de música. Suas harmonias também são rememoradas na dança espanhola, seus ritmos são mais orientais enquanto seu modo de tocar e cantar é vozes -lentas ciganas, instrumentos rápidos -. Porém, as canções estão muito próximas da música de ciganos da Rússia.

A música cigana polonesa

O cigano na Polônia, mesmo tendo sofrido enormemente durante Segunda Guerra Mundial e a ocupação alemã, a ele era permitido viajar livremente até 1961. Esta liberdade de viagem e comércio manteve o cigano relativamente forte no que diz respeito ao cultivo de sua música .Esta música é influenciada certamente pela música de cigana da Rússia. Primeiro, ela está baseada em acordeões e violino, com possivelmente um clarinete, e segundo, seus ritmos definitivamente são poloneses. Mazurkas, valsas e músicas folclórica polonesa. Ao contrário do estilo russo, o cigano polonês fundou uma música baseada mais em instrumentos que em voz. Não são ouvidos coros e normalmente, há só um cantor. As terças e as quintas são feitas pelos instrumentos e não pelas vozes.

A música cigana romena

Ao contrário das convicções habituais, música de ciganos romenos não apresenta um estilo unificado. Na realidade, a maioria das gravações daquele país são de baladas populares romenas tocadas por ciganos. Há 3 estilos principais de música de cigana na Romênia.

A Música cigana brasileira

No Brasil , apesar da presença dos ciganos desde o século XVI, eles têm pouca influência em nossa música popular. Aqui, o estilo de música cigana mais tocada é a Kalderash, própria para dançar com acompanhamento de ritmo das mãos e dos pés e sons emitidos sem significação para efeito de acompanhamento. Esse tipo de música é repetida várias vezes enquanto as ciganas dançam. Alguns outros clãs de ciganos no aqui no Brasil conservam a música tradicional dos ciganos húngaros, um reflexo do estilo de música do leste europeu com a influência do violino, que é um dos símbolos mais tradicionais nas músicas ciganas.

Ritmos ciganos no Brasil:
- o ritmo baladi que vem do Egito envolve movimentos com objetos ciganos. Alguns movimentos envolvem lenços, punhais, espadas, adagas, potes de água e até mesmo garrafas de bebidas nas mãos;

- a Zapaderin, dança secreta das ciganas, que invoca o amor do cigano.


- Manouche e Sinti é o ritmo que traz do íntimo da mulher a sensualidade, a alegria e a beleza de sua força interior.

A música cigana russa

De acordo com as antigas crônicas russas, o primeiro cigano chegou na Rússia no século XV. Desde que foram proibidos instrumentos musicais na Rússia entre os séculos XIV e XVII, o cigano russo criou uma tradição musical baseada em coros.

No século XVIII, apareceu um instrumento sem igual: o violão de sete cordas. Até muito recentemente, este era quase o único instrumento tocado pelo cigano russo. Este violão, afinado em SOL permite linhas de baixo melódicas como também harmonias que podem lembrar um jazz. As percussões eram, sempre presentes, feitas com utensílios de cozinha como colheres e panelas. E noutras vezes era utilizado o pandeiro ou o que chamamos de “percussão no corpo” com batidas de pé ao chão, estalos de dedos e batidas com as palmas das mãos, nas próprias mãos e em outras partes do corpo.

A tradição de coros de ciganos alcançou seu cume no século XIX e continuou até a revolução. Cabarés, caracterizando os músicos ciganos, como o " Yar " em Moscou eram renomados, e foi descrito na literatura russa, (i.e. Pushkin). Durante aquele período, o cigano russo cooptou o estilo russo de romances musicais. O violino apareceu, importado dos ciganos dos Bálcãs.

Além deste estilo, eram tocadas, em casa, as canções tradicionais. Apesar da revolução, guerras, escassezes ou emigração a herança musical desse cigano sobreviveu.

A música cigana ucraniana

Esta música quase que desapareceu hoje em dia, pois foi sendo substituída pela música cigana russa. Quando a ouvimos, percebemos que está baseada no cymbalum e está muito próxima do estilo Moldaviano.

A música cigana da ex-Iugoslávia

A música cigana Vojvodina emergiu de uma mistura de estilos diferentes. Como o Vojvodina era uma região da borda do Império otomano, podem ser facilmente reconhecidas as harmonias e ritmos turcos, e tendo sido uma parte de Hungria, existem fortes influências húngaras. Esta música evoluiu em acampamentos ciganos como uma dança e música de festa. E é quase que completamente tocada e cantada por homens. O violino desempenha o principal papel, um pouco como um " Balletmeister ". Na realidade, nós ainda podemos ver tocadores de violino que cantam e tocam para que haja a harmonia nos acampamentos.

Além deste instrumento de solo (o violino), podem ser ouvidos também tamburitsas. Este instrumento também é encontrado no Burgenland da Áustria, é um violão de quatro cordas. Nas formações típicas do Vojvodina têm três tamburitsas, um na frente que toca em terça às variações do violino para dar um ritmo , e um contralto que toca mais baixo em quinta, criando as linhas melódicas.

Ao contrário da música dos ciganos da Sérvia, o ritmo é bastante imponente, mas cheio de síncopes. Um solista ao violino conduz a melodia e os outros tocadores realizam a parte rítmica , enquanto realizam o baixo e a segunda voz.

• Música de ciganos sérvios: A base das orquestras ciganas, neste país são o acordeão e o violino. Em contraste com a música do Vojvodina, os ritmos são muito mais orientais; 7/9, 11/13 são habituais na execução de seus compassos.

• Macedônia: Dois tipos diferentes de música coexistem neste país. Primeiro, orquestras de metal que são usadas quase que exclusivamente para casamentos e funerais, como ilustrado nos filmes de Kusturitsa. Uma versão mais antiga deste tipo de música existe, onde todos os instrumentos de metal são substituídos por zurnas, um instrumento turco relacionado ao clarinete. O outro estilo é o flamenco, no qual eles também usam instrumentos de metal, mas das harmonias, e qualquer pessoa, ao ouvi-la, diz que parece-se emmuito com a música de Andalusia.

• Na Croácia, Eslovênia e Bósnia, diferente dos Iugoslavos, estilos diferentes coexistem. É muito difícil de descobrir o que era a música original, especialmente porque a maioria dos grupos , hoje, toca com instrumentos elétricos.

Música cigana balcânica

A música do cigano balcânico é influenciada muito fortemente pela ocupação turca,que se deu durante pelo menos 500 anos , naquela região. Porém, há estilos diferentes em cada uma das regiões e tipos diferentes de música.

Orquestras de metal: Estas orquestras tocam originalmente em casamentos e funerais e são encontradas na Sérvia, Macedônia e Bulgária. Elas foram quase imortalizados nos vários filmes de Kusturica.

Zurna e outros instrumentos de sopro: originalmente, a maioria dos músicos toca a Zurna. Um tipo de clarinete em madeira que era usado pelo exército turco como um sinal de ataque nos campos de batalha. Muitos ciganos tocaram a zurna nos exércitos otomanos, e por esse motivo mantiveram o uso desse instrumento. Hoje em dia, é substituído freqüentemente pelo clarinete e o saxofone. Originalmente as percussões eram realizadas pelo tepan, um tambor turco.

Múscia cigana carpathian

O verdadeiro Carpathian dos músicos ciganos é muito mais autêntica dos que as pessoas pensam: violino, baixo e cymbalom. Na Hungria é chamada “música de restaurante” e nas repúblicas checas e eslovacas é cantada ainda em romani.


Música cigana nórdica

Há três grandes estilos entre os grupos de ciganos nórdicos:

1- O flamenco;

2- O jazz cigano;

3- E a música cigana russa.

Todos esse estilos têm o violão, em comum, como instrumento e, com exceção do jazz cigano, há uma arranjo melódico para as vozes muito bem feito.

Na realidade, olhando para música cigana russa e o flamenco todos freqüentemente se surpreendem pelas semelhanças existentes entre os dois.

Apenas o Jazz Cigano, uma criação de Django Reinhardt em 1930 é diferente. Pois, é autenticamente cigano, sem deixar de ser um novo estilo para a época. Sendo tocado predominantemente pelo clã dos Sinti (ciganos do sul da França).

Música cigana Vlax-Kalderash

Como o estilo nórdico, o Vlax-Kalderash possui muitos estilos diferentes:

Por um lado, há a música de lautari " romena ", com cymbalum, violino, etc. prevalecente na Romênia e Transilvânia, a música do Vojvodina, com sua característica utilização de quatro violões , e finalmente o Vlax húngaro música cigana, com violão e baixo feito pela voz.


  • Comportamento


Nos clãs ciganos, assim como em qualquer povo, existe um código de conduta que deve ser seguido por todos sem exceção. Homens e mulheres ciganos já foram muito marcados pelo preconceito de quem conheceu não-ciganos que se apresentam(e tem quase orgulho) como trapceiros, ladrões e etc.

O código é diferente para homens e mulheres:

As mulheres não devem andar com saias que deixem suas pernas a amostra. É um sinal de grande desrespeito com as mulheres de bem da caravana e uma incitação aos homens solteiros. A mulher também não deve perder a virgindade antes do casamento em hipótese alguma. O namoro é totalmente permitido em alguns clãs, mas o sexo antes do casamento jamais.
A mulher tem obrigatoriamente que saber os métodos divinatórios de seus antepassados, por mais que não os aplique no dia a dia, e deve saber o básico de uma dona de casa.
As mães e avós devem ajudar as noivas e novas mães. Uma mãe/avó que não auxilie em nada sua filha, é considerada um péssimo exemplo e geralemente é expulsa da caravana.

Aos homens, lhes é negado o direito da covardia. Todo cigano desde pequeno aprende a lutar além do ofício do pai. O garoto tem direito a seguir outro caminho profissional, mas sempre levará a tradição da família para ensinar ao próximo filho. Além disso, homens aprendem também a divinação da família, mas são proibidos de praticar.

Tanto aos homens quanto as mulheres é totalmente NEGADO o direito da homossexualidade. Para o cigano, a família está acima de tudo e se por acaso o rapaz ou moça não puder continuar a linhagem por opção sexual o mesmo, em geral, é deserdado da família e muitas vezes até expulso da caravana ou até mesmo morto.

Outra coisa que tabu entre os ciganos é a prostituição. Em tese é proibida a prática da prostituição, mas em várias famílias do Leste Europeu, essa situação é uma triste realidade. A prostituição para os ciganos, é o método mais fácil de gerar mais preconceito ainda por parte dos não ciganos e ainda é uma fonte de doenças venéreas, uma vez que as ciganas não usam camisinha ao terem relações, seus métodos contraceptvos são baseados totalmente em ervas e tabelinha.

O roubo e o estupro são crimes punidos com a morte do praticante. Um cigano jamais deve roubar um estrangeiro e muito menos seu próprio povo. O povo cigano é pacifista por excelencia, e muito rigorosos com esse tipo de comportamento. Os estupradores tem exatamente o mesmo destino, mas logo após serem castrados e humilhados em público para que sirvam de exemplo.

  • Religião


Todos os clãs possuem religiões completamente diferentes umas das outras. A umbanda teve o papel de espalhar um esteriótipo de ciganos que adoram Santa Sara Kali. Em verdade, os clãs que de fato a reverenciam são do grupo Cólon e o clã Manush do grupo Sinti. Os clãs Cólon são devotos em geral de santos católicos como São Jorge, Santa Sara Kali, Nossa Senhora e etc. por terem tido muito contato com essa religião na época das cortes portuguesa e espanhola.

Os ciganos do grupo Rom, em sua maioria, adoram deuses Persas como Ishtar e os Sinti, celtas, hindus e eslavos.

Um ritual interessante de um dos clãs Cólon se dá durante a passagem do ano. O ritual para que São Jorge lhe dê fartura, saúde e sorte consiste em sacrificar uma ovelha branca nascida no primeiro dia do ano anterior.

Morte

O funeral para os ciganos é algo muito importante. A morte para eles é vista como a última libertação. Quando um cigano morre, é costume entre os Kalderash colocar no morto suas melhores roupas e todos os pertences de estima dele dentro do caixão. Durante um determinado número de dias, o falecido é velado com dança e música por seus familiares. Após esse dia, o morto é levado para o cemitério onde é sepultado em túmulos enormes e muito adornados.

Para os Xoraranos, existe ainda o costuma de dar dinheiro a família do morto. E entre os Manush e todo o grupo Calón, os bens mais estimados do morto devem ser queimados para que não haja apego com esse mundo(em alguns grupos, os bens são distribuidos entre os parentes mais queridos do morto, para que servissem de amuleto de proteção).



Biografia: Embaixada Cigana, Site Magia Cigana e documentários "Ciganos: uma verdade em segredo" e "História do povo cigano".

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