Mantras

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Mantras

Mensagem  Lucrezia Rottenstern em Dom Fev 05, 2012 12:36 am



Do Sânscrito "Man" = mente/ "tra" = Alavancas. É uma sílaba ou poema religioso originário do hinduísmo,mas adotado pelo budismo. São normalmente partes de línguas mortas ou sagradas, imunes as erosões causadas pelo tempo, variações linguisticas, mudanças culturais e adaptações as novas gerações. São palavras "cimentadas" que não sofrem alteração dentro de seu povo, embora sejam largamente utilizadas.

Equivocam-se aqueles que pensam que o importante no mantra é a vibração sonora específica, a línguistica. As vibrações despertadas no Ser são geradas pela repetição constante e exaustiva que leva o praticante a um estado de consciência alterado. Esta alteração na consciência prepara o corpo e o ambiente do praticante para um ritual ou uma das infinitas possibilidades de utilização de um mantra. O poder está na mente e não na palavra em si.

É um fato curioso que um mantra não possa ser desviado dentro de seu povo e cultura se seu poder intrínseco não está na forma de sua pronúncia. Os Japoneses e Chineses adaptaram de formas diversas palavras do Sânscrito para suas línguas nativas devido a diferenças fonéticas entre as línguas, tendo que compensar um fonema com outro ( ex: SVAHA do Sânscrito passou para Soha em chinês e Swaka em Japonês).

Há uma antiga lenda Chinesa que falava sobre uma velha senhora que morava sozinha em sua fazenda. Um dia um espírito bondoso concedeu a ela o conhecimento de um poderoso mantra que a ajudaria a se manter. Ao sinal de dificuldades a senhora recitava a palavra e o problema imediatamente desaparecia. Certa vez,ao vê-la pronunciando de forma equivocada o mantra um monge budista a corrigiu. Desde então tal mantra nunca mais funcionou a senhora,até que ela voltasse a pronunciá-lo da forma "errada" para o monge.

Por serem palavras de significado desconhecido, diferem de uma oração católica ao não promoverem formas de pensamento conceituais, mas serenando a mente para que ela não busque agressivamente o objetivo mas deixe a realidade fluir naturalmente pela mente do praticante livre de dualidades que possam vir a anular o objetivo.

Mantras também podem ser utilizados para exorcismos, banimentos, curas, acalmar medos... infinitas possibilidades. Há rumores de mantras destrutivos,guardados pelos monges a 7 chaves, passados somente aos de mais alto grau.

Reza uma lenda que determinada vez um grande monge do Budismo Vajrasattva meditava com seus discípulos no templo, quando neste adentrou um homem triste e desesperado. O homem era filho de um conhecido assassino, violador de templos, estuprador e ladrão. Seu pai,após a morte, transformara-se em um Oni que pertubava a família e vizinhos das redondezas.
O homem implorou ao monge pelo perdão de seu pai. E assim o monge o fez. Repetindo dezenas de vezes diante do Oni um mantra poderosíssimo de exorcismo, ele fez com que o Oni convertesse-se em um dócil animal que fugiu. Mas o esgotamento do Monge foi tão drástico que o mesmo caiu morto diante de seus discípulos momentos depois.

Segundo a escola budista de Vajrasattva os mantras na verdade auxiliam o despertar da consciência interior. Essa Deidade interior é o primeiro passo de sua escala evolutiva,difícil de galgar.
Por mais que outras deidades sejam cultuadas e invocadas por mantras o objetivo final é ver a si mesmo através deles. Diferente de outras religiões, os deuses para os Vajrasattvas são meios e não fins, sendo invocados para auxílio na trilha e não adorados como fins de um caminho.

A grande jogada do mantra está na repetição da palavra sagrada. Mesmo os católicos reconhecem este fato, possuindo como um de seus atos mais poderosos o recital do terço ou do rosário. Assim os budistas, hinduístas e mesmo os Satanistas (Vide os ENNS) buscam alcançar seus objetivos de iluminação interior por suas diferentes sendas.

Mas de toda forma... o mais interessante por aqui é a relação da utilização dos Mantras em obter o despertar da consciência interior. Quem sabe a alteração da consciência através de tais práticas não seja um passo mais simples na união com o verdadeiro Self, e o despertar de seu Demônio/Anjo Guardião, tão cobiçado pelos ocultistas?

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Diabo velho vou arrancar seu chifre, vou cortar teu rabo e dar para Exú comer. Da sua língua vou fazer um chicote, para dar nas costas de quem fala mal de mim. Fala mal de mim, mas não fala por detrás. Fala mal de mim, mas não fala por detrás. Ô pega ela Exú, pela ela Satanás.
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