Mitologia Egípcia

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Mitologia Egípcia

Mensagem  Cufnefer em Ter Dez 27, 2011 8:04 pm

“Behold! I am Yesterday, To-Day, and the Brother of To-Morrow!
I am born again and again (…)
Mine is the Unseen Force, whereof the Gods are sprung! Which is as Life unto the Dwellers in the Watch-Towers of the Universe.”

***

“Eis! Eu sou ontem, hoje, e o Irmão de amanhã!
Eu sou nascido de novo e de novo (...)
A minha é a força invisível, da qual os deuses são arqueadas! Que é como a vida até os Habitantes da Torre de Observação do Universo.”


Liber Anúbis – Aleister Crowley



O Mundo do Antigo Egito

No V milênio a.C com a organização dos nomos (cidades administradas pelos nomarcas) foi marcado o fim do nomadismo do homem e a diversificação e divisão do trabalho (na região próximas ao Nilo). Porem começaram a ter varias perguntas sem respostas como por exemplo a cheia do Nilo que era praticamente impossível sua previsão e juntamente com o avanço extraordinário da metalurgia, alquímica e com a medicina primitiva.

Como poderíamos explicar tudo a nossa volta? Descrever os fenômenos e ainda fazer sentido? Foi essa pergunta que vários dos nossos ancestrais queriam responder...A concepção criada foi de um “Ser” criador (na maioria das religiões primitivas) proporcionando uma resposta muito eficaz mesmo que a cerimônia de enterro dos mortos não tinha ligação “religiosa”, só após este conceito, o ritual foi integrado com o culto. (a cerimônia do enterro data mais de 300 mil anos)

Culto aos Deuses

Desde o IV milênio a.C sabemos que os egípcios cultuavam o Deus Osíris*, imaginaram dois deuses eternos, o Sol e a Lua, respectivamente Osíris e Ísis. Osíris significa muitos-olhos, um significado apropriado para representar os raios do Sol, que vêem tudo, tanto a terra quanto o mar. Osíris era o chefe dos deuses egípcios, associado à vegetação e a vida no Além. Isis a Mãe dos Deuses, posteriormente relacionada com a maternidade e da fertilidade.

*Andjeti: Entidade anterior ao Osíris confirmado n’Os Textos da Pirâmide de Unas:

O Deus Pastor

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“I immerse the waterways as Osiris, Lord of corruption, as Adjety, bull of vultures.”(…)
"Oh Horus Lord of Life, fare downstream and upstream from Andjety, make inspection of those who are in Djedu, come and go in Rosetau, clear the vision of those who are in the underworld. Farer upstream from Rosetau to Abydos, the primeval place of the Lord of All.(...)


O Thoth vindicate Osiris against his foes in :--- the great tribunal which is in the two banks of the kite on the night of the drowning of the great god in Adjety.

“In your name the one who is in Andjet headman of his nomes"(...) “May your staff be the head of the spirits, as Anubis who presides over the Westerners, and Andjety who presides over the eastern nomes” (…)“Horus has revived you in this your name of Andjety”

***

“Eu mergulho nos cursos d’agua como Osíris, Senhor da corrupção, como Adjeti, touro de abutres. (...) Oh Horus Senhor da Vida, a “jusante” e a montante da tarifa Andjeti, fazer inspeção de aqueles que estão em Djedu, vêm e vão em Rosetau, desmarque a visão daqueles que estão no submundo. Aventurada a montante do Rosetau para Abydos, o lugar primordial do Senhor de Tudo. (...)

O Toth reivindica Osiris contra seu inimigos em: “ o grande tribunal” que está nos dois bancos da pipa, na noite do afogamento do grande deus em Adjeti.

"Em seu nome o que está em Andjet chefe de seu nomos"(...) “Sua equipe pode ser o chefe dos espíritos, como Anubis, que preside aos ocidentais, e Andjeti que preside nos nomos do leste” (...)"Horus reviveu você neste seu nome de Andjeti"


A união de Osíris com Isis gerou Horus, porém a historia não foi tão simples assim, Osíris e Isis tinham como irmãos Seth e Néftis. Um dos “piores” deuses, Seth carrega com sigo a violência, desordem, traição, ciúme, inveja, o deserto, a guerra. Se unirá com sua irmã Neftis, a deusa da morte tendo como filho Anúbis, deus dos funerais ( mumificação como transação da vida após a morte). Seth não estava satisfeito, queria mais, queria o lugar de Osíris (chefe dos deuses; O Faraó).

Auxiliado por 72 conspiradores, Seth convidou Osíris para um banquete. No decurso do banquete, Seth apresentou uma magnífica caixa-sarcófago (ataúde) que prometeu entregar a quem nela coubesse. Os convidados tentaram ganhar a caixa, mas ninguém cabia, dado que Seth a tinha preparado para as medidas de Osíris. Convidado por Seth, Osíris entra na caixa. É então que os conspiradores, servos de Seth trancam-na e atiram-na para o rio Nilo. A corrente do rio arrasta a caixa até o mar Mediterrâneo, acabando por atingir Biblos (Fenícia).

Ísis, desesperada com o sucedido, parte à procura do marido, procurando obter todo o tipo de informações dos que encontra pelo caminho. Chegada a Biblos, Ísis descobre que a caixa ficou presa numa árvore que tinha entretanto sido cortada para fazer uma coluna no palácio real. Com a ajuda da rainha, Ísis corta a coluna e consegue regressar ao Egito com o corpo do amado, que esconde numa plantação de papiros.
Contudo, Seth encontrou a caixa e furioso decide esquartejar em 42 partes, o número de províncias (ou nomos) em que o Egito se encontrava dividido.

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A história do longo conflito entre Seth e Hórus é vista por alguns como uma representação de uma grande batalha entre cultos no Egito cujo culto vencedor pode ter transformado o deus do culto inimigo em deus do mal. Portanto, a vingança de Horus fora cumprida, tornou-se o rei dos vivos no Egito. Perdeu um olho lutando com Seth, que foi substituído por um amuleto de serpente, (que os faraós passaram a usar na frente das coroas), o olho de Hórus. O olho que Hórus feriu (o olho esquerdo) é o olho da Lua, o outro é o olho do Sol. Esta é uma explicação dos egípcios para as fases da lua, que seria o olho ferido de Hórus.

O Nascimento de Hórus

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Oh benevolente Ísis
que protegeu o seu irmão Osíris,
que procurou por ele incansavelmente,
que atravessou o país enlutada,
e nunca descansou antes de tê-lo encontrado.
Ela, que lhe proporcionou sombra com suas asas
e lhe deu ar com suas penas,
que se alegrou e levou o seu irmão para casa.
Ela, que reviveu o que, para o desesperançado, estava morto,
que recebeu a sua semente e concebeu um herdeiro,
e que o alimentou na solidão,
enquanto ninguém sabia quem era...


Ressuscitando Osíris

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Ísis e Néftis recuperaram todos os fragmentos do cadáver, à exceção do seu pênis, que fora comido por um peixe, mas que Ísis refez, com magia. Em seguida, Ísis organizou uma vigília fúnebre, na qual suspirou ao cadáver reconstituído do marido:

“Eu sou a tua irmã bem amada.
Não te afastes de mim, clamo por ti!
Não ouves a minha voz?
Venho ao teu encontro e,
de ti, nada me separará!”


Durante horas, Ísis e Néftis, com seus corpos purificados, inteiramente depiladas, com perucas perfumadas e bocas purificadas por natrão, pronunciaram encantamentos numa câmara funerária, impregnada por incenso. Agora vivo, Osíris passa a ser representado com uma pele esverdeada pela conservação do rio Nilo.

O julgamento das almas egípcias

O cadáver passava por um processo chamado mumificação, O sacerdote de Anúbis (embalsamador) começava por retirar cérebro do morto(representado a razão),. Depois, faziam um corte no lado esquerdo do corpo, retirando os órgãos (o fígado, os pulmões, o estômago e os intestinos), que eram colocados em vasos especiais(vasos canópicos) e guardados no túmulo, há exceção do coração(“documento de puridade” para o julgamento)

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No mundo pós morte, o “réu” participaria de uma reunião em que Anúbis colocaria numa balança o coração e do outro um pena(da verdade que representa a deusa Ma’at) assistida por Isis, Néftis e o juiz, Osíris como mostra o papiro acima. Caso o coração fosse mais pesado que a pena o defunto era comido por um animal com cabeça de crocodilo, mas caso fosse mais leve a pessoa em questão poderia ter acesso ao paraíso ou a alma voltar ao corpo. Anubis era quem guiava a alma dos mortos no Além.

Porém resta algumas duvidas...

O que criou esses deuses? E dentre as outras divindades como apareceram? Quais fatores entre história e religião não se combinam?

Bem essas respostas serão respondidas nos próximos post’s, obrigado pela compreensão e sua espera ^^

PS: posteriormente colocarei mais imagens para entretenimento


Última edição por Cufnefer em Dom Jan 08, 2012 8:27 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Mitologia Egípcia

Mensagem  Lucrezia Rottenstern em Qua Jan 04, 2012 3:30 am

Belo tópico. Um de meus assuntos favoritos. Por favor,prossiga...

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Diabo velho vou arrancar seu chifre, vou cortar teu rabo e dar para Exú comer. Da sua língua vou fazer um chicote, para dar nas costas de quem fala mal de mim. Fala mal de mim, mas não fala por detrás. Fala mal de mim, mas não fala por detrás. Ô pega ela Exú, pela ela Satanás.
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Re: Mitologia Egípcia

Mensagem  Andarilho do Horizonte em Qua Jan 04, 2012 11:14 pm

Ótimo tópico, acho que seria relevante falar especificamente sobre alguns deuses não? =]

Se minha net não fosse tão fudida contribuiria mais, mas se td der certo logo poderei dar uma força aqui.

Continue, está muito bom!
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Re: Mitologia Egípcia

Mensagem  Cufnefer em Dom Jan 08, 2012 8:09 pm

Olá, Errantes Horizontem(ah fica tão bonito em latim ^^)
Gostei dessa idéia; proposta: Você “aprofunda” a particularidades dos Deuses, que tal?

Abraços
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Re: Mitologia Egípcia

Mensagem  Andarilho do Horizonte em Dom Fev 05, 2012 12:26 am

Cufnefer escreveu:Olá, Errantes Horizontem(ah fica tão bonito em latim ^^)
Gostei dessa idéia; proposta: Você “aprofunda” a particularidades dos Deuses, que tal?

Abraços

"Errantes Horizontem" eu não diria melhor... hehe, o que já é bom sempre pode ficar melhor.rs

Gostaria muito e seria um prazer Cufnefer, mas minha net 2G praticamente me proíbe (com certeza seria um esforço hercúleo dissertar sobre os Deuses aqui.) Mas se não tiver com pressa podemos ir falando sobre os Neteru com calma, talvez um por vez. Vou começar a arrumar alguma coisa por aqui, mas não to prometendo prazo nenhum. xD

Abraço.
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Re: Mitologia Egípcia

Mensagem  Cufnefer em Sex Abr 13, 2012 1:18 pm

Precauções: Acredito que você, leitor irá sentir dificuldades ao ler então qualquer duvida diga ^^ Também outro aviso que está inacabado...

Os princípios cósmicos

Esse sistema engloba uma variedade de formas de surgimentos dos Deuses, da vida e do mundo em si, ao passar dos Impérios as histórias foram se ampliando tanto convergindo como divergindo.

Neter

Essa palavra não tem uma tradução exata, há 2 principais suposições:

-Energia Cósmica
-Um Deus Supremo Antigo (ou Primordial)

Parecem semelhantes mas veja a diferença: se julgado como Energia isso significa que ela propiciou ao surgimento dos Deuses. Se julgados como Deus, formou os seus filhos ou se “dividiu”.

Por esta razão há debates para determinar se os egípcios eram monoteístas. ou politeístas, porém há ainda uma terceira: “henoteísmo” que seria “o culto de um deus por vez, porém não de um deus único.’’ É interessante ao leigo achar um absurdo esta discussão entretanto sutilmente pela história teosófica cada divindade tinha uma hierarquia distinta entre as cidades, tanto que existia “padroeiro”(patrono) na cidade exemplos: Memphis (Mênfis) Path (padroeiro dos artesãos), que está fortemente ligada com a história do Egito Antigo, a grande capital do Alto e Baixo Egito.
Tebas (Luxor) a capital do Novo Império, por existir complexos de templos vários deuses que foram agraciados com o titulo assim como os deuses “secundários”. Deuses patronos: Amon-Rá(inicio), tríade tebana divina de Amon, Mut e Khonshu(apogeu) no Templo de Karnak(mais de mil anos para ser terminado).

A Criação

Por Atum-Rá

Atum é adorado em Heliópolis. É o resultado da transformação de Nun*, o ser subjetivo ao ser objetivo. Aparece desde cedo como deus primordial e criador pois deu origem a uma explosão que gerou os demais corpos celestes do universo, mas sendo um evento pré-planejado. Este cria o sol da tarde e quando "torna-se a si mesmo", toma forma de Rá, que inicia os neteru geradores e gera o sol da manhã. Atum foi o criador do céu e da terra separando-os. Mas no momento que "torna-se a si mesmo", une-se a Rá, e se transforma em único ser, que seria chamado de Atum-Rá. Atum cria os outros deuses através da masturbação, este gera Shu (ar), Tefnut (humidade), Geb (Terra) e Nut (céu). Como criador tem o direito de castigar a primeira geração de deuses por terem prevaricado em tudo o que cria.

Por Amon (posteriormente Amon-Rá)

Amun representou o essencial e oculta, ao mesmo tempo em Ra que ele representava a divindade revelada. Como o criador "por excelência" divindade
Amun era auto-criado, sem mãe e pai, e durante o Império Novo se tornou a maior expressão da transcendental deidade egípcia em teologia . Ele não foi considerado imanente dentro da criação, nem foi a criação vista como uma extensão de si mesmo. Amon-Ra não fisicamente engendrar o universo . Sua posição como rei dos deuses desenvolveu ao ponto de virtuais monoteísmo , onde tornou-se a outros deuses manifestações dele. Com Osíris , Amon-Ra é a mais gravada dos deuses egípcios. Ele também foi amplamente venerado nas regiões vizinhas da Líbia e Nubia .

*Por Nun

É o líquido cósmico que deu origem ao universo (por isso sem sexo). É o ser subjetivo, quando se transforma no ser objetivo, torna-se Atum, Nu ("One Watery") ou Nun ("The One inerte") é a deificação do primordial aquosa abismo . No Ogdoad* cosmogonia , o nome nu significa "abismo".

Os antigos egípcios previsto o abismo oceânico do Nun como em torno de uma bolha em que a esfera da vida é encapsulado, o que representa o mais profundo mistério de sua cosmogonia. Na criação do Antigo Egito contas do monte de terra originais surge das águas do Nun, é a fonte de tudo o que aparece em um mundo diferenciado, abrangendo todos os aspectos da existência divina e terrena. No Ennead Nun cosmogonia é percebido como transcendente no ponto de criação ao lado de Atum, o deus criador. Nu foi mostrado geralmente como do sexo masculino, mas também tinha aspectos que poderiam ser representado como feminino ou masculino. Naunet (também escrito Nunet ) é o aspecto feminino, que é o nome Nu com um final gênero feminino. O aspecto masculino, Nun , é escrito com um final gênero masculino. Tal como acontece com os conceitos primordiais da Ogdoad*, aspecto masculino Nu foi descrito como um sapo ou uma rã- cabeças homem. Em egípcio antigo arte , Nun também aparece como um barbudo homem , com azul - verde pele , representando a água. Naunet é representado como uma cobra ou serpente com cabeça de mulher .
Começando com o Reino do Meio Nun é descrito como "o Pai dos Deuses" e ele é representado em paredes de templos em todo o resto da história do Antigo Egito religiosa.

*O Ogdoad

Inclui com, Naunet e Nun Amaunet e Amun , Hauhet e Heh e Kauket com Kuk . Como as divindades Ogdoad outros, Nu não tinha templos ou em qualquer centro de adoração. Mesmo assim, Nu era às vezes representado por um sagrado lago , ou, como em Abydos , por uma corrente subterrânea.
Na 12 ª hora do Livro de Gates Nu é representado com os braços erguidos segurando uma " casca de energia solar "(ou barca, um barco ). O barco é ocupada por oito divindades, com o escaravelho divindade Khepri em pé no meio rodeado pelos sete outras divindades.
Durante o período final quando o Egito tornou-se ocupado o aspecto negativo do Nun (caos) tornou-se a percepção dominante, refletindo as forças da desordem que foram soltos no país.

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Re: Mitologia Egípcia

Mensagem  Ars Chanokh em Qua Ago 28, 2013 5:59 pm

Religião no Antigo Egito


A religião no Antigo Egito refere-se ao complexo conjunto de crenças religiosas e rituais praticados no Antigo Egito.

Não existiu propriamente uma religião egípcia, pois as crenças - freqüentemente diferentes de região para região - não eram a parte mais importante, mas sim o culto aos deuses, que eram considerados os donos legítimos do solo do Egito, terra que tinham governado no passado distante.

Este conjunto de crenças foi praticado no antigo Egito desde o período pré-dinástico, a cerca de 3.000 anos a.C. até ao surgimento do cristianismo. Inicialmente era uma religião politeísta por crer em várias divindades, como forças da natureza. Ao passar de séculos, a crença passou a ser mais diversificada, sendo considerada henoteísta, porque acreditava em uma divindade criadora do universo, tendo outras forças independentes, mas não iguais a este.

Também pode ser considerada monoteísta, pois tinha a crença em um único deus, as outras divindades eram neteru (plural de neter), o que podem ser chamados de "anjos de deus", o que seriam vários aspectos de um mesmo deus. No governo de Amenófis IV foi pregado o monoteísmo, porém não durou por muito tempo, pois após a sua morte a religião foi dispensa.

A religião era praticada em templos e santuários domésticos. A religião ainda é praticada atualmente, porém por minorias. O kemetismo é uma reconstrução neopagã da religião ainda praticada atualmente.

As fontes para o estudo da antiga religião egípcia são variadas, desde templos, pirâmides, estátuas, túmulos até textos. Em relação às fontes escritas, os egípcios não deixaram obras que sistematizassem de forma clara e organizada as suas crenças.

Em geral, os investigadores modernos centram-se no seu estudo em três obras principais, o Livro das Pirâmides, o Livro dos Sarcófagos e o Livro dos Mortos.

O Livro das Pirâmides

Uma compilação de fórmulas mágicas e hinos cujo objetivo é proteger o faraó e garantir a sua sobrevivência no Além.

Os textos encontram-se escritos sobre os muros dos corredores das câmaras funerárias das pirâmides de Sakara. Do ponto de vista cronológico, situam-se na época da V e VI dinastias;

O Livro dos Sarcófagos

Uma recolha de textos escritos em caracteres hieroglíficos cursivos no interior de sarcófagos de madeira da época do Império Médio, tinha também como função ajudar os mortos no outro mundo;

Por último:

Livro dos Mortos

Que inclui os textos das obras anteriores, para além de textos originais, data do Império Novo.

Esta obra era escrita em rolos de papiro pelos escribas e vendida às pessoas para ser colocada nos túmulos.

Outras fontes escritas são os textos dos autores gregos e romanos, como os relatos de Heródoto (século V a.C.) e Plutarco (século I d.C.).


Divindade

As várias divindades egípcias existentes caracterizavam-se pela sua capacidade de estar em vários locais ao mesmo tempo e de sobreviver a ataques.

A maioria delas era benevolente, com exceção de algumas divindades com personalidade mais ambivalente como as deusas Sekhet e Mut.

Um deus poderia também assumir várias formas e possuir outros nomes. O exemplo mais claro é o da divindade solar Rá que era conhecido como Kephra, representado como um escaravelho, quando era o sol da manhã.

Recebia o nome de Atum enquanto sol do entardecer, sendo visto como velho e curvado, um deus esperado pelos mortos, que se aquecem com os seus raios. Durante o dia, Rá anda pela Terra como um falcão.

Estes três aspectos e outros setenta e dois são invocados numa ladainha sempre na entrada dos túmulos reais.

Estas divindades eram agrupadas de várias maneiras, como em grupos de nove deuses (as Enéades), de oito deuses (as Ogdóades), ou de três deuses (tríades)

. A principal Enéade era a da cidade de Heliópolis presidida pela divindade solar Rá.


Cosmologia e Criação

O princípio do universo é a formação única de Deus, que não se fez do nada, e sim, autocriou seus aspectos.

Os aspectos de Deus, como dito anteriormente, chamam-se neteru(no singular: neter no masculino e netrit no feminino).

Tudo vem a início de um líquido infinito cósmico chamado Nun (Nu ou Ny), este é o ser subjetivo. Quando esse líquido se autocria e torna-se real, é Atum, o ser objetivo.

Essa passagem é semelhante à passagem de inconsciente para consciente do ser humano. Atum criou uma massa única universal, que deu origem há uma explosão, porém pré-planejada. Atum também tem o poder de "tornar-se a si mesmo", que segundo os antigos egípcios, é algo muito complicado para um humano, seria uma "obra divina".

Mas isto é o princípio da Terra. A oração para a transformação de Atum, é a seguinte:


“Salutamos a vós, Atum!

Salutamos a vós, aquele que torna a si mesmo!
Vós sois em vosso nome o altíssimo!
Vós tornais em vosso nome Khepri, aquele que se torna si mesmo!.”


Khepri, é um nome dado ao primeiro neter da Terra, Rá, o que é outra forma de Atum. Para criar a Terra, Rá deu origem ao Sol da manhã, enquanto o Sol da tarde era Atum. Cuspiu Chu e Tefnut, que deram origem a ar e a umidade. A seguir outro texto de "obra divina":


“Fui anterior aos dois anteriores que criei, pois tinha prioridade sobre os dois anteriores que criei.

Visto que meu nome é anterior ao deles, porque criei-os antes dos dois anteriores”.

Os próximos neteru a serem gerados eram Geb e Nut, que criaram os dois ambientes da Terra: o céu e a terra (plana).

Estes também deram origem aos quatro neteru da vida:

Osíris, Ísis, Seth e Néftis. Osíris criou a vida no além e todo o processo de jornada até o céu. Ísis é responsável por todos os seres vivos.

Seth representa os opostos, mas também coisas más, como ódio e caos. Néftis representa o deserto, a orientação, e o ato de morte. A história desses quatro neteru é a origem do próximo a ser gerado

Lembrando que as próximas histórias são semelhantes aos humanos porque esses neteru eram de espécies bem próximas aos humanos.

Existem milhares de versões, no geral a história é a seguinte: Osíris era o neter que criou o ciclo de vida e morte, por isso governava a terra. Seth, movido a inveja, resolveu armar uma forma de matá-lo.

Então, de forma incerta, provavelmente mostrando outra intenção, o trancafiou em um caixão e jogou no Nilo para se perder e ninguém nunca achar.

Néftis percebeu isso e avisou Ísis, quando começaram a procurar e encontraram um caixão, e recuperaram Osíris.

Seth como era uma forma do mal, esquartejou a forma material de Osíris em 40 pedaços e espalhou-os por todo o deserto e no Nilo.

Ísis, depois de muito tempo, conseguiu encontrar todos eles, exceto o pênis, que foi devorado por três peixes. Então, Osíris uniu-se a Ísis e gerou um filho, a primeira idéia de "imaculada concepção", ela ficou conhecida com "Virgem Ísis".

O filho era Hórus, o herdeiro que então lutou contra Seth, perdendo um olho na batalha, mas consegui vencê-lo. Esse olho ficou conhecido como "Olho de Hórus", que foi reconhecido como símbolo de proteção pelos egípcios. A seguir uma oração relacionada a isso:


“Ó benevolente Ísis

que protegeu o seu irmão Osíris,
que procurou por ele incansavelmente,
que atravessou o país enlutada,
e nunca descansou antes de tê-lo encontrado.

Ela, que lhe proporcionou sombra com suas asas
e lhe deu ar com suas penas,
que se alegrou e levou o seu irmão para casa.”


Hórus também era conhecido como o "salvador da humanidade".

Depois disso, Seth se tornou um neter menor. Também há histórias dizendo que Hórus encarnou na terra e mostrou ensinamentos à humanidade.
Ele seria guiado pela estrela Sirius e presenteado em seu nascimento por três reis, que seriam representados pelas Três Marias.

Também fez milagres na terra, como andar sobre as águas do Nilo. Em outra versão, teria ressuscitado um homem chamado El-Azar-Us.

Foi morto pelo faraó (por inveja deste) e também teria ressuscitado alguns dias depois. Fora da terra, teria se casado com Hator.

Os templos no Antigo Egito eram entendidos como os locais onde residia a divindade (hut-netjer, "casa do deus"), que poderia ser acompanhada pela sua família e por outras Divindades, sendo por isso muito diferente dos modernos edifícios religiosos onde se congregam os crentes
.
Os templos dos períodos mais antigos da história do Antigo Egito, como o Império Antigo e o Império Médio, não chegaram a bom estado até aos dias de hoje, pelo que são as construções do Império Novo e da época ptolomaica que permitem o conhecimento da estrutura dos templos. Na estrutura "clássica" dos templos egípcios podem ser distinguidas três partes: o pátio, as salas hipóstilas e o santuário.

À entrada de um templo encontravam-se obeliscos e estátuas monumentais, que antecediam o pilone. Nos templos do Império Novo é comum a existência de uma avenida de acesso ladeada por esfinges com corpo de leão e cabeça de carneiro (que se acreditava protegerem o templo e o deus), na qual desfilava a procissão em dias de festa.

Um pilone era uma porta monumental composta por duas torres em forma de trapézio, entre as quais se situava a entrada propriamente dita. Nas paredes do pilone representavam-se as divindades ou muitas vezes a cena clássica na qual se vê o faraó a atacar os inimigos do Egito.

Passado o pilone existia um grande pátio (uba), a única zona acessível ao público, onde a estátua da Divindade era mostrada nos dias de festa. O pátio era rodeado por colunas e possuía por vezes um altar (aba), onde se efetuavam os sacrifícios.
Este pátio precedia uma sala hipóstila (ou seja, uma sala de colunas), mais ou menos imersa na escuridão, que antecedia outras salas onde se guardavam a mesa de oferendas e a barca sagrada. Finalmente, achava-se o santuário do deus (kari). Se os faraós entendessem ampliar um templo construíam-se novas salas, átrios e pilones.


Teoricamente o rei egípcio tinha o dever de realizar a liturgia em cada templo.

Uma vez que era fisicamente impossível para o rei estar presente em todos os templos que existiam no Egito, o soberano nomeava representantes para realizar as cerimônias a Deus.

Os reis só visitavam os templos em ocasiões especiais associadas a festivais, o que não impede que sejam representadas nos templos fazendo oferendas as Divindades.
A vida nos templos seguia o curso da vida normal.

Antes do nascer do sol, abatiam-se os animais que seriam oferecidos as Divindades. Os sacerdotes purificavam-se com água e vestidos com trajes brancos entravam em procissão no templo.

No pátio do templo os sacerdotes apresentavam as suas oferendas e queimavam incenso.

Um sacerdote dirigia-se ao santuário da Divindade, uma sala especialmente consagrada, localizada na parte mais reservada do templo.

Aqui o sacerdote acendia um archote e abria o naos, tabernáculo onde se guardava a estátua da Divindade.

O sacerdote apresentava-se a Divindade e anunciava vir cumprir os seus deveres.

Limpava o tabernáculo, queimava incenso, lavava a estátua e aplicava sobre ela óleos, vestia-a, maquiava e colocava-lhe a coroa.

Terminado este processo o sacerdote coloca a estátua no naos, abandonando a sala apagando o archote e as pegadas que fez. Ao meio-dia poderia ser feita uma nova cerimônia na qual se oferecia alimentos.


Sacerdotes

No Antigo Egito não existiu uma estrutura sacerdotal centralizada; cada Divindade possuía um grupo de homens e mulheres dedicados ao seu culto.

O termo mais comum para designar um sacerdote em egípcio era hem-netjer, o que significa "Servo de Deus".

Não se sabe em que época da história egípcia se estruturou o grupo sacerdotal.

Na época do Império Antigo os sacerdotes não estavam ainda organizados em corpos fixos como sucederá no Império Novo.

De acordo com os Textos das Pirâmides, datados do Império Antigo, os reis tinham cinco refeições diariamente, três no céu e duas na terra; estas últimas estavam a cargo dos sacerdotes funerários.

As fontes do Império Novo mostram que os sacerdotes estavam organizados em quatro grupos (em grego: phyles), cada um dos quais trabalhava durante um mês cada três meses.

Durante os oito meses que tinham livres, os sacerdotes levavam uma vida comum inserida na comunidade, junto das suas esposas e filhos.

O clero egípcio estava estruturado de forma hierárquica. O rei era em teoria o líder de todos os cultos egípcios, mas como já foi referido este delegava o seu poder a outro homem devidamente preparado por Deus, o Sumo Sacerdote, que na hierarquia era seguido do segundo sacerdote, por sua vez seguido do terceiro e quartos sacerdote.

O grupo seguinte era o dos "pais divinos" e dos "puros". Existiam também os sacerdotes leitores, os que calculavam o momento ideal para realizar uma determinada cerimônia através da observação do sol ("horólogos") e os que determinavam os dias fastos e nefastos ("horóscopos").

Finalmente, pode distinguir-se um grupo dedicado aos serviços de manutenção do templo (imiu-seté).

As mulheres também trabalhavam nos templos seguindo o mesmo regime de rotatividade dos homens.

Freqüentemente estas mulheres eram esposas dos sacerdotes. As mulheres poderiam ser cantoras (chemait), músicas (hesit) ou dançarinas (khebait).
Durante o Império Antigo e o Império Novo; muitas mulheres da classe abastada serviram a deusa Hathor.
No culto de Amon o cargo mais importante ocupado por mulheres era o de "Adoradora Divina". As mulheres que ocuparam este cargo foram filhas ou irmãs do faraó governante.


Cosmogonia Egípcia

A Enéade de Heliópolis

Segundo o mito da criação de Heliópolis, no princípio existiam as águas do caos, Nun. Um dia uma colina de lodo chamada Ben-Ben levantou-se dessas águas, tendo no seu cimo Atum, o primeiro deus. Atum tossiu e expeliu Shu (deus do ar) e Tefnut (deusa da umidade).

Shu e Tefnut tiveram dois filhos, Geb, deus da terra e Nut, a deusa do céu. Shu ergueu o corpo de Nut, colocando-o acima de Geb, e esta se tornou a abóboda do céu. Nut e Geb tiveram por sua vez quatro filhos: Osíris, Isís, Seth e Néftis.

Osíris tornou-se deus da terra, que governou durante muitos anos; Isís foi sua mulher; rainha e irmã. Seth o deus seco do deserto invejava o estatuto de Osíris e um dia matou-o.

Osíris foi para o mundo subterrâneo e Seth tornou-se rei da terra. Osíris teve um filho com Ísis chamado Hórus que decidiu vingar a morte do pai e reconquistar o trono. Hórus derrota Seth e torna-se o novo rei da terra, mas o seu pai permanece no mundo subterrâneo.

Néftis era apaixonada secretamente por Osíris, um dia se disfarçou de Ísis e deitou-se com Osíris dando a Luz a Anúbis o deus com corpo de homem e cabeça de cão que presidia o mundo dos mortos Ogdoáde de Hermópolis

Na cidade de Hermópolis, capital do XV nomo do Alto Egito, dominava um panteão de oito deuses agrupados em quatro casais. A origem destes oito deuses variava: por vezes eram apresentados como os primeiros deuses que existiram; em outros casos eram filhos de Atum ou de Chu.

Os oito deuses tinham os seguintes nomes e representavam os seguintes conceitos:

Nun e Naunet, o caos, o oceano primordial;
Heh e Hehet, o infinito;
Kek e Kauket, as trevas;
Amon e Amaunet, o oculto;

Os oito deuses eram denominados como "Hemu", de onde derivou o nome original da cidade de Hermópolis, Khemenu.

A designação de Hermópolis para o povoado urbano de Khemenu foi atribuída pelos gregos por associarem um importante deus da cidade, Thoth, com o seu Hermes. Estes oito deuses atuavam coletivamente, ao contrário dos deuses dos outros sistemas, que eram autônomos.

As divindades masculinas deste panteão eram representadas como homens com cabeça de rã, enquanto que as femininas eram representadas como mulheres com cabeça de serpente.

Considerava-se que estes quatro deuses foram os primeiros seres que existiram; a partir de uma interação entre eles surgiu uma ilha, a chamada "Ilha das Duas Facas", onde estes deuses depositaram um ovo, do qual saiu a divindade solar Rá, que daria forma ao mundo. Existiam várias teorias para a origem do ovo, sendo este atribuído a um ganso ou um falcão.

Outra variante do mito afirmava que das águas do oceano primordial emergiu uma ilha, onde mais tarde seria construída Hermópolis.

Nesta ilha existia um poço, no qual flutuava uma flor de lótus e onde viviam os oito seres referidos anteriormente. As divindades masculinas ejacularam sobre a flor e fecundaram-na.

A flor de lótus fechou-se durante a noite; quando se abriu de manhã dela saiu o deus Rá na forma de um menino que criou o mundo.

Cosmogonia de Mênfis

Na cidade de Mênfis dominava uma tríade composta pelos deuses Ptah, a sua esposa Sekhmet e o filho destes, Nefertum.

A teologia desta cidade é hoje conhecida graças ao texto da Pedra de Chabaka. De acordo com as inscrições da pedra, o texto original tinha sido conservado num papiro guardado nos arquivos de um templo de Ptah.

Este papiro encontrava-se num avançado grau de deterioração quando o faraó Chabaka (século VIII a.C.) ordenou que o texto fosse inscrito numa pedra de granito.

Infelizmente os habitantes da cidade acabaram por utilizar a pedra como elemento de um moinho, o que provocou estragos na mesma.

Os estudos mais recentes sobre a pedra mostram que o estilo do texto foi premeditadamente escrito de forma a espelhar uma linguagem arcaica.

Neste sistema Ptah era o deus criador.

Divindade associada aos artesãos, o deus era representado como um homem com corpo mumificado. Era considerado como o criador de tudo, inclusive dos deuses.

Ptah criou o mundo usando o coração e a língua. Para os Egípcios o coração era o centro da inteligência, sendo no sistema menfita a língua o centro criador.

Ptah era simultaneamente Nun e Naunet (feminino de Nun) e gerou Atum a partir do seu coração e da sua língua. Este sistema não rejeitava a Enéade de Heliópolis, simplesmente considerava Ptah como criador dessa Enéade; Atum era um agente da vontade Ptah.

O deus Ptah era também considerado o criador do kA ou alma de cada ser.
Sekhmet era uma deusa feroz, que segundo um mito tinha atacado a humanidade por esta ter desrespeitado Rá. Era representada como uma leoa ou como uma mulher com cabeça de leoa.

Nefertum era o deus da felicidade, sendo representado como um jovem com uma flor de lótus na cabeça. Mais tarde, Nefertum seria substituído como filho deste casal por Imhotep, personagem que teve existência histórica (foi o vizir do rei Djoser da III Dinastia).

Cosmogonia de Tebas

O nome egípcio de Tebas, cidade do Alto Egito próxima da Núbia, era Uaset.

Mais uma vez deve ser salientado que a designação de "Tebas" é de origem grega.

Tebas foi durante bastante tempo uma cidade pouco relevante.

A partir do Império Novo ela adquire grande importância, relacionada com o fato dos reis fundadores da XVIII Dinastia (uma das dinastias que constituem o Império Novo), serem oriundos da cidade. Estes reis foram responsáveis pela expulsão dos Hicsos, povo estrangeiro que dominou o Egito.

Assim, quando Tebas se transformou na capital do Egito não foi só a cidade que ganhou importância, mas também os seus deuses.

O principal deus de Tebas era Amon, representado como um homem com uma túnica preta e duas plumas na cabeça; poderia também ser representado como um carneiro ou um ganso.

Como foi referido anteriormente, Amon estava associado ao oculto.

Os sacerdotes tebanos aproveitaram elementos de outros deuses que atribuíram a Amon. Em concreto, Amon passou a ser visto como o demiurgo, retirando essa função ao deus Rá.

Os sacerdotes afirmaram também que Amon era o monte primordial, tendo sido Tebas a primeira cidade a existir no mundo e que por conseguinte, ela deveria servir como modelo a todas as outras cidades.

Na cidade de Tebas a esposa de Amon não era Amaunet, como referia a cosmogonia hermopolitana, mas Mut.

Este casal tinha um filho, Khonsu, uma divindade lunar.

Cosmogonia de Elefantina

Elefantina é o nome grego de uma pequena ilha no Nilo situada junto da primeira catarata.

Nesta ilha dominava uma tríade encabeçada por Khnum, divindade com uma cabeça de carneiro, que representava a criatividade e o vigor.

Para os Egípcios, Khnum criava os seres humanos no seu torno, tal como o oleiro cria as suas peças.

As esposas de Khnum eram Satet e Anuket (ou talvez, segundo outra hipótese, seriam respectivamente esposa e filha do deus). Satet era responsável pela inundação do Nilo (que gerava a fertilidade dos solos no Antigo Egito) e Anuket encontrava-se também associada ao elemento água.

Princípio Cósmico

Neter

Neter é uma palavra em egípcio sem tradução exata. A antiga religião egípcia, diferente do que muitos pensam, cultua apenas um único Deus.

Sendo este supremo, eterno, imortal, onisciente, onipresente e onipotente.

Mas este Deus aparece de várias formas e aspectos, os Neteru (plural de Neter no masculino e Netrit no feminino).

Um exemplo para compreender melhor isso é a água, que sendo líquida, sólida ou gasosa continua sendo água.

Dessa forma os Neteru têm sua própria personalidade, ações e são cultuados.

Os neteru também podem ser ditos como informações ou pistas para conhecer Deus.

Por exemplo: se é nos informado apenas o nome de alguém não tem o mínimo conhecimento desses, mas quanto mais pistas e informações sobre ele, melhor o conhecemos.

Desse modo os arqueólogos e egiptólogos que estudaram sobre a antiga religião egípcia, traduziram neteru como Deuses e Deusas, dando totalmente a informação errônea de que tais são forças independentes.

Alma egípcia

Alma egípcia é um conceito metafísico egípcio de alma-coração, o princípio de sete almas que seria levado durante toda a vida.

Para os antigos egípcios, a religião focava a imortalidade. Portanto, a vida futura era altamente desejável. Isso pressupõe a crença de que havia uma alma imortal que viveria após a morte do corpo físico e essa alma, para nós, atualmente, é um conceito bastante complexo.

A alma, seu ser, era composta de partes diversas.

Não existia apenas a forma física, e sim, havia oito partes imortais ou semi divinas, que sobreviviam à morte. Portanto as oito partes imortais mais o corpo completariam as nove partes do ser humano.

O significado exato de kA, BA, Akh, Sekhem, e outras expressões não são ainda muito claras para nós. Os estudiosos partem do principio de comparar a cultura egípcia antiga com a nossa e assim ficamos mais confusos porque as idéias são diferentes.

Nas tumbas, o Livro dos Mortos, que na verdade tem o nome de Saída para a Luz do Dia, é uma coleção de textos que aborda toda a viagem do morto rumo a vida pós morte. Através da leitura desses textos é possível tentar entender os conceitos dos antigos egípcios.

Na verdade não era um livro e sim uma coletânea de textos creditados ao deus Thoth e seu objetivo era ajudar a alma do morto a enfrentar e vencer os obstáculos, num caminho muito difícil.

Para chegar ao Amenti, era preciso cruzar os 21 pilares, passar pelas 15 entradas, cruzar 7 salas para chegar ao Saguão das Duas Verdades onde seu coração, frente a Osíris e aos 42 juízes vai ser pesado.

Caso o julgamento fosse favorável ao morto, Hórus o conduzia ao trono de Osíris que indicava seu lugar no reino além da morte. Se o morto estivesse cheio de pecados, seria comido pelo Ammut, o devorador de mortos, então adeus vida eterna.

IB (coração)

A parte mais importante da alma egípcia era o Ib (jb) ou coração.

O Ib, ou coração metafísico, era concebido como uma gota do coração da mãe para a criança durante a concepção.

Achados arqueológicos retratam esta concepção com a imagem de uma pessoa que é encaminhada pela deusa Maat após a morte.

O termo ab ou ib foi usado também pelos hebreus para denominar a divindade máxima da religião monoteísta, Deus.

Segundo esta etimologia ab são as duas primeiras letras do alfabeto hebraico e grego, respectivamente: a=Aleph e alpha ou no hebraico pai; e b=bet e beta ou no hebraico útero ou casa e é uma palavra feminina.

A união destas compõe a própria palavra alfabeto ou A Palavra, o Verbo, segundo a Bíblia, o próprio Deus ou ainda, dentro de uma concepção hebraica, pai e mãe; numa concepção egípcia o coração da deusa.

As partes da alma egípcia:

Khab

A forma física, o corpo que pode se desintegrar após a morte, a parte externa dos mortais que pode ser preservada apenas pela mumificação.

O kA, o BA e o Akh são as vezes traduzidos como o Duplo, a Alma e o Espírito, mas isso não explica todas as nuances que estão implícitas nesses conceitos.

Nota:

Khab, segundo Crowley, é a "estrela" ou "Luz íntima", é a essência original, individual, eterna.


kA

Imagine que o deus criador Khnum, criou o Ka da pessoa quando criou essa pessoa em sua roda de oleiro.

O Ka então passa a seguir a pessoa como uma sombra ou um duplo, durante toda a vida, mas quando a pessoa morre, o Ka retorna para sua morada celeste.

A preservação do corpo, as oferendas de comida, sejam reais ou apenas gravadas nas paredes da tumba, propiciavam energia ao Ka.

Não que ele comesse, mas assim como as estátuas dos deuses, o Ka assimilava energia.

Os egípcios acreditavam que os animais, plantas, água e as pedras, por exemplo, todos possuíam seu próprio Ka.

O Ka humano até podia habitar uma planta, enquanto a pessoa a quem ele pertencia, dormia.

O Ka podia se manifestar, como um fantasma para outras pessoas, tanto fazia se a pessoa a quem ele pertencia estivesse viva ou morta.

Podia até apavorar as pessoas que por acaso tivessem feito algum mal para seu possuidor – se, por exemplo, a família não tivesse feito as oferendas devidas, o Ka faminto e sedento, os assombraria até que corrigissem seu erro.

O BA e a múmia

Na vida diária, ao dar comida e bebida para alguém, os antigos egípcios costumavam usar a frase Para o seu Ka, para desejar energia vital do Ka.

BA

O Ba podia assumir a forma que desejasse, em geral ele se apresenta na forma de um pássaro com cabeça humana, que flutua em torno da tumba durante o dia, alimentando o falecido com água e comida.

A função mais importante do Ba era tornar possível que o morto, abandonasse a tumba para se reunir ao seu Ka, de modo que pudesse viver para sempre e se tornar um Akh, um ancestral.

O conceito de Ba era mais ligado ao corpo físico e não como alma ou espírito.

Akh (Akhu, Khu, Ikhu)

É o resultado da união do BA e do kA.

É a parte imortal, o ser radiante que vive dentro do Sahu. Significa o intelecto, os desejos e intenções do falecido.

O Akh se transfigura na morte, e sobe aos céus para viver com os deuses entre as estrelas

Nota:

Khu, segundo Crowley, é a vestimenta mágica que o Khab tece para si mesmo, uma "forma" para seu Ente Além-da-Forma, pelo uso da qual ele ganha experiência através de autoconsciência. O Khu é o primeiro véu, muito mais sutil que mente e corpo, e mais verdadeiro; pois sua forma simbólica depende da natureza de sua Estrela.
.

Sahu

É o corpo espiritual. Caso o morto se saia bem no Julgamento de Osíris, o Sahu sobe aos céus saindo do corpo físico, como todas as habilidades mentais de um ser humano vivas.

Sekhem

É a personificação incorpórea da força vital do homem, que passa a viver entre as estrelas junto com o Akh, após a morte física.

Ab (Ib)

O coração, esta é a fonte do bem e do mal dentro de uma pessoa. É o caráter e o centro dos pensamentos, que pode abandonar o corpo de acordo com sua vontade, e viver junto com os deuses após a morte, ou ser engolida por Ammut, assim tendo a morte final, quando os pratos da balança de Ma´at não se equilibram.

Ren

O nome verdadeiro. É a parte vital do homem em sua jornada através da vida e do pós vida.

Para compreender melhor, basta saber que o deus criador (em Mênfis) Ptah, criou o mundo dizendo o nome de todas as coisas.

Um recém nascido, devia receber um nome imediatamente senão estaria vivendo uma existência incompleta.

As cerimônias de nomeação eram secretas, de modo que, uma pessoa podia viver toda sua vida usando um apelido para que ninguém descobrisse seu nome verdadeiro.

Destruir ou apagar o nome de uma pessoa podia certamente trazer a desgraça.

Muitos sequer pronunciavam o nome verdadeiro de um deus, usavam sinônimos em seu lugar, como Yinepu (Anúbis) era sempre chamado: “Aquele que está de frente para a tenda divina, que significava a casa da mumificação.

Desse modo o nome verdadeiro do deus ficava escondido e protegido.

Os egípcios acreditavam que aquele cujo nome fosse falado, vivia. Assim sendo, fazer oferendas e dizer o nome de um falecido amado, significava que aquela pessoa vivia entre os iluminados.

A única pessoa que podia destruir os poderes dos demônios, era aquela que soubesse seus nomes. Ao viajar através do mundo subterrâneo, se usava dizer: eu conheço você e sei seus nomes.

Shwt

Num país como o Egito, com um sol escaldante, é possível fazer uma analogia com a proteção e a benção que é sombra.
Assim, a sombra era vista também como uma entidade que podia se separar do corpo, participar das oferendas funerárias e viajar com grande velocidade.

Os campos de Junco

Era o local onde o morto passaria sua pós vida, também poderia ser dito, entre as estrelas ou nas Terras do Oeste.

Enquanto o Khab descansa na tumba, pronto para ser reanimado pelo kA, o BA pode estar viajando com no mundo subterrâneo com Ra.

Enquanto o Ab está com os deuses, a Shwt (sombra) pode estar com Ba na barca, ou na tumba comendo as oferendas. Ao mesmo tempo, o Akh, Sekhem e Sahu podem estar felizes vivendo entre as estrelas, olhando para a Terra lá embaixo.
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Re: Mitologia Egípcia

Mensagem  raijjin em Qua Out 30, 2013 11:07 pm

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Última edição por raijjin em Qua Ago 20, 2014 2:37 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Mitologia Egípcia

Mensagem  Ars Chanokh em Qui Out 31, 2013 11:58 am



Ascende na flama da pira, minha alma! Teu Deus é como o frio vazio do mais extremo céu, no qual tu irradias tua pequena luz.

Quando Tu me conheceres, Deus vazio, minha chama expirará completamente em Teu grande N.O.X.

—Liber Liberi vel Lapdis Lazuli, II:39-40
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Re: Mitologia Egípcia

Mensagem  rayan alexssander em Sex Nov 01, 2013 8:06 pm

raijjin escreveu:Um detalhe importante a ser lembrado é que os Deuses não existem em si,
eles foram criados para representar estados da natureza
ou o interior do homem e portanto só existem dentro de nós ou na natureza.

Por exemplo Chronos é a personificação do tempo, Marte é personificação
da guerra, Buda e Jesus são a compaixão e a iluminação, e assim por diante.

o próprio Deus com "D" maiusculo pelo qual tantas pessoas buscam
NÃO EXISTE se não como imagem e representação do universo, do "Todo"
e não existe nenhuma inteligencia nesse todo que leve esse nome.

Estamos sozinhos e nenhum jesus Cristo de verdade irá nos salvar do mal.
O ser humano(microcosmo)é apenas uma versão menor do macrocosmo (universo) portanto se algo existe dentro de uma pessoa também existe no universo

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Re: Mitologia Egípcia

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