Cristalomancia

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Cristalomancia

Mensagem  Lucrécia em Qua Nov 09, 2011 9:00 pm


A história da Arte da Cristalomancia


A previsão usando cristais é um dos mais antigos e mais conhecidos métodos de adivinhação, e trata da busca de conhecimento em superfícies lisas ou com reflexo. Em geral, bolas de cristal, mas também cristais e águas paradas. A história da cristalomancia remonta pelo menos à Grécia clássica, onde o escritor de viagens Pausânias descreveu várias fontes usadas então. Uma, em Tenarum, perto do sul do Peloponeso, supostamente revelava o que acontecia no porto local até que uma mulher lavou roupa ali e sujou a água. Na Bíblia, o Gênesis faz referência a José usando uma taça divinatória, e a tradição islâmica conta que o califa abássida Mansur tinha um espelho que revelava se um estrangeiro era amigo ou inimigo.
Na Mesoamérica, a cristalomancia parece ter tido um papel particularmente importante por sua associação com Tezcaclipoca, uma divindade terrível cujo nome significava "espelho embaçado". As estátuas do deus têm espelhos de pedra vulcânica escura, adornando a parte de trás da cabeça dele, e no lugar do pé que ele perdeu numa batalha contra o monstro terreno numa luta da criação. Sabe-se que os astecas usaram espelhos na adivinhação, assim como água em tigelas. Crenças parecidas certamente passaram para o Peru pelo istmo do Panamá, a julgar por uma famosa lenda inca. Tal lenda conta que o conquistador Pachacuti encontrou num riacho um cristal onde o deus criador Viracocha apareceu prometendo a ele um império.
Esses exemplos mostram a existência de várias formas de consulta aos cristais, algumas mais conhecidas. Hoje, a técnica está mais associada a bolas de cristal, mas nem sempre foi assim. E os espelhos têm uma longa fama - basta lembrar a rainha em Branca de Neve e os sete anões perguntando ao espelho: "Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu?". Mas os gregos antigos não foram os únicos povos a usarem a água dos rios, lagos e riachos como espelho.
Outros materiais além do metal polido e da água também podem ser usados como as pedras brilhantes, na litomancia. Um dos métodos mais estranhos é a onicomancia, hoje certamente em desuso, que consistia no exame das unhas de um menino após untá-las com fuligem ao sol. Mais recentemente, os videntes usam uma série de objetos inesperados - como bolhas de sabão, o verso de relógios de pulso e a tela de uma tevê fora do ar.
A cristalomancia teve vários propósitos tempos afora, inclusive a profecia pela profecia. Um exemplo pode ser encontrado nas Memórias de Saint-Simon, em que uma menina conseguia prever vários fatos históricos olhando num copo d'água. Mas, desde sempre, outros povos usaram essa técnica com uma intenção definida: os solteiros, por exemplo, buscavam ver o rosto da cara-metade. Uma antiga tradição do folclore norte-americano no Dia das Bruxas dizia que se a moça descesse de costas uma escada olhando um espelho, veria o rosto do futuro marido.
Uma tradição de longa data é usar a cristalomancia para achar objetos perdidos ou roubados. A mais antiga referência a essa prática na Inglaterra é de 1467, quando William Byg, morador de Yorkshire, disse ganhar a vida usando uma bola de cristal para encontrar objetos perdidos. Os padres do lugar o consideraram herege e ele foi condenado a andar até York Minster com uma placa escrita "bruxo".

“Foi-me dada uma visão no Cristal e eu vi”.
(Anotação no diário de John Dee, em 25 de maio de 1581, indicando sua primeira experiência bem-sucedida com a Bola de Cristal).

O Adivinho de Elizabeth I

A cristalomancia também podia ser usada, com ou sem sucesso, para fins mais ambiciosos, como nos experimentos de John Dee, ocultista e erudito inglês do século XVI. Grande letrado, Dee era conhecido da rainha Elizabeth I, de quem chegou a fazer o mapa astral. Alguns especialistas acreditam que ele foi a inspiração de Shakespeare para o personagem Próspero, de A tempestade.
Depois de profundos estudos sobre o misticismo judaico, Dee chegou à conclusão de que havia uma série de seres angélicos entre o homem e Deus. Na década de 1580, se convenceu de que tais seres podiam ser contatados por um espelho de cristal. Na década seguinte, ele fez um diário de suas experiências, documentando uma das mais extraordinárias aventuras psíquicas do mundo.
Infelizmente, Dee não parecia ter muita capacidade para invocar espíritos: "Você sabe que não posso ver ou adivinhar", escreveu, desesperado. Assim, foi obrigado a confiar em assistentes - o mais importante deles, um aventureiro esperto chamado Edward Kelley que, antes de conhecer Dee, teve as orelhas cortadas por falsificar dinheiro.
Kelley não só inventou espíritos, como também arrumou uma bola de cristal de forma bem teatral. Num entardecer de 1582, Dee viu na janela oeste de seu laboratório uma criança-anjo segurando um "objeto brilhante e lindo, do tamanho de um ovo". Era uma bola de cristal, que ele depois diria ter sido presente de Uriel, o anjo da luz.
Mas o assistente Kelley estava mais interessado em usar os conhecimentos de alquimia de Dee para fazer ouro do que para contatar espíritos. Por isso, convenceu o erudito de 56 anos a sair de casa em Mordake, nos arredores de Londres, e ir com a mulher e empregados à Polônia, onde um rico nobre prometera financiar suas pesquisas. Uma peregrinação de seis anos fez a dupla pedir ajuda não só na Polônia, mas em Praga, na corte do sacro imperador romano Rodolfo II e no castelo do vice-rei da Boêmia. Nessas andanças, Kelley continuou a invocar anjos e pesquisar alquimia, além de convencer Dee de que os espíritos sugeriam que os dois compartilhassem tudo, inclusive as esposas. Enquanto isso, a fama das atividades mágicas de Dee chegou à sua cidade natal e uma multidão irada saqueou a casa e queimou livros e objetos dele.
Dee acabou dando um basta e voltou à Inglaterra em 1589, falido e desanimado. Felizmente, sua antiga mecenas Elizabeth I teve pena dele e premiou seus longos serviços à Coroa com o cargo de reitor numa escola na emergente cidade nortista de Manchester.
Kelley não teve tanta sorte. Continuou na Europa oriental, onde foi acusado de fraude e bruxaria, acabando preso. Tentou a fuga, mas a escada feita de lençóis amarrados arrebentou e ele morreu no dia seguinte. Junto com ele, foi-se a dúvida sobre se teria realmente visto maravilhas na bola de cristal. A única certeza que resta é de que as experiências posteriores de Dee fracassaram e os anjos nunca mais se manifestaram.

Visões Nubladas

Hoje, a bola de cristal continua sendo o método mais popular da cristalomancia, embora varie de forma. Alguns videntes precisam de vários dias para limpar corpo e mente antes de uma consulta, enquanto outros dispensam esse preparo. A maioria exige que o espelho esteja bem limpo, pois qualquer mancha pode desviar a atenção. Uma limpeza muito usada é mergulhar a bola numa panela com uma medida de conhaque para cinco de água e levar ao fogo durante 15 minutos, depois secar a bola com uma camurça. Alguns videntes gostam de ficar num ambiente totalmente escuro ou contra um fundo escuro, como um veludo ou um armário meio fechado. Outros trabalham no claro, embora a maioria prefira a penumbra, com a bola na mesma distância que se usa para ler um jornal, por exemplo. No passado, muitos videntes eram auxiliados por meninos ou meninas (considerava-se que tinham uma boa visão psíquica) que informavam o que viam na bola de cristal enquanto o vidente interpretava. Hoje, a maioria faz tudo sozinha e a visão leva de cinco a 15 minutos para tomar forma.
O que o vidente enxerga também varia, mas o relato clássico é de uma nuvem opaca ou leitosa que surge aos poucos dentro da bola. As visões aparecem então, em geral banhadas numa luz sobrenatural, paradas ou em movimento, reduzidas à circunferência da bola ou em tamanho natural. Às vezes, não há uma forma definida; mesmo assim, o vidente pode avaliar conforme a aparência da nuvem: se for clara, denota boa sorte; se for escura, indica maus presságios.

Um Romance Revelado

Um curioso caso de adivinhação por bola de cristal ocorreu em 1915, com um certo Edmund Waller, que na época morava em Paris. Um amigo que ia empreender uma longa viagem à África pediu que ele fizesse a gentileza de ver se tudo estaria bem com sua esposa. Logo que o amigo viajou, a esposa foi para os Estados Unidos, e Wal1er não pensou mais nisso. Uma noite, sem conseguir dormir, resolveu se distrair com a bola de cristal que o pai tinha comprado pouco antes. Ficou surpreso ao ver a esposa do amigo com um homem que ele não conhecia, no hipódromo de Longchamps, nos arredores de Paris. Sabendo que no dia seguinte haveria uma corrida lá, cancelou um compromisso e foi ao hipódromo, onde viu o casal da bola de cristal. A esposa do amigo tinha voltado à França sem avisar.
Teve outras visões dos dois na bola de cristal e contou isso ao amigo quando ele voltou da África. Primeiro, o marido enganado não acreditou na história, mas quando Wal1er teve outra visão - do casal num conhecido restaurante parisiense -, o marido aceitou acompanhá-lo até lá. Encontraram a esposa jantando acompanhada e a cena acabou em divórcio.

Método


Uma das artes divinatórias menos conhecidas, mas praticadas por grupos de ciganos espalhados por todo o mundo é a da cristalomancia, ou uso dos cristais para aumentar o poder de percepção em todos os sentidos. Também chamada de Cristaloterapia, essa ciência fornece elementos para usos diversos dos cristais, possibilitando um meio fácil, simples e sem contra-indicações para amenizar certos tipos de doenças, principalmente aqueles decorrentes do desequilíbrio entre homem e natureza ou entre o físico e o espiritual.

No uso dos cristais, um detalhe precisa ser observado, pois a graduação da cor influi no processo terapêutico ou na ação desejada. Podemos resumir assim essa ação:

Tom claro: resultado moderado, mas prolongado.
Tom normal: resultado esperado.
Tom escuro: resultado rápido, mas passageiro.

Na escolha da tonalidade do cristal a ser utilizado está o segredo de seus resultados. Todas os rituais aqui apresentados recomendam o uso dos tons normais na cor de seus cristais. Em caso de necessitar de um resultado mais ou menos demorado, basta usar um cristal na cor indicada, não se esquecendo de sempre lavá-los em água corrente, esfregando sal grosso, secando-os ao sol em seguida.

Uma das imagens mais conhecidas a respeito das ciganas e de seus conhecimentos de artes mágicas é a da Cigana com a Bola de Cristal, tornada clássica em filmes e livros por todo o mundo. Trata-se de uma habilidade que não é ensinada nem é aprendida e já nasce com a mulher cigana. A cada dez anos, em média, nasce uma sensitiva capaz de ver com e através do cristal, o que foge um pouco da imagem vulgarizada e mistificada muitas vezes, apenas com o objetivo de tomar dinheiro dos incautos. Para se entender o poder de um cristal puro, usado numa bola de cristal, basta lembrar que ele já existia na Terra da primeira forma de vida se instalar aqui. É capaz de captar e apreender vibrações, funcionando como um depósito de dados cuja leitura é reservada apenas a poucos em todo o mundo. Assim sendo, para as pessoas comuns, os cristais continuam sendo segredo, mas isso não significa que seu poder não possa ser aproveitado por
aqueles que o desejarem. Dentro dos conhecimentos dos ciganos a respeito do assunto há milhares de rituais com cristais, acessíveis aos não iniciados no assunto.

A wicca possui uma visão um pouquinho diferente:

A Cristalomancia é também muito praticada pelas BRUXAS, mas com um propósito maior: Mergulhar no cosmo profundo e infinito da Grande Mãe, recebendo mensagens e descobrindo mais sobre o nosso mundo interior, que é o mundo da Deusa refletida na bola de cristal. Veja a seguir, alguns exemplos básicos da interpretação de figuras da cristalomancia:

Nuvens Violetas:Harmonia e Tranqüilidade
Nuvens Azuis:Conquista e Felicidade
Nuvens Verdes:Lucro e Prosperidade
Nuvens Amarelas:Dúvidas esclarecidas em breve
Nuvens Laranjas:Decisões difíceis e definitivas
Nuvens Vermelhas:Obstáculos e Agitação
Manchas Claras:Pequenos problemas
Manchas Escuras:Grandes problemas
Estrelas:Sonhos impossíveis
Coração:Vivencia de um grande amor
Serpente:Cuidado com a saúde
Pássaros:Surpresas
Olho:Siga mais a tua intuição
Espada:Desarmonia
Balança:Recompensa justa
Imagem Interior à Bola de Cristal:Presença ou Futuro imediato
Imagem Posterior à Bola de Cristal:Passado que exercerá influencia sobre o presente
Imagem à Direita da Bola de Cristal:Boas influencias
Imagem à Esquerda da Bola de Cristal:Más influencias

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